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Obra do cineasta italiano Marco Ferreri inspira performance cênica digital

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Obra do cineasta italiano Marco Ferreri inspira performance cênica digital Maria Carolina Dressler. Foto: Adriana Balsanelli/Divulgação

A atriz e produtora Maria Carolina Dressler pretendia realizar um espetáculo inspirado cinematografia do Italiano Marco Ferreri (1928-1997), dando continuidade a uma pesquisa iniciada em 2012. O agravamento da pandemia levou a adaptação do projeto para o digital e em formato de vídeos curtos, a performance cênica No Terceiro Milênio Seremos Felizes, uma produção do coletivo In Bocca al Lupo, é postada em episódios temáticos na página In Bocca al Lupo no YouTube e Facebook, e no perfil do Instagram da atriz (@mcdressler), toda sexta-feira. 

A edição dos vídeos é de Heitor Menotti. Entre os temas que serão abordados estão O Cinema de Marco Ferreri, A Mulher Macaca e o Cinema Italiano, A descoberta de La Donna Scimmia, O Espaço, O Ator e A Imagem e Ferreri Cancelado.

Nesta empreitada, os italianos Alberto Sacandola, autor do livro Marco Ferreri (da Castoro Cinema) e Mario Canale, diretor do documentário O Cineasta do Futuro; dois outros apaixonados pela obra do cineasta, foram cumplices no desejo de conceber um trabalho cênico, com intuito de desvelar a obra de Ferreri, e sobretudo seu caráter libertário e surpreendentemente visionário quanto ao futuro da humanidade e da arte, e colaboraram para viabilizar um projeto numa produção Brasil-Itália e nas conexões culturais desses países. A ideia é que futuramente possam colocar em prática a continuidade do projeto, com um espetáculo teatral presencial.

“A proposta é coroar a criação deste artista, subvertendo as formas numa típica cena Ferreriana. Uma espécie de palestra cênica, uma cine-peça ambientada dentro de nossas casas ou ambientes intimistas como trouxe Ferreri em seus filmes,” conta Maria. 

Marco Ferreri é considerado um precursor quanto a utilização da imagem no cotidiano do homem moderno. Na maioria de seus filmes, projeções em super 8, slides e projetores, interferem no cotidiano dos personagens, na fusão das imagens dos corpos utilizados como telas, ou ainda em outras experimentações. A solidão do homem moderno retratado em seus filmes antecipava questões do século 21. A produção Ítalo-francesa A Comilança (La Grande Abbuffata), de 1973, onde faz uma sátira da burguesia dos anos 1970, é o filme que o consagrou. Foi indicado ao Palma de Ouro e vencedor do Prêmio FIPRESCI.

Em 2011 Maria Carolina Dressler teve contato com sua obra através do filme La Donna Scimmia, de 1964, onde retrata a vida da mexicana Julia Pastrana (1834-1860), personagem que pesquisava na ocasião para montagem do primeiro espetáculo do In Bocca al Lupo, Monga, que estreou em 2013, no Sesc Santo André (SP) e foi apresentado em unidades do Sesc pelo interior do Estado e festivais.

No entanto, para a atriz a descoberta de seu cinema e de sua genialidade extravasaram a temática deste espetáculo que tinha outras especificidades. “O contexto do ano de 2020 agigantou a necessidade de montagem de No Terceiro Milênio Seremos Felizes. A frase que dá título à peça, sintetiza o pensamento do cineasta italiano Marco Ferreri”, explica.

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