Revista Parêntese

Parêntese #135: Mais desigualdade?

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Parêntese #135: Mais desigualdade?

A semana que termina hoje foi marcada pela exposição ao ridículo de nosso país, pela fala do presidente aos embaixadores. Mas também pelo pleito de um liberal ativista, Winston Ling. Ele afirmou, de cara limpa, que é preciso mais (não “menos”) desigualdade no Brasil. Mais desigualdade para gerar mais riqueza. 

(Duvida? Digite este nome e a expressão “mais desigualdade” no google e confira.)

Dá o que pensar: o que seria MAIS desigualdade em nosso país? Como seria? No andar de cima, tem como pensar em haver gente mais rica do que já é? Seria por essa ponta? Os três conselheiros do Tribunal de Contas do Rio Grande amado que embolsaram coisa de um milhão entre os três, indevidamente: deveriam ter embolsado dez milhões? Aquela lista dos mais ricos do Brasil devia acolher gente ainda mais rica?

Ou a sugestão seria alterar a ponta social de baixo? Diminuir a renda dos que já comem raspa de telha e rato? Ou seria o caso de apenas aumentar o número dos desesperados? Mais desemprego, mais fome, mais moradores de rua? 

Este senhor Ling passearia sua riqueza mais feliz por aí? 

Enquanto a gente fica aqui tentando imaginar de que porão infecto nasce uma ideia como essa, tratamos de dar a palavra para a Clara Glock, que reporta um importante encontro de economia solidária, esta modesta proposta que pensa no oposto simétrico do importante liberal. Entrevistamos a cantora Glau Barros, que pensa na primeira do plural. Trazemos o segundo capítulo do folhetim “A parada”, que o Ângelo Chemello Pereira está tramando.

Arnoldo Doberstein conta da chegada do telefone a Porto Alegre. E Frederico Bartz, que nos brindou com dez flagrantes da memória dos trabalhadores na cidade, encerra hoje sua série com o futebol. 

Arthur de Faria repassa a vida de um quase inacreditável músico nascido por aqui, batizado com o improvável nome de Realcino Lima Filho, o popular Nenê. Liniana Haag Brum medita sobre outro caso momentoso, a demolição da casa em que viveu por alguns anos o finado Caio Fernando Abreu. Samantha Buglione segue nos contando da Bienal de Veneza, agora com os corpos em evidência. 

Eron Duarte Fagundes pensa em público sobre um clássico relativamente recente do cinema brasileiro, e nada menos que três cronistas dão o ar da graça – Zara Gerhardt conta de sua segunda covid, Marília Kosby de uma matança de porco e Pedro Gonzaga da vida em uma Buenos Aires atormentada por inflação, crise política e futuro incerto.

A tira de Augusto Bier e Carlos Castelo diz presente, e mais um texto sobre tradução pode ser lido em espanhol – nesta semana a vez é da tradutora Shayla Bittencourt. E para nosso grande gosto Genaro Joner dá umas caras em suas fotos expressivas. 

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