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“Homem Onça” relembra a privatização da Vale

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“Homem Onça” relembra a privatização da Vale Foto: Eduardo Martino/Divulgação

Um dos filmes mais interessantes exibidos no recente 49º Festival de Cinema de Gramado, Homem Onça (2021) entra em cartaz nos cinemas do país nesta quinta-feira (26/8). O longa teve sua estreia mundial em fevereiro no 5º Arthouse Asia Film Festival e rendeu o Kikito de melhor atriz coadjuvante para Bianca Byington na competição na serra gaúcha.

Situado no final dos anos de 1990, o filme dirigido por Vinícius Reis investiga como os acontecimentos do Brasil na época refletem-se e interferem na vida pessoal de Pedro, interpretado por Chico Diaz. O diretor conta que usou uma experiência pessoal como inspiração para o roteiro de Homem Onça cujo primeiro título era Montanha Russa: “Meu pai era gerente numa das maiores mineradoras do mundo, a Vale do Rio Doce. E, em 1996, a empresa passou por uma reestruturação radical, que culminaria na sua privatização no ano seguinte. Depois de duas décadas trabalhando para essa companhia, meu pai não podia ser demitido e foi forçado a se aposentar. Antes disso, foi obrigado a demitir sua equipe… Tudo isso teve o efeito de um tsunami em sua vida”.

Em Homem Onça, Pedro tem uma vida estável de classe média com sua mulher Sônia, interpretada por Silvia Buarque, que procura um emprego, e a filha adolescente, Rosa (Valentina Herszage). Pedro trabalha numa das maiores estatais do país, a fictícia Gás do Brasil.

Tudo parece caminhar muito bem: um projeto de sustentabilidade desenvolvido por ele ganha um prêmio internacional, o que parece garantir o emprego de sua equipe, apesar da crise que a empresa começa a enfrentar. Seu corpo parece reagir ao estresse e manchas estranhas aparecem em sua mão.

Porém, mesmo o sucesso do trabalho de seu time não garante a segurança do emprego de todos, e Pedro é forçado a tomar atitudes drásticas. Homem Onça acompanha esse processo por meio de duas linhas narrativas que se entrecortam e convergem: alguns anos depois desse episódio, o protagonista não vive mais no Rio de Janeiro, mas na pequena cidade do interior onde nasceu, com uma nova companheira, Lola (Bianca Byington).

Foto: Andréa Testoni/Zuppa Filmes/Divulgação

O roteiro, assinado por Reis em colaboração com Flavia Castro e Fellipe Barbosa, examina como o longo processo de privatização de estatais, no final dos anos de 1990, ressoa na vida dos empregados daquelas empresas. A perda da estabilidade e segurança emocional e econômica de Pedro é um reflexo da situação do Brasil. Assim, ao falar do passado, Homem Onça também medita sobre o presente do país, sempre ameaçado de passar por uma nova onda de privatizações.

“Com o filme, continuo a explorar meu interesse em contar histórias sobre as ambições e medos da classe média urbana brasileira. No meu primeiro longa de ficção, Praça Saens Peña, de 2009, a questão da posse de um imóvel e o desejo por uma carreira profissional eram centrais para os personagens. Em Homem Onça, a importância do trabalho como identidade do ser humano é o que move os personagens”, explica o diretor.

Foto: Eduardo Martino/Divulgação

Pandora Filmes/Divulgação

Homem Onça: * * * *  

COTAÇÕES

* * * * * ótimo     * * * * muito bom     * * * bom     * * regular     * ruim

Assista ao trailer de Homem Onça:

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