Revista Parêntese

Parêntese #108: Uma sinfônica com sede

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Parêntese #108: Uma sinfônica com sede

Todo mundo – “todo mundo” é aquele grupo que a gente acha que é todo mundo –, todo mundo sabe que o grande Erico Verissimo, quando queria dar credencial boa para Porto Alegre, dizia: minha cidade tem uma orquestra sinfônica. Como quem diz: temos vida cultural sofisticada, não me tirem pra matuto.

Tenho certeza de que um Erico em 2022 repetiria a mesma credencial, à qual acrescentaria outras: berço do Orçamento Participativo, sede primeira do Fórum Social Mundial, sede de duas grandes e uma média universidades, dignas de todos os títulos válidos, local de nascimento de práticas feministas, pró-direitos LGBT e antirracistas relevantes, mais isso e mais aquilo. Sim, esta é a melhor Porto Alegre, para muito além da linda paisagem e do varejo da vida.

Mas a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, a OSPA – diga “óspa” sem medo, não tem por que a pedanteria de pronunciar “ôspa” –, criada em 1950 sobre um lastro de vida musical de quase um século antes disso, não tinha sede (digo “séde”, não “sêde”). Não tinha. Ocupou espaços alugados, o mais famoso sendo o antigo Teatro Leopoldina. Até que agora, pouquíssimos anos atrás, construiu sede e, não bastasse, salas outras para concerto de câmara, salas para a escola de música. O regente desse processo foi Evandro Matté, nosso entrevistado para a edição 108.

É certo que ele não esteve sozinho, mas aqui vai uma grande saudação a sua liderança, sem a qual, pelo que se vê concretamente em décadas de vida ativa, o grande orgulho do Erico ainda viveria de favor.

O ensaio de fotos é, sem dúvida, outra magnífica realidade porto-alegrense: Mauro Castro, autor de textos saborosos na coleção Taxitramas, também um fotógrafo de talento. Pelo retrovisor de seu táxi, que sustenta o escritor-motorista, ele oferece sínteses expressivas da vida.

O folhetim da Milena chega ao capítulo 5 com a protagonista avançando rumo ao destino amargo e radicalmente humano, ligado a essa conquista inacreditável da humanidade, o transplante de órgãos – falando nisso, esta semana um ser humano herdou um coração de um porco. Viu?

Arnoldo Doberstein se debruça sobre a história das sociedades carnavalescas Venezianos e Esmeralda, uma das fontes do carnaval da cidade. Pablito Aguiar oferece outra de suas sensacionais entrevistas em quadrinhos, e Vinicius Rodrigues visita a história de 80 anos da criação do talvez primeiro herói de HQ brasileira, Zé Carioca. Arthur de Faria continua a história de Geraldo Flach.

Guto Leite argui a relação entre o novo livro do nosso José Falero com o melhor rap nacional. Berenice Sica Lamas e suas parceiras expressam a escolha do amor, contra o bafo mortífero que nos cerca. E a Nathallia Protazio não se decide entre a urgência e a paciência para encarar 2022.

PS: ficou reticente com a minha sugestão de pronunciar “óspa”? Te disseram que, como é “orquestra”, com esse “o” pronunciado como “ô”, teria que transportar essa característica para a sigla? Bobagem. Como se pronuncia a sigla do Ministério da Educação? Se diz “méc”, certo? Certo. De nada.

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