Performance, Reportagens

“Epiceno” explora fluidez de gênero e limites do humano em videoperformance

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“Epiceno” explora fluidez de gênero e limites do humano em videoperformance Bruno Fernandes em Epiceno. Foto: Aline More

Elementos da dança, do circo e da performance compõem o espetáculo Epicenoassista aqui –, dirigido pela artista Carol Martins, que estreou hoje (26/8) nos canais do projeto. Viabilizada pela Lei Aldir Blanc, a videoperformance propõe reflexões sobre a construção social dos corpos. Em outubro, uma releitura do espetáculo será apresentada no 28ª Porto Alegre Em Cena.

O livro Manifesto Contrassexual, do filósofo trans Paul B. Preciado, inspirou a concepção da videoperformance. “Trouxe como provocação alguns pensamentos desse livro relacionados ao corpo ser um texto socialmente construído e ao gênero ser visto como variável fluida, deixando de ser atributo e se tornando performativo”, conta a diretora de Epiceno. O título do espetáculo, a propósito, se refere a um tipo de substantivo que designa animais com apenas um gênero gramatical, como a onça ou o jacaré. Nesses casos, para classificar o gênero biológico de um espécime, é necessário o acréscimo dos termos “macho” ou “fêmea”.

Epiceno tem roteiro assinado pelo artista Hiperlinque e conta com a participação de oito performers: Bruno Fernandes, Consuelo Vallandro, Gabi Faryas, Guilherme Gonçalves, João Om, Jordan Maia, Marcelo Reis e Rita Spier. Os artistas realizaram duas oficinas: uma para o uso de pernas de pau, com Luciano Fernandes, e outra de poéticas corporais, ministrada por Carlota Albuquerque.

Guilherme Gonçalves em Epiceno. Foto: Aline More

“Os performers trouxeram referências pessoais para a oficina de poéticas corporais, com liberdade para trazer o que lhes afetava – desde referência de figuras mitológicas como a sereia; animais como gatos, veados e cobras; objetos simbólicos como mãos, pérolas, pentes e óleos; até uma visão de corpo invertido ou corpo ao avesso”, conta Carol Martins.

Na videoperformance, os performers exploram a fluidez de gênero e os limites das noções de humano, remetendo novamente a reflexões teóricas a respeito dessas temáticas. “Preciado aborda um pensamento da filósofa Judith Butler de que é necessário desfazer a norma para desfazer o gênero. Também traz a ideia da escritora e filósofa Donna Haraway de que a ‘natureza humana’ não é senão um efeito de negociação permanente das fronteiras humano e animal, corpo e máquina, órgão e plástico. O termo ‘artificial’, ligado à palavra prótese, nos deu um gancho para incluir o elemento perna de pau no experimento”, explica a diretora de Epiceno.

Consuelo Vallandro em Epiceno. Foto: Aline More

As reflexões sobre gênero levaram inicialmente à ideia de colocar em cena corpos não binários, mas a proposta final acabou ganhando outros contornos igualmente fluidos. “Percebemos que não fazia sentido usar esse termo porque também temos corpos cis no elenco. Nem todos os performers se identificavam com o gênero não binário. A questão que contemplava a todes era como os sentidos sobre feminino e masculino cruzavam e tocavam cada performer. Esse foi o ponto latente que deu início a um processo de corpos falantes, que questionam esse corpo binário socialmente construído, respeitando a vivência e a relação de cada um com esse tema”, conta Carol Martins.

[Continua...]

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