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Cultivar o mar é assunto de pescadores

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Cultivar o mar é assunto de pescadores Foto: Fênix Filmes/Divulgação

Estreia no Brasil nesta quinta-feira (25/2) o documentário Hálito Azul (2018), do diretor, roteirista e produtor português Rodrigo Areias. A docuficção registra as belas paisagens, o cotidiano e os problemas causados com a escassez de peixes em São Miguel, ilha pertencente aos Açores: espremida entre um vulcão e o oceano, a vila de pescadores Ribeira Quente enfrenta os últimos dias de atividade pesqueira. O filme entra em cartaz no formato online, ficando três meses na plataforma www.filmefilme.com.br 

Inspirado em duas obras do escritor Raul Brandão (1867 – 1930), Os Pescadores (1923) e As Ilhas Desconhecidas (1926), Hálito Azul documenta, em um meio caminho entre o viés antropológico e o poético, esse lugar ermo e as pessoas que o habitam – e que vivem e morrem no mar. O filme traça uma linha entre a fascinação pelo mar – que dá ao povoado o sustento sob a eterna cultura da pesca – e o dia a dia dos moradores de Ribeira Quente, que trafegam pelos problemas e prazeres de suas vidas. Em vez de contar a história do desbravamento dos sete mares, como fez Portugal no passado, o longa segue ao encontro de um mar em especial: aquele de uma população que não esconde os seus vínculos com o oceano e as tradições em face à modernidade do século 21.

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Foto: Fênix Filmes/Divulgação

“Cultivar o mar é uma coisa, é assunto de pescadores. Explorar o mar é outra coisa, é assunto de industriais”, diz o realizador Rodrigo Areias. Sua obra retrata o problema ambiental e profissional que ameaça a comunidade: a quantidade de peixes está diminuindo e o trabalho é dividido de forma cada vez mais desigual, porque as grandes embarcações ligadas a empresas acabam pegando uma gigantesca porcentagem da cota de pescados, deixando muito pouco para os pequenos pescadores.

Três personagens ganham uma atenção destacada em cena: um professor primário que ensaia com alunos uma peça sobre a vida dos pescadores, uma cientista social visitante que estuda os hábitos e a cultura dos locais e, em especial, um solitário faroleiro que expressa sua visão poética e melancólica do lugar. Se o registro do aspecto social convida o espectador a entrar na vida cotidiana e comezinha dos ilhéus, as magníficas cenas de paisagens – que incluem imagens subaquáticas – extremamente bem fotografadas revelam uma natureza imponente e ancestral, alheia em sua grandiosidade às atribulações temporais dos homens e sua existência minúscula.

Foto: Fênix Filmes/Divulgação

Hálito Azul: * * *

COTAÇÕES

* * * * * ótimo     * * * * muito bom     * * * bom     * * regular     * ruim

Assista ao trailer de Hálito Azul:

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