Juremir Machado da Silva

Bolsonaro não responde

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Bolsonaro não responde Foto: José Dias/PR

Deu em manchete jornal de domingo: “Bolsonaro terá de responder à ONU pelo alto nível de mortalidade de covid no Brasil”.

Acontece que Jair Bolsonaro não responde.

Ele só saber negar. O seu cérebro estreito não foi projetado para articular respostas lógicas, argumentativas e convincentes.

O capitão é certamente o pior presidente da história do Brasil, o mais inculto, mais grosso, mais preconceituoso, mais reacionário, obtuso.


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Na ditadura ele teria sido o mais radical de todos os que comandaram o país. Só que ele não tinha patente para tanto. Já era do baixo clero.

Quem diria que generais bateriam continência para ele.

Bolsonaro não responde. Ele só sabe vomitar provocações. Não tem explicações nem justificativas. Atua fora da margem, no vácuo da razão.


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Foi eleito pela Lava Jato, pela mídia inconsequente e por eleitores que, como ele, não suportam o processo civilizatório que impede de humilhar minorias e de fazer piadas homofóbicas, machistas e racistas.

Na escala evolutiva, Bolsonaro empacou em algum lugar do passado.

Basta avaliar o seu nível de linguagem.

É inútil pedir-lhe que responda, pois ele não ouve, não processa as demandas, não consegue formular raciocínios lógicos de maior densidade.

Diante de uma pergunta qualquer, reage instintivamente, animalescamente, atacando para defender-se, mostrando dentes e armas.

Exemplar de matilha, toma por inimigos todos que lhe fazem oposição. Há quase quatro anos ele envergonha o Brasil, mas ainda há quem o defenda e, na falta de um candidato de terceira via competitivo, será novamente o escolhido pelos que nele votaram e disseram estar arrependidos. O mercado também não responde. Sabe-se que deseja apenas faturar sem ser incomodado.

Bolsonaro represente o grau máximo da cultura mínima.

Acuado, escoiceia, mente, rosna, empina-se solta impropérios, defeca para o mundo. Na ONU sente-se como o medíocre que é e aproveita a oportunidade para se aprofundar na sua miséria intelectual. Chuta o balde, atola-se, enlameia-se, busca o confronto como vingança contra as luzes alheias. O capitão não suporta a inteligência dos outros certamente por saber que não está à altura. Então, revoltado, sobe o tom e chafurda.

Negacionista por ressentimento e ignorância, Jair Bolsonaro negou o coronavírus, as vacinas, a ciência, a OMS. Nega também a corrupção que inunda as manchetes e bate à porta de ministérios como o da Educação habitado por pastores filisteus negociando em troca de barras de ouro.

Por que nega tanto? Talvez por ser a única maneira de chamar a atenção, como se a negação fosse a sua forma de ter algo a dizer, de ser ouvido, de constituir uma plateia mais ampla do que o seu puxadinho.

Vazio, tosco, intelectualmente limitado, pobre de espírito, Bolsonaro parece não crer que chegou à presidência da República. Não pode perceber que a sua estupidez é que lhe serviu de passaporte para o poder. Só alguém como ele, sem superego nem a menor ideia dos absurdos que comete, seria capaz de expressar os mais obscuros ressentimentos contra o conhecimento e à democracia, produzindo identificação, uma catarse capaz de lavar a alma dos que odeiam a cultura como civilização e ciência.

Inútil esperar respostas de Bolsonaro.

Mais fácil esperar novos coices.


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