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“Até que Meus Dedos Sangrem”: um percurso pela obra de Teresa Poester

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“Até que Meus Dedos Sangrem”: um percurso pela obra de Teresa Poester Teresa Poester. Foto: Silvain Palfroy

Por Luísa Kiefer, jornalista, doutora em História, Teoria e Crítica de Arte pelo PPGAV/UFRGS e curadora independente.

Mais de dois anos separam a abertura da exposição Percurso do Artista – Até que Meus Dedos Sangrem, de Teresa Poester, e o lançamento do livro homônimo, neste sábado (27/11). Se em setembro de 2019, data em que inaugurou a mostra na Sala João Fahrion, da Reitoria da UFRGS, alguém anunciasse o que ocorreria nos meses seguintes, dificilmente acreditaríamos. Fato é que finalmente o público conhecerá a publicação, cuidadosamente elaborada para sublinhar e celebrar a trajetória da artista. Poester e Eduardo Veras, curador da exposição e organizador do catálogo, se reúnem, às 11h, em live, transmitida pelo canal do Departamento de Difusão Cultural (DDC) da UFRGS no YouTube, para uma conversa sobre a publicação. 

Capa do livro. Foto: DDC-UFRGS

O projeto Percurso do Artista é realizado pelo DDC-UFRGS desde 2010. A iniciativa é um convite aos artistas – docentes e pesquisadores da universidade – para revisitarem seus percursos poéticos, proporcionando um encontro do público com suas trajetórias. Poester foi a primeira artista mulher a participar do programa, recebendo uma justa homenagem pelos seus mais de 40 anos de produção ininterrupta e pela, então recente, aposentadoria do Instituto de Artes (IA), em 2018. 

Apesar de a ideia central do projeto ser recapitular a carreira trilhada, Poester e Veras decidiram juntos que, embora houvesse material suficiente para realizar uma generosa exposição retrospectiva, a ocasião deveria ser aproveitada para apresentar a produção recente e ainda inédita da artista. O recorte curatorial reforçou a trajetória definida pelo ímpeto incansável de produção e pelo desejo contínuo pela experimentação. 

Exposição “Até que Meus Dedos Sangrem”. Foto: Teresa Poester

Já o livro, lançado agora, esse sim traz aos leitores e pesquisadores um percurso retrospectivo – se não completo, pelo menos bastante abrangente – da vida e da obra de Poester. “Esse catálogo é muito importante porque é um fechamento, de certa forma, de um período muito longo meu no Instituto de Artes. Eu entrei no IA aos 10 anos de idade, na Escolinha de Artes, quando eu vim de Bagé, e saí com mais de 60. Porto Alegre sempre foi uma cidade que não era minha, nunca me senti acolhida pela cidade, mas no Instituto, sim”, ressalta a artista, que há mais de 20 anos divide seu tempo entre Porto Alegre e Éragny-sur-Epte, cidade francesa situada há cerca de uma hora de trem de Paris. 

A publicação é um presente para nós, espectadores e pesquisadores, pois permite um mergulho amplo na obra de Poester. Nas páginas, conhecemos o início da sua produção, com uma passagem pelo figurativo; a experimentação em direção ao abstracionismo; a persistência de motivos como a paisagem; seu trabalho em pintura; os desenhos com lápis de cor, grafite e caneta bic; a performance; a vídeo-performance. Experimentar o corpo, os materiais e suportes, levar o gesto ao limite, testar caminhos e técnicas são características que marcam o fazer poético da artista e que se mostram ao longo das páginas da publicação.

Foto: Artur Poester

“O bacana de um livro como esse, que tem um caráter retrospectivo, embora não seja exaustivo, é que ele nos permite perceber se não o todo, pelo menos a diversidade e a intensidade com que a Teresa trabalha, sempre muito apaixonada e vigorosa no seu fazer. É uma artista que, em mais de 40 anos de trajetória, nunca se acomodou, e mantém um trabalho contínuo de pesquisa e experimentação”, aponta Veras. 

O tempo expandido pela pandemia permitiu um trabalho rigoroso e minucioso na composição da obra. Poester não apenas acompanhou, como trabalhou muito de perto em cada etapa – do desenho (o projeto gráfico é da artista e professora Katia Prates) à escolha das imagens, da edição dos textos à revisão. A publicação traz fotos da exposição; um breve ensaio crítico, de minha autoria, sobre a mostra; um portfólio com mais de 100 obras selecionadas, cobrindo a produção dos anos 1980 até hoje; um texto de Poester sobre o Atelier D43, grupo de pesquisa que coordena, dedicado a imaginar e praticar novas possibilidades do desenho; uma entrevista da artista com Veras; e, por fim, uma cronologia detalhada, do nascimento da artista, em Bagé, em 1954, até 2020, quando Teresa recebeu o Prêmio Especial do Júri, no 13o Prêmio Açorianos de Artes Plásticas de Porto Alegre

A partir de sábado, o público poderá desfrutar a publicação, que será disponibilizada de forma gratuita, em formato e-book através do repositório digital LUME/UFRGS. A edição impressa será lançada nos próximos meses. 

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Lançamento do livro Percurso do Artista – Teresa Poester – Até que Meus Dedos Sangrem
(Selo Arte & Cultura/Editora da UFRGS, 2021) 
Transmissão ao vivo pelo canal do DDC-UFRGS no YouTube
Download do e-book aquihttp://difusaocultural.ufrgs.br

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