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17 filmes da Mostra de SP para viajar pelo mundo

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17 filmes da Mostra de SP para viajar pelo mundo "Mães de Verdade". Foto: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/Divulgação

Começa nesta quinta-feira (22/10) a 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. A seleção de filmes deste ano soma 198 títulos, vindos de 71 países, que serão apresentados até o dia 4 de novembro nas seções Perspectiva Internacional, Competição Novos Diretores, Mostra Brasil e Apresentação Especial.

Pela primeira vez, o evento ocorrerá majoritariamente de forma virtual, por meio de uma plataforma exclusiva, a Mostra Play. Todos os filmes desta edição do evento poderão ser acessados pelo site da Mostra, que irá direcionar para as plataformas. Os títulos disponibilizados na Mostra Play custarão R$ 6 por visualização.

Nova Ordem (New Order), longa-metragem dirigido pelo mexicano Michel Franco, vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza, abre a 44ª Mostra hoje, às 19h30min, no Belas Artes Drive-In, na cidade de São Paulo, com apresentação virtual de Renata de Almeida e Serginho Groisman. O público terá acesso à cerimônia pela plataforma Mostra Play e, a partir das 0h01min desta sexta-feira (23/10), o título também poderá ser visto online.

Entre os destaques da seleção está o vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim, Não Há Mal Algum (There Is No Evil), dirigido pelo iraniano Mohammad Rasoulof. Dois títulos do artista chinês Ai Weiwei serão exibidos no evento: o documentário Coronation, que retrata o confinamento em Wuhan durante o início do surto de Covid-19, e o longa Vivos.

Terão apresentação especial nesta edição os curtas Escondida (Hidden), de Jafar Panahi, Uma Noite na Ópera (A Night at the Opera), de Sergei Loznitsa, e A Visita (Visit), do cineasta Jia Zhangke, autor do pôster deste ano da Mostra e diretor do longa Nadando Até o Mar se Tornar Azul, também confirmado no evento.

Costumo dizer que a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo é meu parque de diversões, minha Disneylândia. Aprecio particularmente a preciosa oportunidade que o evento proporciona de assistir a filmes dos lugares mais diferentes e mesmo inusitados do planeta. Há tanto na seleção produções exibidas e premiadas nos principais festivais internacionais quanto títulos praticamente inéditos, dos quais pouco se sabe antes de serem vistos – revelando-se, não raro, surpreendentes joias escondidas.

Na carona de um dos mais interessantes longas dessa 44ª edição, o documentário 17 Quadras, selecionei abaixo 17 filmes para literalmente viajar pelo mundo com a Mostra. Tem de um tudo: ficção científica, drama histórico, cinebiografia, animação, terror, melodrama, experimentalismo armênio, surrealismo tcheco. Confira as sugestões e agende-se!

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JAPÃO

Mães de Verdade (2020), de Naomi Kawase

Após um longo e malsucedido esforço para engravidar, e convencidos pelo discurso de uma associação de adoção, Satoko e o marido decidem adotar um menininho. Alguns anos depois, a paternidade do casal é abalada pela inesperada aparição de uma garota desconhecida que se apresenta como a mãe biológica da criança, Hikari. A trama acompanha então as trajetórias dessas duas mulheres em seus calvários particulares causados pela maternidade e suas demandas

Exibido nos festivais de Toronto e San Sebastián, Mães de Verdadeé mais uma incursão de Naomi Kawase no melodrama com toques românticos – estilo que a diretora, um dos principais nomes do cinema nipônico contemporâneo, domina com sensibilidade e desenvoltura, como se pode constatar em títulos como Sabor da Vida (2015), Esplendor (2017) e Vision (2018).

POLÔNIA

Suor (2020), de Magnus von Horn

Sylwia (Magdalena Koleśnik) é uma digital influencer com milhares de seguidores, ávidos por suas dicas sobre exercícios físicos e um estilo de vida fitness. Apesar de tantos admiradores, a jovem leva uma vida solitária, à procura de uma relação de intimidade verdadeira e que tenha algum significado.

Durante os três dias em que acompanha a rotina de Sylwia, a narrativa revela a vida dos influenciadores quando o celular está desligado, observando seu tédio e solidão. Exibida na seleção oficial do Festival de Cannes, essa coprodução sueco-polonesa mostra um lado mais sombrio dessas personalidades do mundo digital, cuja intimidade foi recentemente abordada no Brasil pelo documentário You Tubers (2020), de Sandra Werneck e Bebeto Abranches.

