Revista Parêntese

Parêntese 46: A realidade e essa outra coisa

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Parêntese 46: A realidade e essa outra coisa

Certas vidas nem parecem reais. Pega o caso do Radamés Gnattali, que o Arthur de Faria biografa, numa sexta e derradeira parte. Dá pra acreditar que apenas numa vida o cara tenha feito tudo que fez, com a inventividade que apresentou, legando-nos tanta beleza? (Já o Arthur de Faria também é meio difícil de acreditar que exista, como um ser qualquer.)

Ou pega o caso da Milena Friedrich Cabral. Com uma história feito a dela, a gente se pergunta: como é que é ser a Milena? Como é ter feito um transplante de rim 30 anos atrás, ainda criança, e agora precisar entrar de novo no túnel – eu ia dizer escuro, mas túneis são sempre escuros, e a Milena não enxerga justamente pelos mesmos motivos que a levaram ao transplante. Como é viver a vida sentindo o que a Milena sente? 

Poderíamos perguntar para outras gentes, os amorosos familiares da Milena, por exemplo. Mas também os familiares de qualquer outra grande alma que passa pelo nosso universo, este aqui que a gente costuma chamar de a realidade. Por um momento, pensa no efeito da obra do Quino, o genial desenhista, cartunista, comentador da vida, que Vinicius Rodrigues repassa em seu artigo.

a morte do Pereba, evocada pelo José Falero, tem o condão de nos levar para as bordas de outro abismo, o da morte de um indivíduo que afetou menos gente, mas os que afetou ficaram marcados para sempre. Ao menos o Falero ficou. E o Lúpino, o menino protagonista do folhetim que a Julia Dantas nos está oferecendo? A morte de seu primeiro pai, como se pode acomodar na percepção profunda da criança marcada pela pandemia interminável?

O Zuza Homem de Mello, falecido faz uma semana, foi outro que deixou obra impressa e gravada que nos transporta da verdade elementar da vida para essa outra dimensão, que talvez deva ser chamada pelo seu nome próprio, arte, esse sublime parque de diversões para adultos. O Paulo Moreira e o Álvaro Magalhães o celebram.

Outro que gravou e divertiu muita gente é o Carlos Couto, nosso entrevistado da semana. Quantos momentos de encantamento essa figura já proporcionou? Quem ouviu a finada rádio Continental, a antiga PopRock e a Atlântida saberá dizer.

Cláudia Laitano nos explica o estranho prazer cifrado numa palavra alemã que cabe bem aos nossos dias. Num quarto e penúltimo capítulo, Roberto Jardim repassa a relação entre futebol e democracia. 

Nossas imagens são outra prova de que a realidade escapa quando a queremos flagrar. As fotos do Carlos Edler mostram o lindo rosto da vida reciclada, e Pablito Aguiar desenha a iniciativa surpreendente e genial da Ana Mello, que não se conformou com a ausência a preenche com poesia. 

E começamos hoje uma nova seção. Depois de algumas hipóteses, ficamos com o nome Relampo. Entende qual é? Tipo corisco, blitz, faísca no céu. Ideias, palpites, dicas. Se o prezado leitor e a gentil leitora quiserem participar, estamos com a caixa do correio aberta, tanto quanto nosso coração – prometemos dar retorno a quem se apresentar. A seção deve estar no ar toda semana, daqui pra frente. 

Pra terminar: anda pensando em dar algum presente no Dia das Crianças? Que tal ajudar a ONG DE PEITO ABERTO, que assiste crianças carentes com problemas respiratórios crônicos? Só entrar aqui.

Luís Augusto Fischer

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