Música, Reportagens, Unimúsica 2021

Unimúsica: 40 anos de proximidade com a música popular

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Unimúsica: 40 anos de proximidade com a música popular Foto: DDC/UFRGS

Um dos eventos culturais mais longevos do país, o Unimúsica completa 40 anos em 2021 – confira a programação completa da edição deste ano. Ao longo de quatro décadas, o projeto da UFRGS consolidou-se como um espaço de formação, encontro e difusão, levando aos palcos a diversidade da música popular brasileira.

“O Unimúsica foi pioneiro nos anos 1980, quando a música popular ainda não era tema de estudos acadêmicos. O festival foi muito importante para a legitimação da música popular em ações culturais da universidade pública e como produção de conhecimento – em concertos, ações formativas e construção de plateias”, explica Lígia Petrucci, coordenadora do Unimúsica e diretora do Departamento de Difusão Cultural e Centro Cultural da UFRGS.

Frequentadora das atividades do festival desde os primeiros anos do evento, ainda estudante, Petrucci tornou-se coordenadora, em 1998, do projeto Unicultura – iniciativa da UFRGS que englobava atividades de diversas linguagens artísticas, incluindo o Unimúsica. Após cursar uma especialização em política cultural na França, em 2002 Petrucci aprofundou sua dedicação ao festival. Dois anos mais tarde, o projeto ganhou o formato de séries temáticas, que caracterizaria o evento até 2019.

Na primeira série, realizada em 2004, 11 recitais de voz e piano reuniram nomes como André Mehmari e Ná Ozzetti, Dona Ivone Lara e Leandro Braga, Egberto Gismonti e Marlui Miranda, José Miguel Wisnik e Jussara Silveira. “Não esperávamos que o Salão de Atos lotasse tanto. Foi uma surpresa”, recorda Petrucci.

Nos anos seguintes, as séries exploraram temáticas como música instrumental, canção, percussão e big bands, para citar apenas algumas. Em 2015, o Unimúsica Irreverentes reuniu nomes como Arrigo Barnabé, Jards Macalé, Luiz Melodia e Tom Zé.

No ano seguinte, foi a vez de Elza Soares brilhar no palco do Salão de Atos, na edição intitulada Sobre a Palavra Futuro, que começou com ninguém menos que Maria Bethânia e ainda apresentou shows de Juçara Marçal e Karina Buhr, entre outras artistas.

A partir de 2018, a curadoria do Unimúsica passou a ser compartilhada por Lígia Petrucci com outros profissionais de dentro e fora da UFRGS. Em 2020, na edição Forrobodó: Quando Elas Tocam, em meio os baques da pandemia, o trabalho foi dividido com Ana Fridman, Ana Laura Freitas, Marta Schmitt e Nanni Rios. “Extrapolou o curatorial, foi um trabalho de concepção e produção de espetáculo virtual que desconhecíamos e um processo de aprendizagem para todo mundo”, recorda Petrucci.

Em formato híbrido, mesclando conversas ao vivo e performances pré-gravadas, o festival homenageou a compositora Rosinha de Valença e reuniu virtualmente 25 mulheres instrumentistas, entre as quais Bianca Gismonti, Clarice Assad, Josyara, Léa Freire, Lucinha Turnbull, Maria Beraldo, Mariá Portugal, Nina Fola, Maíra Freitas, Joana Queiroz e Simone Rasslan – clique nos links para relembrar a nossa cobertura.

Reconhecimento nacional e renovação constante

A consistência do Unimúsica é reconhecida nacionalmente nos meios artístico e universitário. Em que pesem as dificuldades enfrentadas em ambos os campos, Lígia Petrucci destaca que o Unimúsica “desconstrói uma ideia, infelizmente ainda muito difundida, de precariedade” – ou, na síntese bem-humorada de Zélia Duncan à curadora, em 2007, “é um projeto popular e chique”.

“Tem a ver com o comprometimento de servidores públicos e alunos com o projeto e a Universidade – e também tem apaixonamento, que os artistas percebem. Falamos a mesma língua, da batalha pela música popular e por boas condições de trabalho de artistas e profissionais”, segue Petrucci. “Estabelecemos uma relação de proximidade com o público e os artistas. No próprio Salão de Atos é possível perceber isso: até quem está na última fila sente as apresentações de perto”, completa a coordenadora do festival, destacando as características arquitetônicas do espaço que é a casa do Unimúsica.

As batalhas mencionadas por Petrucci não dão trégua em 2021, segundo ano da pandemia de covid-19. Os aprendizados da edição virtual de 2020 resultaram em uma nova edição online, com o título Uni 40: Música da Presença, que será realizada entre os dias 27 de setembro e 8 de outubro, em formato totalmente online e gratuito.

A edição 2021 do festival celebra a transversalidade entre as linguagens da música, da dança, do teatro, do circo e da performance, abrindo espaço para trilhas sonoras compostas para espetáculos cênicos, trabalhos que exploram propostas híbridas e as relações entre corpo, música e cena nas cirandas do Nordeste e das tradições afrogaúchas.

A edição de 2021 – com curadoria de Ana Fridman, Ana Laura Freitas, Lígia Petrucci, Rui Moreira, Suzi Weber e Valência Losada – é a última de Petrucci na coordenação do Unimúsica. “É um momento que mexe pra caramba comigo, mas vim elaborando isso há vários anos”, conta Petrucci, que seguirá diretora do Departamento de Difusão Cultural e Centro Cultural da UFRGS. Em 2022, o projeto será coordenado pela jornalista Ana Laura Freitas. “É uma emoção muito grande saber que o Unimúsica terá continuidade com a Ana Laura à frente. É uma sorte rara essa perspectiva de futuro”, afirma Petrucci.

[Continua...]

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