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“Virar Mar” filosofa sobre as mudanças climáticas

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“Virar Mar” filosofa sobre as mudanças climáticas Foto: Vitrine Filmes/Divulgação

Partindo de um estudo no âmbito das ciências econômicas, os cineastas Danilo Carvalho e Philipp Hartmann constroem em Virar Mar (2020) um filme experimental e poético que discute de maneira contundente a sustentabilidade – especialmente a hídrica. Combinando documentário e ficção, o longa entra em cartaz nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (28/7).

Alemanha e Brasil, os dois países que produzem o filme, são os cenários dessa investigação: na região alemã de Dithmarschen, em breve deixará de valer a pena construir diques cada vez mais altos para tentar contrariar o aumento do nível das águas do mar, resultante das alterações climáticas; já no sertão brasileiro a situação é oposta, mas as secas periódicas cada vez mais duradoras também são resultado das mudanças no clima.

Vitrine Filmes/Divulgação

Encontrando ressonâncias na mitologia, combinando cenas documentais nas duas regiões, encenações e um filme dentro do filme, Virar Mar aborda a sustentabilidade, estabelecendo, mais do que um diálogo entre os dois países e suas situações – ao mesmo tempo contrastantes e semelhantes –, uma indagação filosófico-estética sobre o estado do mundo e a destruição da natureza pelo capitalismo.

Philipp Hartmann partiu de sua tese de doutorado em economia ambiental, argumentando que no filme ele e o codiretor Danilo Carvalho estavam “cientes de que uma mera análise de custo e benefício representa naturalmente apenas um entre vários outros critérios de decisão quando se visa criar uma política hídrica e ambiental que seja sustentável. Nos ocupamos nesse filme ainda do valor da água, numa abordagem que cientificamente é talvez menos palpável, mas que coloca as perguntas num plano mais existencial”.

Vitrine Filmes/Divulgação

O cineasta alemão avança mais nas indagações que acredita serem suscitadas por Virar Mar: “Qual o valor da força mitológica da água, do modo como esta se reflete na religião e na filosofia? Que dizer a respeito da ‘água metafórica’, tal como esta surge, desde sempre, na história da arte, enquanto fonte da vida, enquanto rio para lá do qual se situa o mundo inferior, enquanto força de renovação, meio de conhecimento e tantas outras coisas? Também aí se trata obviamente da nossa ligação existencial à natureza, enquanto seres humanos; não de uma ligação existencial de cariz físico ou econômico. Talvez antes uma ligação metafísica?”.

Vitrine Filmes/Divulgação

Virar Mar: * * *

COTAÇÕES

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Assista ao trailer de Virar Mar:

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