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Dezenove filmes imperdíveis da 45ª Mostra de SP

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Dezenove filmes imperdíveis da 45ª Mostra de SP "Annette". Foto: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/Divulgação

Depois da ausência das salas de cinema em 2020, a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo retorna ao circuito exibidor na sua 45a edição, que vai se realizar a partir desta quinta-feira (21/10) até o dia 3 de novembro. O evento volta a exibir sessões presenciais em 15 espaços paulistanos e mantém parte de seu conteúdo online. Uma seleção de títulos estará disponível nas plataformas Mostra PlaySesc Digital e Itaú Cultural Play. Todas as plataformas, eventos e atividades, poderão ser acessados pelo site da Mostra.

A seleção da 45ª Mostra soma 264 filmes, vindos de mais de 50 países, que serão apresentados em dois formatos de exibição, presencial e online, nas seções Perspectiva InternacionalCompetição Novos DiretoresMostra Brasil e Apresentação Especial. Nem todos os títulos a serem apresentados nos cinemas serão exibidos nas plataformas digitais. Assim, alguns filmes serão projetados apenas nas salas de exibição.

45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo exibe 265 filmes em formato híbrido

A seleção deste ano faz um apanhado do cinema contemporâneo mundial produzido e exibido sob o impacto da pandemia que atingiu a indústria cinematográfica em todos os continentes. Mais de 80 títulos dessa edição são dirigidos por mulheres.

Selecionamos uma primeira leva de 19 filmes estrangeiros que você não deve perder nessa 45ª Mostra de SP, a maioria exibida e premiada nos grandes festivais de cinema internacionais. Boa volta ao mundo cinematográfica!

  • MÁ SORTE OU PORNÔ ACIDENTAL (Romênia)

Visão sarcástica e crítica da sociedade romena contemporânea e seus fantasmas históricos, religiosos e políticos, a comédia dramática dirigida por Radu Jude levou o Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim. Emi (Katia Pascariu) trabalha como professora de história numa respeitada escola conservadora de Bucareste. No entanto, quando seu vídeo fazendo sexo com o marido vaza na internet, ela corre o risco de ser demitida. A instituição, então, organiza uma grande reunião com os pais dos estudantes, ocasião em que será decidido o destino de Emi. 

  • ANNETTE (França)

Um casal aparentemente perfeito, formado por um provocador comediante de stand-up (Adam Driver) e uma cantora de ópera internacionalmente famosa (Marion Cotillard), leva uma vida glamourosa na Los Angeles contemporânea. O nascimento da filha Annette, seguido do surgimento dos misteriosos dons musicais da garotinha, mudarão para sempre a trajetória dessa família de estrelas. Vencedor do prêmio de melhor direção no Festival de Cannes, esse inusitado filme mistura musical e drama com trilha sonora da banda Sparks leva a assinatura do cineasta francês Leos Carax – realizador de títulos instigantes como Sangue Ruim (1986), Os Amantes de Pont-Neuf (1991) e o soberbo Holy Motors (2012).

  • HIGIENE SOCIAL (Canadá)

Vencedor do prêmio de melhor direção na seção Encontros do Festival de Berlim, essa comédia dramática tem direção do canadense Denis Côté. Na história, Antonin (Maxim Gaudette) é uma espécie de dândi cujo talento com as palavras poderia ter feito dele um escritor famoso – mas, em vez disso, o ´protagonista se vale de sua habilidade para livrar-se de problemas. Dividido entre a angústia de fazer parte da sociedade, ao mesmo tempo em que pretende escapar dela, seu charme e inteligência serão desafiados por cinco mulheres que estão prestes a perder a paciência com sua maneira de lidar com a vida: a irmã, a esposa, a mulher que ele deseja, uma coletora de impostos e uma vítima de suas atitudes.

  • A TAÇA PARTIDA (Chile)

Rodrigo (Juan Pablo Miranda) já teve uma namorada, um filho e uma casa – mas hoje um homem diferente tomou o seu lugar. Certo dia, ao amanhecer, ele aparece em sua antiga casa na intenção de reconquistar, no decorrer de um único dia, tudo o que perdeu – mesmo que isso signifique machucar as pessoas que ama. A história da jornada de teimosia, ego e mágoa de um homem.

“A Taça Partida”. Foto: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo/Divulgação

  • ARMUGAN (Espanha)

Em um vale isolado nos Pirineus Aragoneses, a lenda de Armugan faz parte do imaginário local: dizem que ele se movimentada pelos vales agarrado ao corpo de Anchel, seu fiel servo – e, juntos, compartilham o segredo de um trabalho tão antigo quanto a vida, tão terrível quanto a própria morte. Uma profissão misteriosa, que ninguém se atreve a nomear. Com uma bela fotografia em preto e branco, o filme dirigido por Jo Sol mostra a estranha vocação de um homem dedicado a acompanhar as pessoas em seus últimos momentos.

