Cinema, Reportagens

Público dos cinemas do país foi 77% menor em 2020

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Público dos cinemas do país foi 77% menor em 2020 Debates sobre contratualizações envolveu espaços como a Cinemateca Capitólio. Foto: Guilherme Lund

A Ancine – Agência Nacional do Cinema divulgou recentemente dados do Sistema de Controle de Bilheteria (SCB) relacionados ao ano de 2020 e à sexta semana de 2021 (11 a 17 de fevereiro). As salas de cinema do país receberam 39 milhões de espectadores no ano passado, com uma receita de bilheteria de aproximadamente R$ 630 milhões, o que representa uma redução de 77% em relação a 2019.

O impacto da pandemia é “sem precedentes”, segundo o presidente da Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas (Feneec), Ricardo Difini Leite: “Nunca ficamos tanto tempo sem funcionar ou funcionando de forma tão precária. Infelizmente, vários cinemas encerrarão suas atividades de modo permanente, principalmente as empresas de pequeno porte, localizadas em municípios com menos de 100 mil habitantes”.

“Ainda teremos meses difíceis pela frente, até conseguirmos vacinar uma parcela significativa da população. Acreditamos em uma recuperação lenta e gradual a partir do segundo semestre deste ano. Somente em 2022 conseguiremos ter números parecidos aos existentes antes da pandemia”, projeta o presidente da Feneec.

Dados da Ancine apontam que o número de salas de cinema em funcionamento apresenta trajetória “relativamente estável” desde novembro de 2020. Na sexta semana de 2021, 2.034 salas estavam em atividade, equivalente a cerca de 60% dos espaços que funcionavam no mesmo período em 2020, antes da pandemia, quando havia 3.373 salas abertas.

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A distribuição dos estabelecimentos em atividade, segundo a agência, é desproporcional em termos geográficos: enquanto em São Paulo e Rio de Janeiro o percentual de abertura ficou próximo dos 70% na sexta semana de 2021, em outros estados, como o Rio Grande do Sul, o número se manteve próximo dos 50%. Como se nota, os dados de 11 a 17 de fevereiro não refletem o cenário atual de agravamento da pandemia e de novas restrições à circulação de pessoas, que impõe mais dificuldades ao setor.

No caso do Rio Grande do Sul, Leite aponta que “várias operações, na sua maioria, com até três salas, tanto no interior como na capital, já não estão operando e terão muita dificuldade em retomar o seu negócio quando a situação melhorar”. “Cinemas administrados por empresas familiares, de pequeno porte, principalmente nas cidades do interior, com menor população, estão sendo os mais impactados”, completa. 

Os números de salas fechadas provisória ou definitivamente refletem-se em termos de empregos. A Feneec estima uma redução de, no mínimo, 30% no quadro geral de trabalhadores do setor de exibição do país, o que corresponde a cerca de 12 mil profissionais que perderem suas ocupações.

Retomada tímida em meio a novas ondas de incerteza

Iniciativas como exibições em drive-ins representaram pouco em termos de receitas para as empresas exibidoras. “A representatividade econômica dos drive-ins foi nula, muito mais uma estratégia mercadológica do que financeira. Em nada atenuou o impacto da pandemia”, afirma Leite.

A partir de setembro de 2020, com a reabertura de salas e a flexibilização de medidas restritivas, foi possível observar uma retomada, embora tímida. Em dezembro de 2020, o público médio dos cinemas do país foi de 13,1 espectadores – menos da metade do observado em dezembro de 2019, quando a média de público foi de 13,1%.

Nas duas primeiras semanas de 2021, o SCB registrou 756 mil espectadores e receita de bilheteria de aproximadamente R$ 12 milhões, números 95% menores do que os observados no começo de 2020. “Além do receio natural de uma parcela de clientes em retornar a frequentar cinema, existe uma escassez de lançamentos de filmes com apelo popular, já que as distribuidoras preferem transferi-los para um momento mais propício”, analisa Leite.

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