Revista Parêntese

Parêntese #88: Fogos e fogos

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Parêntese #88: Fogos e fogos

Monteiro Lobato ganhou fama lá por 1915 ao escrever um artigo furioso contra os caboclos paulistas que botavam fogo no mato para preparar a terra para o plantio. Acusava-os de responsáveis pelo atraso do país. 

O traço de preconceito cultural foi ficando claro com o tempo. Era o jovem metido a moderno condenando o caipira, que fazia fogo no mato havia alguns milênios, talvez. De todo modo, a bronca lobatiana agradou a mentalidade progressista do momento. 

Fogo destrói, fogo prepara. Fogo na estátua do Borba Gato é igual ao fogo na Cinemateca Brasileira? 

Giba Assis Brasil escreve uma meditação sobre o fogo assassino da negligência e do descarado abandono a que o governo federal relegou um patrimônio que não é dele, mas da nação. E Tiago Segabinazzi cerca o fogo no Borba Gato de reflexões sutis e necessárias.

Tão necessárias quanto a atenção que a Cláudia Tajes presta para o pessoal de um circo, um dos tantos setores da cultura que foram reduzidos a cinzas, metafóricas ao menos, com a pandemia. O sensível ensaio do Theo Tajes mostra essas vidas, querendo respirar de novo. 

A entrevista, feita por Eduardo Vicentini de Medeiros, dá a palavra para a Bruna Kalil Othero, uma poeta cheia de verve, que aconteceu esses dias nas redes com uma coleção de retratos de tipos de leitor. Leia, com a devida filtragem do prisma da ironia, e divirta-se.

Lugar de honra merece o texto de Sátira Machado, que oferece um retrato de Oliveira Silveira. O poeta completaria 80 anos por agora, mas foi embora antes de testemunhar o momento estimulante que vivemos da luta antirracista, para a qual ele tanto contribuiu. 

A seção de tradução desta semana traz a reflexão e o testemunho de Andrei Cunha, tradutor do japonês. Arthur de Faria conta de um dos grandes instrumentistas da redondeza, Manfredo Fest. E o José Falero dança, reclama, recebe lançamentos, arremata e finalmente entende a função do camisa 10. Temos ainda a visita da Natasha Centenaro, que conta de uma pesquisa que está desenvolvendo sobre mulheres que escrevem dramaturgia. Conhece alguém?

No folhetim, José Artur Castilho chega ao terceiro capítulo e narra como Joel passa a elaborar a perda de Sandra. Grazi Fonseca ilustra sua personagem que nos leva a acessar uma passagem de tempo. Tempo que Arnoldo Doberstein resgata em mais uma Porto Alegre: a das primeiras edificações. E a imagem do parêntese da semana é de autoria do Carlo Pianta, que enxergou o símbolo num lugar muito óbvio e muito apreciado. 

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