  • LIDANDO COM A MORTE (Holanda)

Em Bijlmer, bairro multiétnico de Amsterdã, cada cultura tem seus próprios rituais relacionados à morte. Anita gerencia uma agência funerária e precisa garantir que essas práticas e cerimônias sejam respeitadas. No entanto, quanto mais se aprofunda nesse universo, mais ela percebe o quão pouco sabe sobre as diferentes culturas locais. Anita, então, passa a se questionar se a casa funerária, que reúne essa diversidade cultural sob o mesmo teto, atende às necessidades do bairro ou é apenas um empreendimento que espera conquistar espaço nesse mercado. O filme dirigido por Paul Sin Nam Rigter ganhou o prêmio de melhor documentário holandês no IDFA.

  • COISAS VERDADEIRAS (Reino Unido)

Kate (Ruth Wilson) leva uma vida apática, até o momento em que a oportunidade de sexo casual com um desconhecido por quem se sente atraída a desperta. Apaixonada, ela embarca numa aventura perigosa. Dirigido por Harry Wootliff, o filme foi exibido nos festivais de Veneza e Toronto.

  • NO TÁXI DO JACK (Portugal)

O drama dirigido por Susana Nobre foi exibido no Festival de Berlim, no IndieLisboa e no Visions du Réel. Com 63 anos e próximo da aposentadoria, Joaquim (Joaquim Veríssimo) precisa preencher os requisitos exigidos pelo centro de emprego para usufruir de seus direitos trabalhistas. Apesar de saber que não voltará à vida ativa, ele visita inúmeras empresas para pedir atestados que provem sua procura por trabalho. Nessas viagens, Joaquim relembra a vida de imigrante nos Estados Unidos, onde trabalhou como taxista em Nova York.

  • PEGANDO A ESTRADA (Irã)

Uma família caótica e afetuosa viaja por uma paisagem acidentada, mas para onde? No banco de trás, o pai parece estar com uma perna quebrada, mas ela está realmente quebrada? A mãe tenta rir ao mesmo tempo em que não consegue conter as lágrimas. O filho mais novo fica agitado no karaokê coreografado que fazem no carro. Todos eles estão preocupados com o cachorro doente e irritando uns aos outros. Apenas o misterioso irmão mais velho permanece quieto. Exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes e no Festival de Londres, esse filme estranho e fascinante tem direção de Panah Panahi.

  • OS INVENTADOS (Argentina)

Durante um fim de semana, o jovem aspirante a ator Lucas (Juan Grandinetti) participa de um workshop de atuação em que todos precisam fingir ser outra pessoa. Porém, a cada dia que passa, um participante desaparece sem deixar vestígios de sua existência e Lucas parece ser o único a se dar conta disso. Será que todos têm uma tarefa diferente da sua? Ou ele também poderá desaparecer misteriosamente? Esse curioso e enigmático filme de tom onírico tem direção e roteiro de Leo Basilico, Nicolás Longinotti e Pablo Rodríguez Pandolfi.

  • I COMETE – UM VERÃO NA CÓRSEGA (França)

Em uma pequena vila na Córsega, crianças iluminam as ruas, adolescentes ficam à toa, adultos discutem o futuro, enquanto os mais velhos refletem sobre a passagem do tempo. Quem nunca saiu de lá recebe de volta os que foram para o exterior. Familiares e antigos amigos compartilham esse momento único nas montanhas. Sob o sol escaldante e ao som de risadas agitadas, o verão suspende o tempo, mas não cura todas as feridas. Vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Roterdã, esse caleidoscópico e envolvente retrato da vida dirigido por Pascal Tagnati também foi exibido na seção paralela ACID, no Festival de Cannes, e no IndieLisboa.

  • MADEIRA E ÁGUA (Alemanha)

Após se aposentar do trabalho na igreja de sua cidadezinha, na Floresta Negra, Anke (Anke Bak) está ansiosa para rever os filhos durante as férias de verão no mar Báltico. Porém, no último minuto, Max, um de seus filhos, não consegue se juntar à família por causa dos protestos que tomam conta de Hong Kong, onde vive. Sem vê-lo há muitos anos, e depois de um verão um pouco tedioso, Anke decide visitá-lo. Ela passa os primeiros dias sozinha em território estrangeiro, esperando Max voltar de uma viagem de negócios. Tomada por protestos, Hong Kong é para Anke um enigmático novo mundo por onde ela se move com cuidado, mas também representa uma aventura, uma escapatória. Exibido na seção Perspectivas do Cinema Alemão do Festival de Berlim, o longa dirigido por Jonas Bak é um sensível relato situado entre a ficção, o documentário e a memória.

