Reportagens

O tempo sem tempo de Joana Queiroz

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O tempo sem tempo de Joana Queiroz Foto: Ilana Bar
Em meio à confusa duração dos dias da quarentena, o álbum Tempo sem Tempo da clarinetista Joana Queiroz propõe um mergulho em nossa percepção da passagem das horas. Convidada do projeto Unimúsica 2020 – que será realizado pela UFRGS a partir de setembro, totalmente online e dedicado a recitais de mulheres instrumentistas –, a compositora carioca lança seu quarto disco solo pela gravadora YB. O álbum apresenta um universo de ruídos, timbres e melodias repleto de circularidades – em sons e versos como O tempo dá voltas e curvas/ O tempo tem revoltas absurdas/ Ele é e não é ao mesmo tempo, da faixa-título, escrita por José Miguel Wisnik e Jorge Mautner. “Eu quis que o processo todo de composição e arranjo fosse pensado a partir do uso do loop, sendo tocado mesmo, organicamente, desde o princípio. Isso trouxe uma característica circular a todo o disco. As experimentações com timbres, efeitos e sonoridades diferentes também vêm um pouco dessa brincadeira com camadas”, conta a compositora carioca, que atualmente reside em São Paulo. Além de tocar clarinete, sax tenor e clarone no álbum, Queiroz canta em quatro das oito faixas: Seu Olhar (Gilberto Gil), Jóia (Caetano Veloso), Tempo sem Tempo (José Miguel Wisnik/Jorge Mautner) e Dois Litorais (Mariá Portugal). O disco conta ainda com participações de Bruno Qual (produtor do disco ao lado da instrumentista), Domenico Lancellotti, Mariá Portugal e Sergio Krakowski. Leia a conversa com Joana Queiroz sobre Tempo Sem Tempo. Joana, gostaria de começar pelo processo de concepção e gravação do álbum. Nos conta um pouco sobre como e quando o disco nasceu. Este álbum foi fruto direto das minhas experimentações e pesquisas com o uso do looper. As composições e arranjos foram feitas pra que eu pudesse tocá-las sozinha – de fato as toquei ao vivo várias vezes antes de gravar (com exceção, ironicamente, da faixa título). Meu disco anterior, Diários de Vento, já tinha essa característica de ter o sopro como centro, por se tratar de um projeto que fiz numa residência com as sonoridades que eu tinha à mão, que são principalmente os instrumentos de sopro que eu toco. Foi um processo que gostei muito, e que me instigou a continuar desenvolvendo algo neste caminho. Desta vez, porém, eu quis que o processo todo de composição e arranjo fosse pensado a partir do uso do loop, sendo tocado mesmo, organicamente, desde o princípio. Isso trouxe uma característica circular a todo o disco. As experimentações com timbres, efeitos e sonoridades diferentes também vêm um pouco dessa brincadeira com camadas, pela possibilidade de ir multiplicando e potencializando pequenos sons e efeitos. Os pedais ajudam na brincadeira. E alguns detalhes foram pensados depois, a partir de uma vontade de sair mesmo do acústico, do previsível, tirar um pouco a sonoridade do real, ir um passo além. O álbum ficou pronto no ano passado, no fim do ano lançamos no Japão e agora finalmente estamos lançando por aqui. Chamam a atenção as metáforas orgânicas que você usa para descrever Tempo […]

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