Foto: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/Divulgação

Mate-o e Saia Desta Cidade (2019), de Mariusz Wilczyński 

Também vem da Polônia, um dos países do Leste Europeu com sólida tradição no cinema de animação, esse desenho surrealista e ácido. Para fugir do desespero após perder as pessoas mais importantes da sua vida, o protagonista do filme se esconde em um refúgio de memórias, em que todos aqueles que lhe são queridos ainda estão vivos. Com o passar dos anos, uma cidade cresce em sua imaginação.

Certo dia, heróis da literatura e figuras saídas de desenhos animados da infância aparecem para morar ali, sem serem convidados. Quando o personagem descobre que todos envelheceram e que a juventude eterna não existe, decide voltar ao mundo real.

Desenhada em traços rudimentares e duros e com economia de cores, essa produção foi exibida no Festival de Berlim e levou o Prêmio Especial do Júri do Festival de Annecy – o principal evento de cinema de animação do mundo.

Foto: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/Divulgação

REPÚBLICA TCHECA

Cozinha F*der Matar (2019), de Mira Fornay 

Um dia na vida de Jaroslav (Jaroslav Plesl), tímido motorista de ambulância que tem um relacionamento complexo com a esposa. Blanka, por sua vez, usa os três filhos do casal como chantagem para conseguir o que quer, ao mesmo tempo que o marido esconde o ciúme patológico da mulher e o pavor de que ela o abandone e leve as crianças.

Coprodução com a Eslováquia exibida no Festival de Roterdã, essa estranha e irônica comédia dramática apresenta várias versões de como o patético Jaroslav tenta salvar seu casamento, em que papéis, diálogos, episódios e a dinâmica de poder são trocados e às vezes invertidos entre os personagens – mas quase sempre terminando em muito sangue e louças quebradas. A diretora Mira Fornay assinou também outro título perturbador igualmente exibido na Mostra de São Paulo: Meu Cachorro Assassino (2013).

Foto: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/Divulgação

ÁUSTRIA

O Problema de Nascer (2020), de Sandra Wollner 

Elli é uma androide infantil e mora com um homem a quem chama de pai e com quem mantém um relacionamento que inclui sexo. Durante o dia, os dois nadam na piscina e à noite ele a coloca na cama. Ela compartilha suas memórias e qualquer outra coisa que o homem a programe para lembrar – recordações que significam tudo para ele, mas que não dizem nada para ela. Em uma noite, Elli se perde na floresta seguindo um eco que se desvanece – e uma nova existência começa para essa máquina demasiado humana.

Vencedora do Prêmio Especial do Júri da seção Encontros no Festival de Berlim, essa ficção científica incômoda é protagonizada por uma atriz de 10 anos que usa um pseudônimo, Lena Watson, e uma máscara de silicone para esconder sua verdadeira identidade.

Foto: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/Divulgação

ÍNDIA

O Tremor (2020), de Balaji Vembu Chelli

Um fotojornalista recebe a missão de ir até uma pequena vila na Índia atingida por um terremoto, para registrar imagens da tragédia. Ansioso por ser sua primeira grande cobertura, ele chega ao lugar antes dos outros jornalistas. Lá, porém, encontra apenas locais vazios e poucas pessoas, que não sabem ou fingem não saber sobre o terremoto. O fotógrafo passa a explorar a região das montanhas em busca do desastre – e, à medida em que o mistério aumenta, a neblina que ele enfrenta fica cada vez mais densa.

O jovem Balaji Vembu Chelli estreia na direção de longa com um curioso conto fantástico em que seu protagonista fica preso em um limbo em meio a espectros do passado.

Foto: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/Divulgação

ESPANHA

Lua Vermelha (2020), de Lois Patiño

Como no indiano O Tremor, o tempo parece ter parado em uma vila na costa da Galícia, na Espanha, em Lua Vermelha. Os habitantes  vivem em uma espécie de suspensão, estáticos como estátuas – mas ainda conseguimos ouvir suas vozes: eles falam sobre fantasmas, monstros, a lua vermelha. Três bruxas descem das montanhas e chegam ao povoado em busca de Rubio, um marinheiro que desapareceu no mar. A história desse possível resgate se mistura a figuras e referências fantásticas.

Exibido no Festival de Berlim e no IndieLisboa, o primeiro longa do diretor Lois Patiño é um climático ensaio audiovisual, com uma deslumbrante fotografia colorida e uma trilha sonora e desenho de som expressivos.

