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Requiescat in pace, “Homeland”

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Requiescat in pace, “Homeland”
A dura verdade, estimados leitores, é que as séries, elas acabam. Somos levados a acreditar, por um desejo gramsciano que vai contra tudo que sabemos, que, de algum jeito, a temporada 3 foi apenas mais uma, que a 4 vai ser ainda melhor e a 312 vai ser interrompida somente por uns instantes pra gente poder assistir à chegada da primeira espaçonave tripulada a Júpiter, mas logo volta. A dura verdade é que elas vão, vão, vão e aí param, sobrando apenas as repetições que a gente sempre até promete que vai ver, mas não vê, a não ser que seja Friends. Homeland começou arrasando. A primeira temporada tirou o sossego de muita gente boa, e de outras nem tanto. Aquele ritmo importado de 24 Horas, só que aplicado a uma história com algum significado, na verdade, até que muito significado, foi algo meio que nunca dantes navegado, e a beleza brasileiríssima da Morena Baccarin meio que tirava o fôlego que nos restava, ao final de cada episódio. Basicamente, os americanos tomaram um baita argumento israelense e o transfomaram em uma baita narrativa americana, como eles tanto gostam de fazer – pegar inteligência e aplicar moldura e verniz. Funciona. Um soldado americano, preso e desaparecido há anos, é recuperado e retorna como herói. Uma agente da CIA, Carrie Mathison, que sofre de bipolaridade, resolve suspeitar da autenticidade do nosso herói. Ela acha que ele foi plantado de volta e não libertado pra valer, e por aí vamos. Quem é quem, na verdade; quem é o que, e qual o plano, se é que existe um plano. Ninguém que se preze deixa de curtir um bom mistério, e esse foi sempre o truque de Homeland. Mistérios de sobra e muita velocidade na narrativa, deixando a nós, espectadores, sempre, sempre na curva, sem poder ver direito o que ia acontecendo adiante. Funcionou tão bem que a série foi re, re, re, renovada para sempre, até se encerrar agora, para tristeza eterna nos nossos corações, ao final da oitava temporada. Uma coisa que ajuda algo como Homeland a funcionar é o fato de que os Estados Unidos são um vasto império, espalhando intrigas e interesses escusos por boa parte do mundo desconhecido. Ao contrário dos estupendos romances de John Le Carré, que se alimentaram de Guerra Fria enquanto o império soviético não se dissolvia, Homeland preferiu viver dos conflitos em que os americanos se enfiaram desde o 11 de setembro de 2001, em geral para os lados onde os muçulmanos vivem e são maioria. Isso deu a Homeland o inimigo, e ele usava barba e turbante, o que não deixa de alimentar a xenofobia da direita americana. De certa forma, Homeland viveu de inimigos fáceis de inimigar, o que trouxe energia para a série, mas a tornou um tanto monocromática. Boa parte das temporadas tinha como cenário ruas empoeiradas, muito Kalashnikov atirando em todas as direções, e o mundo árabe, persa, africano e similares. Homeland foi uma série especializada no terceiro mundo árabe-hablante, […]

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