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As cartas de amor reavivam o amor pelas cartas

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As cartas de amor reavivam o amor pelas cartas Embaúba Filmes/Divulgação

Fazendo pesquisas para um outro projeto na Praça XV, no centro do Rio de Janeiro, a diretora e roteirista Natara Ney deparou com um maço com 180 cartas, escritas entre 1952 e 1953. Nelas, uma história de amor, entre Lúcia e Oswaldo. Essa é a origem do comovente documentário Espero que Esta te Encontre e que Estejas Bem (2020), que chega aos cinemas nesta quinta-feira (9/6). A data foi escolhida em função do Dia dos Namorados (12/6).

“Após as ler, colocar em ordem cronológica, fiquei encantada e curiosa. O que havia acontecido com aquele casal apaixonado? Como terminara a história deles? E principalmente encarei como missão devolver aquela preciosidade para os seus verdadeiros donos”, conta a cineasta. No filme, Natara faz um verdadeiro trabalho de detetive em busca de Lúcia e Oswaldo, sem saber o que encontraria no caminho.

No texto das cartas, a apaixonada Lúcia se dirige ao seu amado, enquanto o espera. Ela, moradora de Campo Grande (MS); ele, do Rio de Janeiro. Em suas palavras, a jovem fala muito da saudade, da espera e do amor que sente.

Embaúba Filmes/Divulgação

“Depois de ler o conteúdo senti que elas não me pertenciam, que eu tinha que devolver para alguém, ainda não havia uma ideia concreta do que fazer. Só mais tarde pensei em filmar essa investigação, esse trajeto que, eu esperava, chegasse até os verdadeiros donos”, explica a diretora.

Ao longo de sete anos, desde a descoberta das cartas até a finalização do longa, Natara filmou em Campo Grande e Rio Janeiro. A realizadora acabou falando no documentário sobre sua própria história de amor – além de recuperar o panorama social, comportamental e cultural daquela época nas duas cidades onde moravam o par de missivistas: “Depois de ler eu tinha um painel completo de como eram as duas cidades, dos costumes daquela época e o cotidiano daquele casal. Essas cartas foram minhas companheiras por muito tempo”.

Ao mesmo tempo, a documentarista coloca-se no filme em primeira pessoa de maneira pontual. “Eu sou uma mulher negra nordestina, geralmente não me chamam para falar sobre amor. Meu corpo é convidado para falar sobre as minhas dores, sobre militância. Eu precisava falar de amor, precisava colocar minhas emoções em outro lugar”, justifica Natara.

A diretora Natara Ney. Foto: Embaúba Filmes/Divulgação

Ao longo do sensível documentário, diversos trechos das cartas são lidos por pessoas que cruzam o caminho da diretora: “O texto de Lúcia é muito poético, achei desde o início que seria importante conhecer a história do casal através dela, não caberia outro texto se não o das cartas. Então, propus que cada entrevistado lesse um trecho das cartas, e isso trazia emoção para a entrevista. Quando a pessoa tocava na carta abria gavetas na memória, e isso ajudava a abrir os caminhos para a entrevista”.

Um dos maiores desafios que a diretora enfrentou foi encontrar material de arquivo para usar no longa – e, para isso, contou com o trabalho de Antonio Venâncio, um dos principais nomes brasileiros na pesquisa de imagens de audiovisual. Além disso, Natara destaca também o trabalho de montagem feito por Karen Akerman e Mair Tavares – um processo que durou cerca de seis meses até encontrar o ritmo do filme. Merece destaque também a trilha sonora, que inclui música original composta por Ricco Viana e versões de clássicos como o tango El Día que me Quieras, na voz de Divina Valéria, e a canção Hino ao Amor, interpretado pela cantora e atriz Laila Garin.

Embaúba Filmes/Divulgação

Espero que Esta te Encontre e que Estejas Bem: * * * * * 

COTAÇÕES

* * * * * ótimo     * * * * muito bom     * * * bom     * * regular     * ruim

Assista ao trailer de Espero que Esta te Encontre e que Estejas Bem:

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