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“Bridgerton” e o universo alternativo da Netflix

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“Bridgerton” e o universo alternativo da Netflix Foto: Netflix/Divulgação

A popularíssima série de livros sobre a ficcional família Bridgerton virou a nova série de época da Netflix, bem na hora de todos termos que lidar com esse esquisito Natal e final de ano de 2020.

Bridgerton é uma dessas séries de época em um universo alternativo, algo como a Marie Antoinette da Sofia Coppola. É, mas não sendo.

A época seria no início do longo século 19, que começa na Revolução Francesa e termina em 1914, com a implosão do mundo vitoriano, e o universo retratado na série é uma Inglaterra em que as pessoas se vestem como se estivessem lá mesmo, mas agem como se fossem de um outro planeta.

Brancos e negros convivem numa boa, e mais, todos são iguais membros da aristocracia britânica. Seria ótimo, se não fosse contra tudo que o mundo viveu e conheceu até agora, especialmente aquele mundo, naquela época. Mas para isso existe a ficcão, não é mesmo?

A família Bridgerton representa a fina flor da nobreza, ricos há muito tempo, e impecavelmente belos e bem trajados, além de muitos: quatro rapazes, quatro moças, uma mãe, viúva, fora os milhares de empregados que ninguém vê. A série se inicia no momento mais importante da vida dessas famílias, a saison, a temporada de acasalamento, quando as debutantes são apresentadas à sociedade e trocadas pela melhor oferta que surgir.

Para as moças da época, não havia outro destino possível: casar, ou não casar; e não casar, caros amigos, não significava poder fazer um concurso público e passar as férias num cruzeiro com o Roberto Carlos cantando ao fundo. Oh, no. Não casar era ainda pior do que a única outra alternativa, casar. E é nesse instante de sua jovem existência que se encontra a nossa heroína, Daphne, etérea, vitoriana nos costumes, moderna na sua visão de que o mundo era basicamente injusto para com ela e suas irmãs.

Injusto é pouco. Basta olharmos para o que esse mundo oferece aos irmãos, tudo, e às irmãs, bordados. No entanto, Daphne quer mesmo casar, e ela é uma beldade e tem um dote do tamanho de Worcestershire – a região, não o molho inglês –, o que torna as coisas um tanto mais fáceis. Mas, ora vejam, Daphne quer casar por amor, algo tão pouco usual que nos leva a pensar: seriously?

Entra em cena o guapo mancebo duque de Hastings, rico, nobre, single e gato, mas com uma tragédia em sua vida que o impede de realizar sua missão de encher os campos de Sussex de pequenos Hastings.

Pronto. Daqui pra frente são oito episódios de cavalgadas, passeios por lagos cristalinos, caçadas, bailes, vestidos e sotaques exóticos, e umas desavenças, de vez em quando.

O mundo que Bridgerton nos mostra existiu, mas não exatamente desse jeito. Havia menos higiene, menos alimentação saudável, e as pessoas viviam vidas bastante curtas e sem antibióticos, ou ortodontistas. Isso, obviamente não importa. O que importa é que alguém vai ficar com alguém, e sempre em figurinos esplendorosos, e diálogos tirados de um livro, não da vida.

O que importa é que a ficção nos deixa viajar no tempo e no espaço, e quando ela nos chama, a gente vai. Então vão, e boa diversão.

Rimou, um bom sinal.

Feliz, ou melhor, 2021 a todos nós, que merecemos.

Assista ao trailer de Bridgerton:

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