Artigos | Cinema

“A Estação” situa-se entre a vigília e o sonho

Change Size Text
“A Estação” situa-se entre a vigília e o sonho Vaca Amarela Filmes/Divulgação

Quando a misteriosa Sofia chega caminhando à erma estação Vila Clemência na esperança de pegar um trem, não imaginava o curso que sua vida tomaria. Assim se inicia o filme A Estação (2024), primeira ficção da diretora mineira Cristina Maure, rodado durante a pandemia e que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (13/6).

Coprodução entre Brasil e Uruguai A Estação é protagonizado pela uruguaia Jimena Castiglioni. Morando há 21 anos no Brasil a atriz é também produtora do filme.

Publicidade

Na trama, Sofia (Jimena), é obrigada a se hospedar na pensão que a Companhia Ferroviária Nacional oferece aos passageiros que por acaso chegam até lá, já que o trem que espera nunca chega. Começa assim a saga da personagem, que tenta sair daquele lugar perdido para ir atrás do marido, que a abandonou por uma outra mulher.

O longa nasceu do encontro da diretora com Jimena, ambas instigadas pela vontade de fazer um filme de personagens marcantes, abordando as inquietudes e esquisitices humanas que permeiam as existências e a certeza da falta de qualquer controle da vida. O processo levou quase 10 anos, com uma interrupção na pré-produção em 2020 com a pandemia.

Vaca Amarela Filmes/Divulgação

A Estação foi rodado em cinco semanas em uma locação isolada, em que o elenco e a equipe técnica vivenciaram literalmente o confinamento proposto pelo roteiro da história.

“A história tem algo de literário e nos remete à produção literária e teatral europeia do período da II Guerra – algo entre o teatro do absurdo e o surrealismo – e soa, como a protagonista Sofia, estranha no seu tempo. É um filme com camadas anacrônicas: tudo nos evoca uma época passada, nas falas, nos trajes, na trama de viagem de trem e na dramaturgia de época. Cada sujeito, desejo e paisagem é uma projeção fantasmática. Temos o preto e branco, o acento teatral na espacialidade e na marcação dos atores e atrizes nos interiores, as paisagens como um afresco em que o p&b e o vazio assumem uma atmosfera quase digressiva e os personagens parecem estarem sempre entre a vigília e o sonho”, escreveram a respeito do filme os curadores da mostra Foco Minas do Festival de Tiradentes, onde A Estação foi exibido.

O elenco inclui vários nomes de destaque da cena teatral mineira. Já a trilha sonora é assinada pelo compositor e acordeonista mineiro Rafael Martini em parceria com o lendário músico uruguaio Hugo Fattoruso. “O acordeom era um desejo desde o início, e a possibilidade de ter o Hugo na equipe parecia uma utopia, mas ele aceitou na primeira reunião”, explica Jimena.

Vaca Amarela Filmes/Divulgação

A Estação: * * *

COTAÇÕES

* * * * * ótimo     * * * * muito bom     * * * bom     * * regular     * ruim

Assista ao trailer de A Estação:

PUBLICIDADE

Esqueceu sua senha?