Revista Parêntese

Parêntese 42: O profeta e a filosofia

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Parêntese 42: O profeta e a filosofia
Ninguém é profeta em sua terra, dizia a frase aquela. Mas eu concluí, depois de ver alguma água passar por debaixo da ponte, que o cara não é profeta em sua terra se essa terra for uma província. Se for metrópole, ele vira profeta sim. Na sua terra mesmo.  O senhor vai ler, a senhora está acompanhando, vocês vão entender o que eu filosofo aqui, em níveis pedestres como convém ao pensador elementar que sou, assim que lerem a segunda parte da história do Radamés Gnattali. O Arthur de Faria está contando. Aliás, ele vem contando várias histórias maravilhosas. Em livro, já repassou a carreira da Elis, e agora prepara um volume inteiro sobre o Lupicínio Rodrigues. Enquanto isso, para azeitar a máquina, ele conta tudo que aconteceu em música na Mui Leal e Valerosa cidade de Porto Alegre e adjacências. Aí entra o Radamés.  Vou parar de falar aqui, mesmo porque a história dele nem se encerra hoje, na edição 42 da Parêntese. Leia lá, distinto leitor, prezada leitora, e me diga se eu tenho razão ou não. Radamés, que ajudou Tom Jobim a encontrar seu rumo, depois de ter dado a Ary Barroso e a uma penca de outros astros nacionais o que eles precisavam – régua e compasso, mais arranjo e perspectiva musical. No mais, andamos pela cidade com a impressionante narrativa de Lília Guerra, assim como na crônica-memória de José Falero, a mostrarem, ambas, a aridez que espera os de baixo quando se movimentam. Jandiro Koch passeia por uma cidade parada no tempo, mas que vista pela lente certa mostra a vida da memória. A reportagem desenhada de Pablito Aguiar conta da vida de dois amigos inesperados, que se trocam cumprimento por cima da avenida. Vinícius Rodrigues apresenta Marcelo D’Salete, um valor superior do desenho em nosso tempo. Cláudia Laitano explica uma dessas novidades linguísticas e comportamentais de nosso tempo, “splinternet”. A entrevista desta semana, feita pelo tradutor e parceiro Théo Amon, dá a palavra para uma tradutora chamada Kristina Michahelles, criada entre o português e o alemão, que agora cuida da memória de um grande escritor alemão que viveu no Brasil.  As imagens de Flávia Dalla Santa retratam a passagem do tempo de um jeito desconfortável: aquele imperceptível acúmulo de poucas coisas, que logo vira uma invasão, que termina oprimindo. Já viveu algo assim?  Mais ou menos como a Nathallia Protazio contando do teste para saber se contraiu o tal vírus, este que invadiu nossa vida devagarzinho e virou isso que sabemos. Demétrio Xavier, de sua parte, lembra da infância, naquela inocência de décadas atrás, em confronto com a falta de vergonha na cara de tantos de nossos contemporâneos.  (E viu que na terça a Parêntese ofereceu uma legítima Ana Marson de brinde? Não viu? Veja então.) E com uma grossa lágrima de tristeza nos despedimos hoje da série “Até que a razão os separe”, esse passeio magnífico, esse banquete para a inteligência, que Eduardo Vicentini de Medeiros nos ofereceu por dez semanas, repassando a […]

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