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Três (ou mais) perguntas para Zeca Baleiro

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Três (ou mais) perguntas para Zeca Baleiro
No último 10 de julho, o cantor e compositor Zeca Baleiro lança nas plataformas digitais Canções d’Além-Mar, álbum em que o músico maranhense homenageia autores portugueses como Sérgio Godinho, Pedro Abrunhosa, Fausto, Zeca Afonso, Rui Veloso e Carlos Tê, Jorge Palma, António Variações, Ornatos Violeta, Vitorino, João Gil e João Monge. Em janeiro deste ano Zeca Baleiro anunciou o lançamento do álbum com o single e clipe Às Vezes o Amor, uma canção de Sérgio Godinho que mereceu rasgados elogios do português – que descreveu a versão como “uma apropriação genial do cantautor brasileiro”. A arte do álbum tem a assinatura do artista plástico Elifas Andreato, o mago das capas de disco no Brasil. Desde os anos 1980, Baleiro acompanha com atenção a música mais contemporânea produzida em Portugal. “Esse disco é uma declaração de amor à música feita em Portugal, com ênfase na produção das últimas décadas. É parcial como todo tributo”, comenta o músico. Conversamos com exclusividade com Zeca Baleiro, que comentou sobre a produção de Canções d’Além-Mar, lembrou de seus primeiros contatos com a música portuguesa, opinou sobre a razão de não estarmos muito atentos no Brasil ao cancioneiro lusitano e fez uma dura radiografia da situação atual no país: “Crescemos acreditando que o povo brasileiro era gentil, afetuoso, hospitaleiro, e agora vemos um novo paradigma de comportamento sendo associado ao brasileiro: violento, intolerante e sociopata. A prova maior dessa mudança é a eleição de um sujeito despreparado e ignorante, que beira a psicopatia. Nossa difícil missão é resgatar o brasileiro amoroso, solidário, sociável e musical”.   Você disse que acalanta há muito tempo o projeto de gravar um disco com canções de compositores portugueses. Desde quando você acompanha a música lusitana e o que lhe atrai em especial nessa produção artística? Desde os anos 1980, quando ganhei de presente de duas amigas, Laurinda e Salete, um K7 com canções de Fausto, Vitorino, Sergio Godinho e José Afonso. Tempos depois, no início dos 1990, ganhei de um amigo um CD do Pedro Abrunhosa e os Bandemónio. E, a partir de 1999, quando lancei meu segundo disco, Vô Imbolá, me apresentei diversas vezes em Portugal e, a cada viagem, voltava carregado de CDs portugueses. O que me atrai na música portuguesa é sua riqueza melódica e o apuro poético. As melodias têm uma certa estranheza, os caminhos harmônicos são inusitados, coisa que me atraiu desde o início. E tem um lado mais reconhecível, oriundo da trova, do fado e da marcha.   Você privilegiou gravar canções compostas nas últimas décadas, deixando de lado artistas mais veteranos e gêneros tradicionais como o fado. Vários dos temas escolhidos fizeram sucesso em Portugal, mas a maioria deles não é conhecida no Brasil. Como foi feita a seleção do repertório? Foi difícil e sofrida. Ouvi muitos discos e muitas canções nos últimos 10 anos até me resolver por esse repertório. Naturalmente faltaram nomes, sempre faltariam. E o álbum não contempla a cena mais atual, de 2010 pra cá, mas isso pode ser matéria pra um próximo volume, quem sabe (risos). […]

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