Música, Reportagens

Pretana canta a “Matripotência”

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Pretana canta a “Matripotência” Foto: Laura Barros

Aos 23 anos, a poeta e cantora Pretana lança a faixa solo e o clipe de Matripotência nesta sexta-feira (9/7). Nascida em Belo Horizonte e residindo em Porto Alegre há cinco anos, a compositora encontrou na capital gaúcha espaços e parcerias fundamentais para se tornar artista. “Sonho em ser cantora desde os 11 anos, nunca pensei em ser outra coisa. Tentei passar na Federal, em concurso público, mas nunca me entreguei 100% para outras coisas como me entrego para a música e a arte”, conta a mineira.

“Matripotência”, na visão de Pretana, significa os poderes de cura e revolução das mulheres pretas. “Por mais que nos vejam como escória, temos que saber que o nosso início é a realeza. Temos que mudar esse olhar perante nós mesmas e conhecer a nossa história”, afirma a cantora, que atualmente vive na Lomba do Pinheiro com a mãe – responsável pela mudança das duas para o Sul por conta de uma oportunidade profissional.

Pretana. Foto: Laura Barros

“Quando vim pra Porto Alegre, conheci a poesia. Tem gente que não gosta e fala: você veio pro pior estado do Brasil. Eu discordo. Acho que o Rio Grande do Sul tem muitas pérolas. Morar aqui é ter liberdade de ser quem quero ser e conhecer pessoas que também querem viver essa liberdade”, ressalta a cantora. “Em Belo Horizonte, eu não tinha amigos pretos, e as pessoas falavam que não tem preto no Rio Grande do Sul. Hoje, graças aos orixás, 90% das minhas amizades são pessoas pretas que conheci nos slams”, completa, destacando seu envolvimento com o circuito slammer da cidade, com destaque para o Slam das Minas, que passou a frequentar em 2017, primeiro como ouvinte, depois entoando seus versos.

No final de 2019, Pretana ingressou no grupo Poetas Vivos, conhecido por suas intervenções em bares e espaços públicos declamando versos sobre a vida da população negra do país. “Às vezes a gente ia recitar nos bares e voltava com oito reais pra casa, às vezes cada um voltava com 100. Passei por várias experiências por conta da poesia pra entender que ser cantora é muito mais difícil do que imaginava”, analisa a artista, que canta desde os 14 anos.

Em outubro de 2020, Pretana deixou os Poetas Vivos para ser uma das fundadoras do coletivo Bucepretas, atualmente formado por Pretana, Adrielli Figueiró, Agnes Mariá e Vitória Freitas. “O nome vem de um grito de guerra das minas pretas nos slams: É as buce/ é as preta/ é as bucepreta preta!”, rima a cantora-slammer ao telefone. A criação da collab foi uma alternativa encontrada para reduzir o impacto financeiro da pandemia por meio da venda de roupas, acessórios e outros itens – iniciativa que acabou limitada com o agravamento da situação sanitária.

O coletivo nasceu de uma parceria para a faixa e o clipe Bucepretas, composição de Pretana e Agnes Mariá em iniciativa contemplada pelo edital RS Music Lab, patrocinada pela Natura Musical e financiada pela Secretaria de Estado da Cultura.

As colaborações entre Agnes e Pretana, amigas de slam e Poetas Vivos, seguem dando frutos. A dupla pretende lançar ainda neste semestre a música Racistas Otários, com produção de Castelan – que também é produtor da faixa Matripotência.

Para além da música, com o objetivo de compartilhar seus estudos sobre ancestralidade, Pretana publica vídeos no Instagram. “Tento passar o conhecimento que adquiri sobre a África pré-colonial. A escravidão foi um dos acontecimentos da nossa vida, mas não foi o mais importante”, destaca a cantora. “Creio que a mudança e a emancipação do povo preto vão começar com a comunidade, quando as pessoas pretas voltarem seu olhar para as pessoas pretas. Enquanto uma pessoa preta ascender socialmente e o resto continuar se fodendo, não vai fazer diferença”, observa Pretana, relembram um verso de sua autoria que diz: “Não existe preto no topo se a minha gente que serve de base”.

A poesia e a partilha de conhecimento são modos que Pretana encontra para lidar com dores e incertezas. “Quando uma pessoa preta morre, fico sem entender por que faço arte. Às vezes sinto que a minha música não foi capaz de salvar aquela pessoa”, desabafa. Entretanto, a admiração e a identificação que seus versos provocam em outros jovens negros motivam Pretana a seguir rimando. “Já ouvi no slam: não sabia que mais pessoas sentiam isso ou tinham passado por essa situação. Isso me faz querer continuar. É muito gratificante entender que não estou sozinha.”

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