Artigos, Reportagens

Estúdio 88: trajetória experimental revisitada

Change Size Text
Estúdio 88: trajetória experimental revisitada
por Ricardo Romanoff Na segunda metade dos anos 1980, uma oficina com o artista Guto Lacaz no Instituto de Artes (IA) da UFRGS e a aquisição de uma câmera de vídeo pela instituição mobilizaram a criação de um laboratório colaborativo em videoperformance. Somente agora, mais de 30 anos depois, o projeto é documentado em um catálogo. Publicado por ora em formato digital, o livro Estúdio 88: Documentação de Videoperformances reúne imagens e reflexões sobre a produção do laboratório Estúdio 88, entre 1988 e 1989, envolvendo nomes como Elaine Tedesco, Lucia Koch e Marion Velasco, além de outros artistas visuais, músicos, atores e bailarinos, em performances experimentais mediadas por vídeo. A ideia inicial do trio de artistas era apresentar o livro entre março e abril de 2020, acompanhado de uma exposição de parte dos trabalhos produzidos à época. Diante da pandemia de Covid-19, no entanto, os planos foram alterados. O catálogo – editado pela Azulejo Arte Impressa e organizado por Tedesco e pela pesquisadora Lu Rabello – foi lançado na última segunda-feira (6/7), em live com a participação de Rabello e Velasco. A publicação integra o projeto de pesquisa “Videoarte: o audiovisual sem destino”, iniciado em 2013 e coordenado por Tedesco no Departamento de Artes Visuais e no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFRGS. “É uma pesquisa dentro de outra, os arquivos de uma se tornaram objeto de uma nova investigação. Nessa etapa, o foco foi resgatar a memória da primeira pesquisa de videoperformance feita junto a uma universidade no Brasil e com financiamento de agência de fomento”, destaca a artista e professora da instituição. “Há uma extensão temporal de 32 anos a ser considerada. O caráter da pesquisa era totalmente experimental, coletivo, vibrante. A publicação cataloga apenas uma parte do material – os vídeos que estavam comigo, Koch e Velasco”, completa. Dos anos 1980 para cá, as fitas VHS passaram por processos de digitalização e edição, por vezes, com acréscimos de novos sons. Da performance ao audiovisual sem destino O embrião do Estúdio 88 começou a se desenvolver dois anos antes de seu nascimento. Em 1986, o artista Guto Lacaz ministrou um workshop de performance no IA que marcou a trajetória das artistas. “Isso mexeu muito com os estudantes, queríamos sair fazendo performance imediatamente”, relembra Velasco. No ano seguinte, motivadas pela experiência da oficina, Koch, Tedesco e Velasco realizaram duas performances: Mucosa, Quando as Damas Esperam o Convite para Dançar, na Sala Álvaro Moreyra, e Salão Performance, na Sala Qorpo Santo (Centro Cultural da UFRGS). A escolha de palcos vinculados às artes cênicas foi a forma encontrada pelo trio para apresentar uma linguagem que ainda buscava seu espaço em Porto Alegre. A partir de 1988, a linguagem audiovisual ganha força nas performances com a aquisição de uma câmera de vídeo pelo IA. “O desejo de experimentar o vídeo, entender o uso do equipamento e, especialmente, testar as possibilidades da performance mediada pela câmera nos levou a planejar o Estúdio 88: Pesquisa de Videoperformance”, conta Tedesco no catálogo. O projeto […]

Quer ter acesso a conteúdo exclusivo?


Assine o Premium
ou faça login

Você também pode experimentar nossas newsletters por 15 dias!

Experimente grátis as newsletters do Grupo Matinal!

RELACIONADAS

Receba de segunda a sexta a Matinal News, a newsletter que traz as principais notícias e eventos de Porto Alegre e do RS.