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Lucas Brum Big Band explora timbres dos grandes grupos de jazz

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Lucas Brum Big Band explora timbres dos grandes grupos de jazz Foto: Aline Araújo

Com pouco mais de um semestre de trajetória, após três shows no Espaço 373 e uma participação na Noite dos Museus, a Lucas Brum Big Band faz sua quinta apresentação hoje (28/7), às 21h, no Sgt. Peppers Pub. Formado em Porto Alegre por 17 instrumentistas, o grupo é liderado por Lucas Brum, guitarrista, maestro e diretor do conjunto.

“Essa banda tem o privilégio de contar com vários músicos que, além de performers, são ótimos compositores e arranjadores. Os processos de escolha de repertório e ensaio são bastante participativos. Todas as músicas que tocamos passam por uma construção coletiva de interpretação”, conta Brum – leia a entrevista a seguir –, que desde dezembro de 2021 dá continuidade à tradição das grandes bandas de jazz.

A Lucas Brum Big Band é composta por: Cleômenes Junior (sax alto 1/flauta), Augusto Santos (sax alto 2), Ronaldo Pereira (sax tenor 1), Cristiano Ludwig (sax tenor 2), Ricardo Ramires (sax barítono), Renato Dall Ago (trompete 1), Bruno Silva (trompete 2), Eliézer Moreira (trompete 3), Fran Camargo (trompete 4), Guilherme Camargo (trombone 1), Gabriel Queiroz de Oliveira (trombone 2), Ronaldo Soares (trombone 3), Marco Antônio (tuba), Lucas Brum (diretor e guitarrista), Aline Araújo (piano), Mateus Albornoz (baixo) e Bruno Braga (bateria).

“Felizmente conseguimos montar um time que está empenhado em tocar nessa formação tão especial, mesmo não havendo grande retorno financeiro – são muitas pessoas envolvidas. As big bands mais proeminentes da atualidade, especialmente as europeias, são públicas ou têm algum financiamento público-privado, assim como outras grandes formações como orquestras e bandas sinfônicas”, destaca o diretor da Lucas Brum Big Band, que aponta a OPPA – Orquestra Popular de Porto Alegre e a The Brothers Orchestra como inspirações locais do conjunto.

Leia a entrevista com Lucas Brum.

Como surgiu o grupo?

Há muito tempo eu queria participar de uma big band. A formação e suas possibilidades timbrísticas sempre me atraíram. Como não havia grupo ativo, no final de 2021 criei a minha big band. Chamei amigos músicos que já conhecia – como Augusto Santos, Mateus Albornoz, Bruno Braga, Aline Araújo, Cleômenes Junior, Ronaldo Pereira, Cristiano Ludwig e Renato Dall Ago – e tive ajuda, especialmente do Renato, para compor o resto do time. O meu desejo inicial era apenas tocar guitarra, não imaginava que um dia, ainda mais tão cedo na carreira, me tornaria diretor, maestro e compositor de big band.

Como são as trocas entre os integrantes? 

Essa banda tem o privilégio de contar com vários músicos que, além de performers, são ótimos compositores e arranjadores. Os processos de escolha de repertório e ensaio são bastante participativos. Todas as músicas que tocamos passam por uma construção coletiva de interpretação. Sugestões e apontamentos são constantes nos ensaios semanais. Acredito que conseguimos chegar num equilíbrio saudável entre as minhas escolhas enquanto líder e as ideias dos outros integrantes. A banda funciona tão bem por conta da organização e delegação de tarefas. Destaco o trabalho que a Aline Araújo faz com a criação das nossas artes e divulgação e pela resolução de problemas técnico-musicais dentro de cada um dos naipes pelos próprios músicos.

Quais são os desafios enfrentados por uma big band?

Existem dois grandes desafios com um grupo tão grande: a disponibilidade de horário de 17 pessoas e o financiamento. Conseguimos nos encontrar nas segundas-feiras à noite para resolver o primeiro – já que comumente, entre músicos, há poucos compromissos nesse horário. O segundo já é mais complicado. Felizmente conseguimos montar um time que está empenhado em tocar nessa formação tão especial, mesmo não havendo grande retorno financeiro – são muitas pessoas envolvidas. As big bands mais proeminentes da atualidade, especialmente as europeias, são públicas ou têm algum financiamento público-privado, assim como outras grandes formações como orquestras e bandas sinfônicas.

Quais big bands você destaca no cenário nacional e local?

Confesso que conheço pouco da história das big bands aqui no Brasil. Houve uma época de ouro da formação, no meio do século passado, especialmente em São Paulo. Hoje existem várias big bands importantes no cenário como Soundscape Big Band, Banda Mantiqueira, Nelson Ayres Big Band, Orquestra Atlântica, Reteté Big Band e Amazonas Jazz Band. Em Porto Alegre, destaco as recentes OPPA – Orquestra Popular de Porto Alegre e a The Brothers Orchestra, grandes inspirações para a criação da Lucas Brum Big Band.

Quais são as inspirações de vocês no formato big band?

Não sei dos outros integrantes, mas para mim a Vanguard Orchestra – que se apresenta há 50 anos todas as segundas-feiras no Village Vanguard, em Nova York – é uma grande inspiração. Já devorei todos os álbuns deles. Destaco também as big bands de rádios alemães que disponibilizam shows completos no Youtube: hr-Bigband, WDR Big Band e NDR Big Band.

Como o repertório da Lucas Brum Big Band vem sendo construído?

A banda é bastante recente, nosso primeiro ensaio foi em dezembro de 2021. Optamos por começar com um repertório mais tradicional de jazz para entender e criar nossa identidade musical. Buscamos compositores como Sammy Nestico, Thad Jones e Duke Ellington e arranjos de temas de John Coltrane e Joe Henderson para estudarmos o som tradicional de big band. Também tocamos música brasileira, pois acreditamos ser essencial expressar a nossa música. Arranjos de Tom Jobim, João Bosco e Aldir Blanc integram nosso repertório, assim como composições próprias.

Por fim, quais os planos do grupo para os próximos meses?

A big band está em formação. Buscamos aperfeiçoar nossa maneira de tocar e ter cada vez mais “cola” entre o grupo. Nossos planos são continuar a tocar publicamente, pois assim engrandecemos como artistas, com a pressão da plateia presencial. No dia 20 de agosto, voltaremos a tocar no Espaço 373. No futuro, não sei se tão breve, queremos gravar um álbum com composições e arranjos de membros da banda.

Show da Lucas Brum Big Band
Quando:
28 de julho de 2022
Horário: 21h
Onde: Sgt. Peppers Pub (rua Quintino Bocaiúva, 256 – Moinhos de Vento – Porto Alegre)
Ingressos à venda no Sympla

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