Reportagem | Sabatina Parêntese

Heinrich Hasenack defende monitoramento constante e trabalho interdisciplinar para enfrentar crise climática

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Heinrich Hasenack defende monitoramento constante e trabalho interdisciplinar para enfrentar crise climática Foto: João Carlos da Silva Neto / Matinal

No último sábado (22/6), a terceira edição da Sabatina Parêntese – Conversas sobre o futuro recebeu o professor e pesquisador Heinrich Hasenack. Docente do Departamento de Ecologia da UFRGS e um dos principais estudiosos no campo do mapeamento ambiental, Hasenack é conhecido por seu trabalho no projeto MapBiomas, que utiliza tecnologias avançadas para monitorar mudanças na cobertura do solo e uso da terra no Brasil.

Assista à entrevista completa no YouTube:

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Impacto da expansão agrícola no Pampa

Em diálogo com o professor Luís Augusto Fischer, Hasenack abordou a questão crítica da expansão agrícola no bioma Pampa, destacando os desafios e as soluções necessárias para mitigar os impactos ambientais. “A expansão da soja no Pampa está transformando áreas de vegetação campestre em monoculturas, o que altera drasticamente o ecossistema local. Isso não apenas substitui a vegetação nativa, mas também desloca a fauna que depende dessa vegetação e modifica o regime hídrico da região”, afirmou Hasenack. Ele enfatizou a necessidade de políticas públicas que protejam essas áreas e promovam práticas agrícolas sustentáveis.

Integração de tecnologias para monitoramento e gestão ambiental

Hasenack destacou o avanço das tecnologias de monitoramento, como satélites e drones, que permitem uma análise mais precisa e abrangente das mudanças ambientais e na gestão de desastres naturais. Ele enfatizou a necessidade de combinar diferentes fontes de dados para obter uma visão completa e precisa do cenário atual: “Nos projetos de mapeamento ambiental, como o MapBiomas, utilizamos satélites de alta resolução e drones para capturar dados detalhados que ajudam a entender as mudanças no uso da terra e na cobertura vegetal”. Além disso, ele discutiu como essas tecnologias podem ajudar no monitoramento de eventos extremos, como enchentes, mencionando a aplicação de imagens de satélite para mapear áreas impactadas por desastres naturais. Hasenack destacou também a importância de registrar dados ambientais consistentemente para poder avaliar mudanças e responder de maneira adequada a eventos futuros: “Monitorar recorrentemente uma medida facilita muito mais”.

Desafios e soluções para o futuro

Hasenack mencionou a importância de integrar conhecimento científico nas decisões políticas, especialmente em relação ao uso da terra e à preservação de biomas. Também falou sobre a necessidade de monitoramento ambiental contínuo para avaliar e responder às mudanças climáticas: “No momento em que permito a ação sem supervisão adequada e, se algo é feito errado, o dano está lá. E às vezes ele é irreversível”. 

Quando questionado pela plateia se a tragédia recente no estado irá fortalecer o combate à crise climática, disse que “a cabeça das pessoas não muda em função de um único evento, mas sim de um histórico. Eu acho que vai passar esse período e, se não fizerem alguma coisa de diferente, vamos voltar à estaca zero”.

Sobre a Sabatina Parêntese

A conversa com Heinrich Hasenack foi o terceiro encontro da Sabatina Parêntese – Conversas sobre o futuro. Os encontros anteriores receberam a física Márcia Barbosa e o geólogo Rualdo Menegat, ambos defendendo a ciência como base para enfrentar os desafios climáticos.

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