  • AS BRUXAS DO ORIENTE (França)

O documentário faz uma viagem para apresentar as ex-jogadoras da seleção de vôlei feminino japonesa. Agora já na casa dos 70 anos de idade, elas eram conhecidas como Bruxas do Oriente, por causa de seus poderes aparentemente sobrenaturais nas quadras. Da formação do time no final da década de 1950 como uma equipe de trabalhadoras de uma fábrica têxtil até o triunfo nos Jogos Olímpicos de 1964, em Tóquio, as memórias das ex-atletas se transformam em uma narrativa em que fatos e imaginação caminham juntos. O filme de Julien Faraut foi exibido no Festival de Roterdã e no IndieLisboa.

  • UM FORTE CLARÃO (Espanha)

Isa tem um gravador para registrar mensagens para si mesma para quando ela sumir ou perder a memória. Cita tem a sensação de estar presa a um casamento em uma casa repleta de imagens de santos e virgens. María volta ao povoado onde nasceu para lidar com sua solidão. Três mulheres de uma pequena cidade rural, suspensa no tempo e castigada pelo despovoamento. Nesse lugar, elas vivem entre a apatia do cotidiano, em que nada de extraordinário acontece, e um desejo profundo de vivências libertadoras. O drama escrito e dirigido por Ainhoa Rodríguez foi vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Málaga e também foi exibido no Festival de Roterdã.

  • LUA AZUL (Romênia)

O filme a jornada emocional de uma jovem que caminha rumo a um processo de desumanização. Irina (Iona Chitu) luta para conseguir chegar ao ensino superior e, assim, escapar da violência de sua família problemática. Uma experiência sexual ambígua com um artista estimulará a intenção da garota de combater essa violência familiar. Escrito e dirigido por Alina Grigore, esse poderoso drama foi exibido no Festival de San Sebastián.

  • O GAROTO MAIS BONITO DO MUNDO (Suécia)

Cinquenta anos após a estreia de Morte em Veneza (1971), o ator Björn Andrésen, a antiga estrela adolescente que interpretou o lendário personagem Tadzio na obra-prima de Luchino Visconti, conduz o espectador em uma jornada na qual memórias pessoais, história do cinema, sucesso e tragédias se confundem. O documentário talvez seja a última tentativa de Björn de finalmente colocar a sua vida de volta nos trilhos. Dirigido por Kristina Lindström e Kristian Petri, o filme foi exibido no Festival de Sundance.

  • SANGUESSUGAS – UMA COMÉDIA MARXISTA SOBRE VAMPIROS (Alemanha)

Em 1928, um refugiado soviético completamente falido que sonha em fazer carreira em Hollywood foge da União Soviética por causa de um incidente político envolvendo Sergei Eisenstein e Stalin. Ele, então, assume uma nova identidade e começa a se passar pelo barão Koberski. Na Alemanha, o homem se apaixona por uma jovem e rica vampira, a senhorita Flambow-Jansen, e passa o verão em sua luxuosa residência às margens do mar Báltico, juntamente com seu estranho criado – o que desencadeia consequências imprevisíveis nessa comédia política sobre vampiros dirigida por Julian Radlmaier. O filme foi exibido na seção Encontros do Festival de Berlim e no Festival de Roterdã.

  • O COMPROMISSO DE HASAN (Turquia)

Ganhando a vida por meio da jardinagem e da agricultura nas terras que herdou do pai, Hasan (Umut Karadag) tenta se livrar de um poste de energia elétrica que será instalado no meio de sua propriedade. Sua iminente peregrinação até Meca o faz realizar um exame de consciência sobre o passado. Exibido na seção Um Certo Olhar do Festival de Cannes e no Festival de Karlovy Vary, o filme tem direção de Semih Kaplanoglu – um dos mais aclamados realizadores turcos, cuja filmografia inclui a bela trilogia Ovo (2007), Leite (2008) e Um Doce Olhar (2010).

  • ATLÂNTIDA (Itália)

Daniele (Daniele Barison) é um jovem de Sant’Erasmo, uma ilha às margens da Lagoa de Veneza. Ele vive à sua própria maneira, isolado até mesmo dos amigos, que estão constantemente ocupados em uma existência que busca prazer por meio do culto aos barchinos, nome dos barcos a motor da região. Essa obsessão ganha forma na construção de motores cada vez mais potentes para transformar as pequenas lanchas da lagoa em barcos de corrida tão rápidos quanto perigosos. Daniele também sonha em construir o barchino mais veloz, mas tudo o que ele faz para realizar esse desejo e ganhar o respeito dos outros parece dar errado. Escrito e dirigido por Yuri Ancarani, esse drama foi exibido na seção Horizontes do Festival de Veneza.

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