Foto: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/Divulgação

ESTADOS UNIDOS

17 Quadras (2019), de Davy Rothbart 

Em 1999, a família Sanford começou a filmar sua rotina em um bairro problemático de Washington, a apenas 17 quarteirões do Capitólio, o centro do poder nos Estados Unidos. Realizado em colaboração com o cineasta e jornalista Davy Rothbart, o documentário foca personagens de quatro gerações dessa família afro-descendente: o caçula Emmanuel, um estudante dedicado, o irmão mais velho Smurf, envolvido com drigas, a irmã Denice e a mãe deles, Cheryl, que deve lidar com os próprios demônios para manter a família desestruturada.

Abrangendo duas décadas, esse impressionante filme registra a dura vida dos socialmente marginalizados na mais afuente nação do mundo, lutando contra a exclusão, o racismo e a falta de perspectivas para sobreviver.

Foto: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/Divulgação

Welcome to Chechnya, de David France 

Outro ótimo documentário vindo dos Estados Unidos, o filme revela o corajoso e perigoso trabalho de um grupo clandestino de ativistas russos que enfrenta enormes riscos para resgatar vítimas LGBTQ da brutal campanha governamental homofóbica da Chechênia. A república, que faz parte da federação russa, é um local onde a comunidade gay vive sob medo, ameaça de detenção, tortura e morte – ações que, na maioria das vezes, são cometidas pelas mãos das próprias autoridades e contam com a complacência da Rússia.

As imagens assustadoramente brutais de abuso revelam atrocidades pouco conhecidas pelo restante do mundo e os riscos de expô-las publicamente. Welcome to Chechnya foi exibido e premiado nos festivais de Berlim, Sundance e Hot Docs.

“Welcome to Chechnya” é eleito pelo público melhor documentário da Mostra de São Paulo

Foto: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/Divulgação

ARGENTINA

Mamãe, Mamãe, Mamãe (2020), de Sol Berruezo Pichon-Rivière 

Em uma manhã de verão, uma menina de cinco anos se afoga na piscina de casa. Desesperada, a mãe deixa a outra filha, Cleo, sozinha em casa por horas. A menina fica à espera da tia, que chegará com suas primas: Leoncia, Manuela e Nerina. Cada uma dessas jovens está imersa em seu mundo e questões particulares, típicas de suas idades – da infância à adolescência.

Enquanto Cleo, marcada pela tragédia da irmã, é incapaz de expressar esse sentimento, sua mãe fica trancada no quarto, deprimida. Com as primas, Cleo mergulha no mundo feminino da infância, repleto de dúvidas, rituais e dilemas – como a curiosidade por beijar garotos, o medo de ficar sozinha para sempre, o mistério da menstruação e a mudança irreversível em direção ao amadurecimento. Exibido no Festival de San Sebastián, o filme ganhou Menção Especial do Júri da seção Generation Kplus no Festival de Berlim.

Foto: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/Divulgação

FRANÇA

Kubrick por Kubrick (2020), de Gregory Monro

O legado de Stanley Kubrick (1928 – 1999) para o cinema é imensurável. Seus filmes são estudados por admiradores e cineastas, todos em busca de respostas que o diretor foi notoriamente reticente em dar. Embora esteja entre os cineastas mais celebrados de todos os tempos, a chance de ouvir as próprias palavras de Kubrick era algo muito raro – o realizador norte-americano falou poucas vezes com a imprensa em sua vida.

Graças às gravações feitas pelo crítico francês Michel Ciment, o documentário traz a voz do mestre falando sobre si e sua obra em uma série de entrevistas feitas durante cerca de 30 anos. O rico material sonoro é complementado com trechos de filmes, fotos e arquivos pessoais cedidos pela família de Kubrick.

Foto: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/Divulgação

SUÍÇA

Al-Shafaq Quando o Céu se Divide (2019), de Esen Isik

A família Kara é turca, mas vive há muitos anos na Suíça. Abdullah, o pai, comanda os três filhos com pulso firme, enquanto Emine, a mãe, tenta equilibrar a rigidez do marido com seu carinho pelas crianças. Os dois garotos mais velhos conseguem se adaptar facilmente às duas culturas, tanto a turca quanto a ocidental. Mas Burak, o caçula, não se sente pertencendo a nenhum desses dois mundos. Por isso, ele decide abdicar da cultura do Ocidente para se dedicar ao Alcorão.

