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Calcutá, meu amor

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Calcutá, meu amor Petra Belas Artes à la Carte/Divulgação

Uma pérola imperdível entrou recentemente no catálogo da plataforma de streaming Petra Belas Artes à la Carte: India Song (1975), dirigido pela escritora francesa Marguerite Duras (1914 – 1996), é uma estranha, bela e hipnotizante fábula sobre amor, desejo, tédio e colonialismo estrelada por Delphine Seyrig, Michael Lonsdale e Mathieu Carrière.

A história narra poeticamente a trajetória de Anne-Marie Stretter (Seyrig), esposa de um diplomata francês na Índia na década de 1930. Aos 18 anos, ela se casou com um administrador colonial francês e foi com ele para posto no Laos. Lá, Anne-Marie conheceu seu segundo marido, vice-cônsul francês que a levou embora e ao lado de quem morou em vários locais da Ásia. Agora em Calcutá, cansada da opressão do país estrangeiro, encontra amantes na embaixada a fim de aliviar o tédio de sua vida monótona de mulher de diplomata.

Extremamente estilizado, India Song é inteiramente narrado por uma polifonia de vozes fora de cena: os personagens não falam uns com os outros, movimentando-se lentamente em quadro ou permanecendo parados por um longo tempo. Como se protagonizassem uma sucessão de tableaux vivants, essas figuras parecem modelos ou fantasmas em desfile a ilustrar a narrativa fragmentada do voice over e da trilha musical – uma trama sonora feita de retalhos de memórias, diálogos entrecortados, trechos de canções nostálgicas, melodias hesitantes ao piano. Entre os artistas que emprestam suas vozes em India Song, além da própria Duras, está o cineasta Benoît Jacquot – realizador de títulos como Escola da Carne (1998) e Adeus, Minha Rainha (2012).

Petra Belas Artes à la Carte/Divulgação

A montagem alterna longos planos-sequência com os elegantes travellings e movimentos de câmera de Bruno Nuytten – diretor de fotografia de filmes como Possessão (1981) e Jean de Florette (1986) –, que passeia registrando cenários de decadente e espectral requinte. Embora ambientado na Índia, o filme inteiro foi rodado no Château Rothschild e no Parque Edmond de Rothschild, em Boulogne-Billancourt, perto de Paris, ao lado do Bois de Boulogne.

Dominique Sanda, atriz de clássicos como O Conformista (1970), de Bernardo Bertolucci, e O Jardim dos Finzi Contini (1970), de Vittorio De Sica, foi a primeira escolha para o papel principal, mas ela desistiu e foi substituída por Delphine Seyrig. Escolhido para representar a França no Oscar de 1976 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, India Song acabou não recebendo a indicação.

O filme foi um dos 13 longas dirigidos por Marguerite Duras, autora do roteiro do clássico Hiroshima, Meu Amor (1959), de Alain Resnais – curiosamente, o cineasta dirigiria um par de anos depois Delphine Seyrig em O Ano Passado em Marienbad (1961), outro instigante e labiríntico filme sobre lembranças amorosas e sentimentais.

Petra Belas Artes à la Carte/Divulgação

India Song: * * * *

COTAÇÕES

* * * * * ótimo     * * * * muito bom     * * * bom     * * regular     * ruim

Assista ao trailer de India Song:

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