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Romance entre duas mulheres abordado com sensibilidade e paixão

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Romance entre duas mulheres abordado com sensibilidade e paixão Trombone Comunica/Divulgação

O drama Fale com as Abelhas (2018), adaptação para o cinema do best-seller homônimo de Fiona Shaw, entra em cartaz nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (21/1). Coprodução britânico-sueca, o filme dirigido por Annabel Jankel e estrelado por Anna Paquin e Holliday Grainger conta a história do romance entre duas mulheres que lutam contra o preconceito. A história aborda temas complexos, como aborto, violência doméstica, agressão sexual, racismo e homofobia.

A trama se passa em 1952, em uma cidadezinha escocesa onde Lydia (Grainger) trabalha em uma fábrica. O salário é insuficiente para cobrir a sobrevivência dela e de Charlie (Gregor Selkirk), seu introvertido filho de 10 anos.

Já o marido Robert (Emun Elliott) voltou diferente da guerra e aos poucos abandonou a família. O infortúnio de Lydia gera fofocas na pequena comunidade – e a maledicência popular credita ao próprio caráter rebelde da jovem, que não nasceu na cidade, a culpa de sua sina triste.

O despejo e o súbito desemprego levam mãe e filho à única porta ainda aberta: a da nova amiga de Charlie, a doutora Jean Markham (Anna Paquin). A médica, que acaba de voltar para a aldeia após anos trabalhando em diversas cidades, também é vítima das más línguas – e conquistou o carinho de Charlie por contadas colmeias que tem em seu quintal.

Jean contrata Lydia como governanta, e Charlie passa a morar perto das abelhas, ajudando a cuidar delas e contando seus segredos para elas. Entre essas duas mulheres estigmatizadas nasce um romance que vai indignar o conservador lugarejo provinciano e convulsionar a vida do pequeno Charlie.

Fale com as Abelhas desenvolve com segurança, ainda que convencionalmente, as duas linhas dramáticas do enredo: a amizade que se desdobra em amor entre um par de mulheres enjeitadas pela sociedade e confronto do sensível pré-adolescente com a falta de estrutura familiar e a crueza da vida proletária no Reino Unido pós-II Guerra. O roteiro de Henrietta e Jessica Ashworth ressalta o caráter feminista do texto original, destacando a ousadia e a resiliência das protagonistas cujas ideias, personalidades e desejos batem de frente com o machismo, o anacronismo e o patriarcalismo circundantes.

Já a realizadora inglesa Annabel Jankel – que dirigiu videoclipes de artistas como Talking Heads, Miles Davis, Elvis Costello e George Harrison e foi uma das criadoras do icônico personagem televisivo computadorizado Max Headroom – investe no carisma e na beleza de sua dupla protagonista feminina: Holliday Grainger, de Grandes Esperanças (2012) e Cinderela (2015), e Anna Paquin, atriz canadense que ganhou um Oscar de coadjuvante aos 11 anos pelo filme O Piano (1993). Por falar em talento precoce, merece destaque também a atuação do garoto Gregor Selkirk, que empresta credibilidade e calor a seu adorável personagem.

Apesar de se render muitas vezes pelo melodrama sentimental, o que compromete a contundência da história, Fale com as Abelhas agrada com sua história sobre emancipação feminina, liberdade sexual e amadurecimento emocional.

Trombone Comunica/Divulgação

Fale com as Abelhas: * * * 

COTAÇÕES

* * * * * ótimo     * * * * muito bom     * * * bom     * * regular     * ruim

Assista ao trailer de Fale com as Abelhas:

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