A princípio, os pais sentem orgulho, e só percebem o extremismo dos ideais de Burak tarde demais, quando o jovem foge para lutar na guerra santa. Abdullah parte então até a fronteira entre a Turquia e a Síria para procurar o filho.

Foto: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/Divulgação

ARMÊNIA

Limiar (2020), de Rouzbeh Akhbari e Felix Kalmenson

Um cineasta armênio procura locações para o seu próximo projeto, que busca retratar as raízes ancestrais de seu país. Em uma mistura de ficção com imagens quase documentais, o realizador encontra diversas pessoas ao longo da viagem. As complexas realidades geopolíticas que impactam a região também chamam a atenção do diretor, em uma narrativa que trafega entre o mundano e o transcendental.

Foto: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/Divulgação

CHINA

Apenas Mortais (2020), de Liu Ze

Após terminar um relacionamento com um homem casado, Xian Tian decide transferir seu emprego e voltar à sua cidade natal para ajudar a mãe a cuidar do pai, que sofre de Alzheimer. O cotidiano da família, porém, é estremecido quando a doença atinge um estágio avançado, ao mesmo tempo em que Xian Tian começa um novo relacionamento amoroso.

O estreante diretor Liu Ze aborda com sensibilidade nesse melodrama o impacto que causa no cotidiano e nas vidas dos familiares as demandas constantes exigidas por alguém que sofre desse mal.

Foto: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/Divulgação

ITÁLIA

Miss Marx (2020), de Susanna Nicchiarelli

Depois que o diretor haitiano Raoul Peck levar para a tela O Jovem Karl Marx (2017), agora é a vez da italiana Susanna Nicchiarelli apresentar Miss Marx. Brilhante, inteligente e livre, Eleanor (Romola Garai) é a filha mais nova de Karl Marx. A intelectual está entre as primeiras mulheres a vincular feminismo e socialismo, participando ativamente das reivindicações das trabalhadoras pelos direitos das mulheres e pela abolição do trabalho infantil, especialmente na Inglaterra. Em 1883, Eleanor envolve-se com o dramaturgo inglês Edward Aveling (Patrick Kennedy) – e sua vida é destruída por uma apaixonada, mas trágica história de amor.

A calorosa e envolvente atuação de Romola Garai, atriz inglesa de títulos como As Sufragistas (2015), tem seu ápice em uma sequência catártica e anacrônica da personagem dançando ao som de uma música de punk rock – lembrando Nico, 1988 (2017) longa anterior dirigido por Nicchiarelli. Exibido no Festival de San Sebastián, Miss Marx recebeu no Festival de Veneza, entre outros, o prêmio de melhor filme pela Associação Italiana de Cineclube.

Foto: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/Divulgação

PANAMÁ

Panquiaco (2020), de Ana Elena Tejera 

Há muitos anos, Cebaldo se despediu de sua família, que faz parte da população indígena do Panamá. Agora, ele trabalha em um porto no norte de Portugal, e todas as noites é contagiado por uma sensação de nostalgia.

Em sua solidão, as lembranças o afastam de sua rotina diária e o mergulham em uma jornada de volta à sua aldeia em Guna Yala, onde um médico botânico o confronta com a impossibilidade de retornar ao passado.

Exibido no Festival de Roterdã e no Hot Docs, o documentário é uma pesquisa sobre histórias e mitos pré-coloniais em uma narrativa que mistura textos poéticos e imagens.

Foto: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/Divulgação

MÉXICO

Nova Ordem (2020), de Michel Franco

Enquanto a Cidade do México ferve com protestos, um casamento luxuoso da elite mexicana em um bairro chique acaba em tragédia: uma revolta popular inesperada abre caminho para um violento golpe de Estado. Visto pelos olhos de Marian (Naian González Norvind), a jovem e simpática noiva, e dos criados que trabalham para – e contra – sua família abastada, esse angustiante e violento drama distópico mostra o colapso de um sistema político, enquanto ele é substituído por algo ainda mais opressor.

Vencedor do Leão de Prata e do Leoncino d’Oro Agiscuola do Festival de Veneza, o filme também foi exibido nos festivais de San Sebastián e de Toronto. Nova Ordem é o mais recente trabalho de Michel Franco, premiado cineasta mexicano autor de títulos como Depois de Lúcia (2012), vencedor da seção Um Certo Olhar do Festival de Cannes, e As Filhas de Abril (2017), ganhador do Prêmio Especial do Júri também na mostra Um Certo Olhar em Cannes.

Foto: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/Divulgação
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