Revista Parêntese

Parêntese #136: A fronteira e o mundo

Change Size Text
Parêntese #136: A fronteira e o mundo

Não é de todos os escritores e artistas que se pode dizer que mereceriam uma biografia. Sim, certo, qualquer um merece uma biografia, porque, como ensinou o filósofo baiano, de perto ninguém é normal, e por isso cada um, devidamente escrutinado, rende histórias do arco de todas as velhas.

Mas a biografia convencionalmente interessante tem que ter lances arriscados, passagens obscuras, súbitas reviravoltas, encontros casuais, além de momentos de paz e harmonia. 

Nosso entrevistado, de hoje e do sábado que vem, é desses. Até no nome por inteiro há algo de vagamente misterioso – Marcelino Tabajara Gutierrez Ruas. Assinando Tabajara Ruas, chamado de Taba pelos mais próximos, ele é realmente uma figura como que saída de um folhetim dos bons. 

Nascido em Uruguaiana, coisa em si já interessante dada a posição rigorosamente fronteiriça da cidade, veio para Porto Alegre nos furiosos anos 1960, engajou-se na oposição ao regime militar, virou clandestino, exilou-se no Chile, de lá conseguiu fugir para a Dinamarca, passou uma temporada em São Tomé e Príncipe. E tudo isso, na prática, antes de virar um romancista de força épica e um diretor de cinema igualmente vocacionado para os grandes momentos da experiência guerreira.

Da fronteira para o mundo todo: esse é o trajeto que, no fim das contas, a Parêntese tenta fazer todos os sábados. E do mundo para esta fronteira brasileira aqui onde vivemos. Duvida? Então olha o primeiro capítulo da nova e vibrante série que apresentamos – agora, Fraga e Giba Assis Brasil percorrerão os meandros do palíndromo, esta joia da linguagem que vai e vem sem perder o tom. 

Álvaro Magalhães, sócio-atleta da revista, oferece sua espórtula para o debate público a respeito do futuro do Rio Grande amado: temos ainda como projetar futuro? Nele, que papel terá o Estado? Só deve cuidar de segurança, educação e saúde? Ou tem o que dizer sobre incrementar produção, agregar cadeias produtivas, pensar no longo prazo?

Fernando Seffner traz nova rodada de suas memórias nos cinemas de Porto Alegre. Arnoldo Doberstein, com sua consagrada história em pequenos flashes, conta dos prédios da Alfândega. A série dos tradutores, agora em espanhol, traz sua derradeira página. 

Enquanto o folhetim do nosso editor Ângelo Chemello Pereira chega ao terceiro capítulo, sempre na mesma parada de ônibus, três cronistas fazem a festa: Denise Ziliotto, Álvaro Santi e Cláudia Tajes. E Samantha Buglione persegue (e encontra!) mais uma vez os sentidos ocultos ou dispersos da atual Bienal de Veneza. 

Um cartum de luxo: Alemão Guazzelli flagra o Bozo num mar de mortos. Nem precisa piscar o olho.

Para encerrar, a notícia de um novo livro chegando: Roberto Jardim, que esteve conosco muitas vezes aqui na revista e conta já com dois livros sobre o tema, lança em pré-venda Um outro futebol – pequenas histórias da bola. Procure em www.umoutrofutebol.com.br

RELACIONADAS
ASSINE O PLANO ANUAL E GANHE UM EXEMPLAR DA PARÊNTESE TRI 1
ASSINE O PLANO ANUAL E GANHE UM EXEMPLAR DA PARÊNTESE TRI 1
ASSINE E GANHE UMA EDIÇÃO HISTÓRICA DA REVISTA PARÊNTESE.
ASSINE E GANHE UMA EDIÇÃO HISTÓRICA DA REVISTA PARÊNTESE.