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“Aos Olhos de Ernesto” estreia em drive-ins e nas plataformas de streaming

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“Aos Olhos de Ernesto” estreia em drive-ins e nas plataformas de streaming Aos Olhos de Ernesto. Foto: Divulgação

Premiado pela crítica na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e pelo público no 23º Festival Internacional de Cine de Punta del Este, Aos Olhos de Ernesto, filme da diretora e roteirista Ana Luiza Azevedo (Antes Que O Mundo Acabe), estreia no Brasil no dia 17 de setembro, em drive-ins e nas plataformas Net Now, Vivo Play, Oi Play e Looke.  

Protagonizado pelo ator uruguaio Jorge Bolani (Whisky) o longa é uma produção da Casa de Cinema de Porto Alegre, e tem distribuição da Elo Company em parceria com o Canal Brasil.  

Aos Olhos de Ernesto teve sua estreia mundial em outubro de 2019 no 24º Festival Internacional de Busan (Coréia do Sul), o maior festival de cinema da Ásia, na categoria “World Cinema”.  Muito bem recebido em terras asiáticas, foi considerado “ao mesmo tempo, bem-humorado, poético, sério e comovente”. Um filme que, segundo a curadora do festival, “transcende facilmente a diferença de idioma e a diferença cultural”. 

Para a diretora Ana Luiza Azevedo, ter seu filme assistido por olhos coreanos foi especial. “Foi mágico perceber que a história escrita por mãos brasileiras, com um colorido do sul da América do Sul, se comunica tão bem com aquele país do outro lado do mundo”. Em julho de 2020 o filme ganhou as telas de cinema no Japão. A produção estreou na sala de arte Cine Switch Ginza, em Tóquio, e de acordo com sua distribuidora local, Moviola, poderá ser exibido em 30 salas pelo país ao longo de seis meses.

Com recepção similar por aqui, o longa foi laureado pela crítica da Mostra SP justamente “por tratar a solidão de maneira realista, sem abrir mão do humor” e “por apostar, com segurança, num estilo narrativo que dialoga tanto com cinéfilos, quanto com amplas plateias”.  O longa também já foi exibido na Mostra Latina do Festival do Rio 2019, no 41º Festival Del Nuevo Cine Latinoamericano de Havana e no 23º Festival Internacional de Cine de Punta del Este, onde além de ser eleito melhor filme pelo voto popular venceu o prêmio de melhor ator (Jorge Bolani). 

Na trama, a solidão, a amizade, o amor e as redescobertas na terceira idade permeiam a história de Ernesto (Bolani). Aos 78 anos, o personagem, ex-fotógrafo uruguaio, se depara com uma crescente cegueira e as limitações diversas que acompanham a avançada idade.  Viúvo e pai de filho único – Ramiro (Julio Andrade), que vive longe – Ernesto ressignifica sua vida e os padrões da velhice ao conhecer a jovem Bia (Gabriela Poester), que o ajuda, até mesmo a reencontrar um grande amor. 

Também no elenco, Jorge d’Elia, como Javier, o vizinho de Ernesto; Glória Demassi, que vive Lucía, o amor uruguaio do protagonista; e as participações de Mirna Spritzer, Áurea Baptista, Janaina Kremer, Celina Alcântara e Marcos Contreras.   

 — Aos Olhos de Ernesto é um filme humanista. A melancolia, o lirismo e o humor fazem parte tanto da condução do drama como na composição das imagens e dos personagens. A mesma melancolia, lirismo e humor presentes na literatura de Mario Benedetti. A companhia fresca e afetiva de Bia faz Ernesto repensar a maneira como ele envelhece. Momentos sombrios são substituídos pelo sol e pela vida. Um filme para se defender que há muito a ser vivido, mesmo aos 78 anos — comenta a diretora.

Entre diversos aspectos e processos de criação do filme, a mescla de várias culturas e o uso do “portuñol” são marcas do projeto.  A proximidade cultural entre as cidades do Sul do Brasil, Uruguai e Argentina estão presentes na obra através da música, da língua e da literatura. 

A história de Ernesto foi inspirada na vida do fotógrafo italiano Luigi Del Re. “O personagem surgiu a partir da história dele, fotógrafo italiano que vivia em Porto Alegre, e que com a idade e avanço da cegueira já não conseguia mais se corresponder com a irmã, que morava na França”, conta a diretora e roteirista. “Em homenagem a Luigi, usamos na direção de arte as suas fotos e equipamentos de filmagem para compor o universo de Ernesto e seu apartamento. Mas Ernesto não é só Luigi: é um pouco de nossos pais, e de nós mesmos”, complementa a cineasta. 

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação
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