Revista Parêntese

Parêntese #93: Porto Alegre é uma cidade democrática?

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Parêntese #93: Porto Alegre é uma cidade democrática? conectividade

Reza a lenda que pediram um dia ao já famoso Einstein que explicasse em palavras comuns a tal teoria da relatividade. Conhece essa? É boa.

Ele teria respondido que era simples: bastava comparar o minuto que se passa acarinhando a pessoa amada com o minuto que alguém passasse com a mão sobre a chapa quente do fogão. (Era um fogão a lenha, para fazer sentido.) 

O minuto era o mesmo, os mesmos 60 segundos; mas os dois minutos tinham um abismo de diferença entre si.

Agora pergunte a alguém que faz as três refeições por dia, desde sempre, o que é democracia; pergunte o mesmo a quem peleja para obter cada refeição, uma por uma, dia por dia, a vida toda.

E no entanto se trata de um valor que queremos universal. Que precisa ser universal. “O pior governo com exceção de todos os demais”, como alguém já disse? E também o melhor de todos. A ser preservado e aperfeiçoado, para poder seguir vivo.

A Parêntese 93 versa sobre esse tema: democracia. Como a vivemos aqui nesta cidade? Como já foi? Como pode ser melhor? O que fazer diante da evidência da digitalização das relações? Como se vive o cotidiano da democracia na cidade?

Montamos um retrato daquilo que está ao nosso alcance. Conversamos com gente de ideias e boas histórias para mapear os problemas e especular soluções. Do esforço, saiu um documento com três olhares. 

O primeiro, uma análise sobre o que planejamos e o que nos tornamos. Marcelo Branco, na democracia digital, e Luciano Fedozzi, no referenciado Orçamento Participativo de Porto Alegre, trazem reflexões sobre os truncamentos que enfraquecem as grandes ideias.

Tem também uma entrevista com o pesquisador Diego Moraes, que trabalhou no desenvolvimento de um índice que mede a democracia de uma cidade. A boa notícia é que, dos dados, extraímos esperança.

O outro olhar, que vê de perto como a mobilização acontece, vem do Pablito, que conversa com uma indígena do Amazonas que veio a Porto Alegre fazer doutorado e acompanha a discussão marco temporal para demarcações de terra. Tem também uma entrevista com Rafa Rafuagi, músico e militante do movimento negro à frente da criação do Museu da Cultura Hip Hop, sobre a expressão artística nascida na nossa periferia.

Antes de ir para a última parte, há uma passagem. Tânia Meinerz traz uma coletânea de imagens sobre as conexões que chegam às nossas casas, nos tornando uma cidade.

A última parte desta publicação é sobre as sensações nossas de cada dia, sobre a qualidade da nossa democracia.

A livreira Nanni Rios, migrante do fluxo oposto (veio de Santa Catarina para cá) fala de como foi chegar na Porto Alegre dos anos 2010, e José Falero colhe cinco relatos vigorosos sobre qual poder o povo deveria ter, mas não tem.

Por último, Ângelo Chemello Pereira, brasileiro que vive fora, relata um diálogo quase inviável com uma sudanesa e reflete sobre a democracia para estrangeiros. Um lindíssimo texto.

Essa é a moldura dessa edição. Muito mais coisa merece os holofotes, mas o tamanho das ideias sobre democracia são imensuráveis. A única certeza nossa é que todas as democracias cabem dentro de uma cidade.

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