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Documentário registra todos os tempos de Siron Franco

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Documentário registra todos os tempos de Siron Franco Pandora Filmes/Divulgação

Considerado por especialistas como a crítica e historiadora de arte inglesa Dawn Ades e o crítico e poeta Ferreira Gullar como um dos maiores pintores brasileiros de todos os tempos, Siron Franco é o tema de um ótimo documentário que reúne imagens captadas ao longo de duas décadas, combinadas com preciosas filmagens caseiras feitas pelo próprio artista em Super-8 e vídeo. siron. tempo sobre tela (2019), dirigido por André Guerreiro Lopes e Rodrigo Campos, estreia nesta quinta-feira (25/3) simultaneamente nos cinemas e nas plataformas de streaming Belas Artes à la Carte, Now, Vivo TV, Sky Play e Looke.

“Eu lembro mais das coisas que pintei do que das coisas que vivi”, diz o goiano Siron, 73 anos, à certa altura do filme. Encadeando pensamentos e memórias em associações inusitadas e reveladoras, explorando um arquivo pessoal inédito com novas filmagens, siron. tempo sobre tela ilumina a personalidade inquieta e a mente criadora do artista.

O documentário teve sua gênese em 2000, quando os diretores eram estudantes em Londres, onde o goiano estava produzindo telas inspiradas no bairro Soho. “O projeto inicial era registrar esse processo de criação, a convite da produtora Malu Campos e do Roberto Viana. E foi o que eu e Rodrigo fizemos obsessivamente, filmando cada quadro da primeira à última pincelada, os caminhos e desvios do processo criativo”, explica André, que define o filme como “uma tapeçaria do tempo”.

Ao longo dos anos, os diretores voltaram ao material original e viram que ali havia um registro único e importante do trabalho de Siron. A ideia foi, além de captar novas imagens no ateliê, em Aparecida de Goiânia, realizar entrevistas com Siron e levá-lo a lugares de sua infância, registrando esse encontro. “Pouco antes de começarmos a montagem, Siron nos disponibilizou seu acervo de vídeos, material riquíssimo e inédito, cerca de 180 fitas VHS e Super-8 que ele filmou ao longo da vida, trabalhando nos diversos ateliês, fazendo experimentos de videoarte, viajando para a Europa e para o México nos anos 1970”, contra André. 

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Pandora Filmes/Divulgação

Esse novo material abriu à dupla de realizadores estreantes possibilidades inéditas, levando a narrativa a navegar livremente entre os diversos tempos, sem obedecer a uma ordem cronológica. Para construir o filme, os diretores contaram com a montagem fluida de Danilo do Valle.

Durante a produção do filme, André e Rodrigo atuaram parceria, sem que houvesse qualquer divisão do trabalho. “Talvez o único momento em que realmente nos dividimos foi para visionar as fitas VHS do acervo do Siron, cada uma tinha cerca de duas horas, um trabalho hercúleo. Anotávamos tudo, minuto a minuto, dividindo em temas, com observações e comentários pessoais, o que foi fundamental para a construção da montagem”, esclarece André.

“Não foi uma preocupação nossa que a estética do trabalho de Siron influenciasse o estilo do filme, apesar de termos estado sempre conscientes de que isso se daria em alguma medida, e naturalmente, ao longo de sua feitura”, justifica Rodrigo, enquanto André acrescenta que ambos tentaram “dar forma fílmica, da nossa maneira, à mente criadora de Siron, ao fluxo ininterrupto de pensamentos e ideias, as associações pictóricas, os tempos que se embaralham a cada quadro, o eterno fazer e desfazer de imagens até se chegar à obra final”.

Já Rodrigo aponta que um dos objetivos do filme é “tornar os meandros do pensamento, da personalidade e da arte desse grande criador brasileiro disponíveis para o maior número possível de pessoas, o que se torna particularmente importante neste momento atual, em que o desprezo das instituições oficiais e de uma grande parte da elite econômica do Brasil pela arte só não é maior do que seu desprezo pela vida em si mesma”.

Além da riqueza das imagens que recuperam a obra e a vida do artista de uma criativa e instigante maneira não linear, siron. tempo sobre tela também se destaca pela expressiva trilha sonora original de Gregory Sliva, tão evocativa da potência da obra de Siron quanto a própria visão de suas telas e instalações. Acompanhando a trajetória artística de Siron Franco com registros que vão de 1972 a 2019, o documentário oferece um passeio pela poética de um criador em permanente transformação, compulsivamente insti te radiológico com césio-137 em Goiânia em 1987.

Pandora Filmes/Divulgação

siron. tempo sobre tela: * * * *

COTAÇÕES

* * * * * ótimo     * * * * muito bom     * * * bom     * * regular     * ruim

Assista ao trailer de siron. tempo sobre tela:

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