Revista Parêntese

Parêntese #75: Somos um bando

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Parêntese #75: Somos um bando

No recente livro da Lelei Teixeira (E fomos ser gauche na vida), nossa entrevistada um tempo atrás aqui na revista 63, lá pelas tantas aparece a citação: “Somos um bando e muitos outros”. Era o verso de uma canção de 40 anos atrás, daquelas que captou no ar um sentimento visceral, que atravessava todo mundo. (Como dizia o Paulo Francis, “todo mundo” são as pessoas que nos interessam.) A canção se chama “De um bando” e veio ao mundo num elepê marcante, que tinha por título o nome do cancionista: Bebeto Alves.    
    
O andamento, o estilo da canção tinha algo de muito conhecido, para os ouvidos sulinos, e algo de muito diferente: era um mix novo, apanhado na esquina entre o local e o mundial, entre a vidala (o gênero da canção) e o rock, entre a beira do rio Uruguai e uma rua de Londres, ou Nova York, talvez de Porto Alegre. Bebeto Alves lançava o primeiro disco solo, cantando com a alma toda na garganta, numa carreira que nunca parou de fazer sentido, ou melhor, de inventar um sentido, sempre novo. Artista inquieto, sempre se deslocando, sempre achando uma nova posição a partir da qual fosse possível comentar o mundo e nos encantar. 
    
Na edição 75, Bebeto foi entrevistado, recompôs parte daquela experiência de ter o disco lançado por um selo forte naquele contexto, e também oferece imagens da experiência. No final, uma entrevista bônus com o produtor Carlos Alberto Sion.
    
Deus cria e o Diabo ajunta, diziam os antigos. A entrevista com o Bebeto foi feita por escrito já tem mais de um mês. E calhou de sair agora – justamente na semana em que faleceu o Luis Vagner, o Guitarreiro, outro grande músico gaúcho, um dos inventores do samba-rock brasileiro, um dos primeiros a desenvolver o reggae, uma figura que vai aqui homenageada em três textos que vão encantar: um do Mateus Mapa, que escreveu um livro sobre ele, outro do Antonio Padeiro e outro do Arthur de Faria. Um dos nossos mortos que precisa ser celebrado.
    
Luis Vagner e Bebeto são do mesmo bando que nós. Assim como Juarez Fonseca, que conta como seis compositores gaúchos se reuniram para gravar o disco Paralelo 30, lá estava o Bebeto. É do bando também o Flávio Wild, nosso parceiro, que agora oferece um ensaio de fotos duro e belo, que ao mesmo tempo alivia nosso olhar do horizonte imediato e nos mergulha nele de novo – em suas imagens estão pessoas em movimento e em espera, como todo mundo. 
    
Mais uma vez temos Zé Adão Barbosa falando de uma tia imaginária e hilariante. O Pablito Aguiar conta, em quadrinhos, a história de como Crespo precisou se reinventar na pandemia. 
    
Um ensaio pela metade: Homero Araújo medita sobre Nelson Rodrigues e a sociedade brasileira. Um ensaio que se estenderá por uma pequena série: Marcos Lacerda, sociólogo que escreve para ser lido, passeia pelo que chama de “astúcia brasileira”, essa marca que o Brasil tem, talvez tenha, mas rejeita, ou nunca teve, essa marca que talvez nos singularize no mundo. Com a já tradicional seção Quadrinhos em Revista, Vinícius Rodrigues oferece um novo capítulo do universo do traço, que também é o da palavra.
   

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