Literatura, Notas

Três (ou mais) perguntas para André “Cardoso” Czarnobai

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Três (ou mais) perguntas para André “Cardoso” Czarnobai
Após recusas de editoras e diante da crise do mercado editorial, o escritor e tradutor André “Cardoso” Czarnobai decidiu viabilizar a publicação de O Sensual Adulto por meio de uma plataforma de financiamento coletivo. A iniciativa foi bem-sucedida, ultrapassando a marca de 20 mil reais captados – 90% da meta estipulada, mas o suficiente para garantir o lançamento do livro. Nascido em Porto Alegre, conhecido por ser um dos criadores do fanzine CardosOnline e residindo em São Paulo desde 2012, Cardoso se prepara agora para realizar a impressão e o envio do livro aos apoiadores do projeto. O Sensual Adulto é a segunda obra que ele lança, após Cavernas e Concubinas (DBA, 2005). Cardoso falou com a gente sobre a trama de seu novo livro e o processo de publicação independente via crowdfunding. Confira o papo: Nos conta um pouco sobre a narrativa de O Sensual Adulto e a trajetória do livro junto a editoras até a ideia de buscar o financiamento coletivo. Comecei a escrever O Sensual Adulto em 2011. Originalmente, o nome era Águas Internacionais e, olhando em retrospecto, talvez a história do livro tivesse sido totalmente diferente se eu tivesse insistido nesse título. Ao mesmo tempo, O Sensual Adulto é um título muito melhor, e dá mais uma ideia da atmosfera geral do livro – embora não seja nem exatamente “sensual” nem “adulto”. O livro conta a história de um grupo de publicitários que dá uma festa em águas internacionais a bordo de um barco-hotel durante a data estipulada pelo calendário maia para o fim do mundo. A ideia central era escrever um livro que não fosse em primeira pessoa, muito menos autobiográfico, no qual o personagem não é um homem branco escritor frustrado que vive loucas aventuras sexuais na cidade grande. É o oposto disso. Ou pelo menos foi minha tentativa. Difícil pra caralho escrever em terceira pessoa, tentando fugir de si próprio o tempo todo. Nem sempre se consegue. Mas acho um ótimo exercício. De todo modo, a primeira versão do livro ficou pronta por volta de 2016, mas estava MUITO CRUA e eu (hoje reconheço) estava extenuado demais para querer trabalhar ainda mais nela. Então minha teimosia e relutância em alterar qualquer coisa fez com que várias editoras o recusassem ao longo de cerca de dois anos – isso e a crise do setor, que levou um primeiro golpe com a suspensão das compras do governo e um segundo com o calote das grandes livrarias. Pelo menos duas editoras alegaram ter suspendido toda a ficção nacional por falta de grana. Mas a maioria recusou o livro por achá-lo ruim, inadequado ou, simplesmente, fora do tom do catálogo – o que faz bastante sentido. Deixei o livro parado, fermentando, cerca de um ano. Aí reli, mexi profundamente, fiz vários cortes (a versão atual tem umas 60 ou 70 páginas a menos do que a versão proibidona original) e resolvi propor um financiamento coletivo para fazer o livro circular, ser lido e criticado. Acho que ele […]

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