Artes Visuais, Notas

Exposição “Beatriz Milhazes: Avenida Paulista” em formato virtual

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Exposição “Beatriz Milhazes: Avenida Paulista” em formato virtual Foto: André Seiti/Divulgação

A partir desta sexta (12/2), a exposição Beatriz Milhazes: Avenida Paulista pode ser conferida virtualmente no site e YouTube do Itaú Cultural, com visita guiada pela própria artista.

No passeio, conta como suas colagens e gravuras absorvem muito da pintura – raiz da sua obra –, fala sobre suas inspirações para as formas e cores, revela como os modernismos brasileiro e europeu são referências para as suas criações.

— No Itaú Cultural, temos os trabalhos em papel de uma maneira bastante consistente, sólida e bem desenvolvida, mostrando uma trajetória desde quando, basicamente, esses trabalhos começaram a criar sua própria identidade dentro do contexto da minha obra — explica Beatriz.

A mostra também está aberta para visita presencial até o dia 30 de maio, com agendamento prévio via Sympla.

Com o modernismo brasileiro, Beatriz viu a possibilidade de utilizar o seu contexto para pensar a pintura, como uma artista carioca, com ateliê sediado no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Do europeu, pegou não só o pensamento da estrutura pictórica como levou para dentro da pintura elementos como a arte popular em todas as suas manifestações.

— No Rio temos o carnaval, uma das nossas maiores manifestações populares. O desfile, realmente sempre foi uma motivação para mim, com a extravagância, o exagero, o contraste forte de cores e principalmente a liberdade de criação, de poder pensar temas, formas, cores de maneira livre — argumenta.

Outro fator destacado pela artista é a geometria, que dá estrutura para a sua imaginação. No vídeo, Beatriz utiliza como exemplo a flor, figura recorrente em sua obra. Para ela é uma simbologia que faz parte da vida, tanto em momentos alegres quanto tristes, está na natureza, na arte indígena, na arte decorativa.

— A flor, nos anos 1990, é quase figurativa nos meu trabalhos. Aparece às vezes de uma forma melancólica, tem duas ou três tonalidades que são
frequentes — analisa. “A partir dos anos 2000, é exatamente quando ela aparece mais fortemente tanto na gravura quanto na colagem, entrando em um universo mais abstrato, mais gráfico”.

Com isso, além da forma, a cor se firma como elemento essencial para que essas imagens aconteçam. “Me interessa sempre contrastes”, conta. “Daí que vem toda a movimentação ótica, porque eu trabalho com fortes contrastes ou com mono tons, criando uma ressonância, exatamente porque eles são muito próximos”, fala.

— Eu gosto desse processo de quase ilusionista, de pensar que é algo e não é — revela. “Para dar esse efeito, também já utilizei, durante muito tempo, o círculo, que oferece essa possibilidade de movimento. Posteriormente, fui para as linhas verticais estreitas e retas, o quadrado e, recentemente, as linhas diagonais e os triângulos”.

Para Beatriz, a cor é um elemento curioso e fantástico, pois fornece infinitas possibilidades.

— Tem uma riqueza completamente transcendental, eu diria, porque os efeitos dela são completamente desconhecidos, é impressionante — diz. “É quase impossível ter controle do que será gerado quando se adiciona mais de uma cor com outra”.

Foto: Andre Seiti/Divulgação

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