Revista Parêntese

Parêntese 61: Oxigênio

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Parêntese 61: Oxigênio Foto: Malu Baumgarten

Teve um tempo em que a floresta amazônica recebeu o título de “pulmão do mundo”. Não lembro bem por quê, mas depois a metáfora foi trocada para “o ar condicionado do mundo”. Seja como for, é coisa para o mundo, não para o Brasil apenas, nem para a América do Sul, exclusivamente. Mas, falemos a verdade, quem, no nosso país, leva essa dimensão planetária a sério?

Vai governo, vem governo, uns menos e outros, como o atual, menos ainda, a Amazônia está numa ponta externa do nosso radar. Muitas vezes, nem entra na conta. E agora estamos vivendo esse horror da falta de oxigênio para doentes — oxigênio, que está contido nas duas metáforas, a velha e a nova. 

José Falero, que além de escrever bem é um editor de qualidade, sugeriu à Paloma Amorim, nativa de Belém do Pará, que nos contasse mais sobre o que rola por lá. E temos então esse depoimento, meio reportagem, meio desabafo, meio alerta (ei, três meios não cabem em uma unidade!). 

Parêntese se sente bem quando consegue armar essas conexões e, com elas, participar da vida dos leitores. Valéria Barcellos conta algo de sua trajetória, em entrevista a Cristiano Goldschmidt – sim, no sábado passado nós oferecemos essa entrevista adiantadamente aqui no site, para celebrar o dia da visibilidade trans, e agora a reiteramos para quem assina e lê a Parêntese nas demais versões (pdf, e-book e Kindle). 

Porto Alegre vem com tudo aqui: além do Arthur de Faria de sempre, Eduardo Vicentini de Medeiros comenta a visão lupicínica da separação e Alice Dubina Trusz nos proporciona uma breve visita às máquinas quase milagrosas que, desde meados do século dezenove, andavam também na capital gaúcha. 

Reproduzimos aqui um discurso muito significativo, feito pela Fernanda Bastos e o Luiz Maurício Azevedo, por ocasião da festa do prêmio Açorianos que a editora Figura de Linguagem, que eles dirigem, recebeu. Luiz Maurício, por sinal, está lançando um livro que reúne textos de sua crítica literária engajada no debate do racismo e negritude (Estética e raça: ensaios sobre literatura negra, pela Sulina), que em seguida será lido e devidamente resenhado por aqui.

Um presente requintado é o que nos oferece Augusto Darde, com uma apresentação de Jules Supervielle, escritor francês nascido no Uruguai e marcado para sempre pela imagem do pampa, a que nosso olhar está também acostumado. O texto vem com o recheio de algumas traduções de poemas seus, pela primeira vez em português. E Guto Leite resenha o mais recente livro de poesia de Rodrigo Garcia Lopes, oferecendo uma ideia da qualidade desse trabalho.

Em imagens, o sensível ensaio de Malu Baumgarten, que visita espaços estrangeiros a nós, mas familiares pela espécie de vazio que a pandemia impõe. E Pablito, como sempre faz, apresenta uma linda história de conquista – aqui, a conquista da liberdade capital, que pode parecer pouca coisa, mas é daquelas liberdades que fazem diferença na vida. 

Ah, sim: o folhetim do Marcelo Martins Silva vem aqui com seu penúltimo capítulo. Será que também ele vai mesmo tomar o veneno?

– Luís Augusto Fischer

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