Juremir Machado da Silva

Golpes do Bolsonaro contra o STF

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Golpes do Bolsonaro contra o STF Daniel Silveira e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução Facebook)

Daniel Silveira, condenado pelo STF, é um genuíno produto da escória bolsonarista. Elegeu-se na onda antipolítica do capitão. Esse foi o primeiro e maior golpe de Jair: fazer crer que era o novo.

Na condição de deputado, Daniel Silveira, com seus braços marombados, achou que podia tudo, inclusive fazer apologia da violência direcionada, pedindo, por exemplo, que arrancassem a cabeça do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e a jogassem no lixo.

Ganhou uma tornozeleira eletrônica novinha em folha por seus préstimos como jagunço mais motivado do desvairado presidente.

Golpista de primeira hora, Silveira achou que podia ser o cabo a fechar o Supremo Tribunal Federal. Pregou abertamente contra as instituições, não se contentando em falar mal delas, mas incitando a turba das redes sociais contra os poderes que freiam o seu patrão.


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Pois não é que Jair Bolsonaro resolveu esticar a corda e agraciar o seu protegido!? Apagou com uma canetada a condenação do STF. O que pretende o capitão negacionista? Negar o poder do Supremo. De certo modo, fechar o STF em relação ao que lhe interessa. Como se sabe que constitucional é o que os ministros do STF dizem que é, possivelmente o indulto seja derrubado por desvio de finalidade. Esse instituto não existe para presidente calar a boca de desafetos e salvar a pele dos seus asseclas. A crise, porém, está deflagrada.

Bolsonaro quer barulho. O seu truque é vender o peixe de que não governa por ser bloqueado pelo STF. Joga para a sua bolha reacionária e golpista em busca de votos e do fortalecimento da sua narrativa.

Há 522 anos Cabral invadia o Brasil e dele se apossava em nome de Portugal. Bolsonaro anda tentando completar o serviço autorizando a devastação do que sobra das terras indígenas. Silveira é pau mandado. Ecoa o que for preciso para se manter em sintonia com o pior. O sonho de Bolsonaro é um pesadelo à luz do dia: asfixiar a democracia.


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A visão de mundo de Bolsonaro não vai além de um quartel. Escola para ele é militar. Liberdade, no seu entender, é bater continência. Silveira é um oportunista que viu o tanque passar e subiu.

Há quem ainda pergunte como chegamos a isso. A resposta deve ser dada por quem votou em Bolsonaro mesmo se dizendo de centro ou de uma direita democrática. O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, e o ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, o mais novo velho amigo de Aécio Neves, embora não queira dividir fotos com ele, estão entre os responsáveis pelo que acontece agora ao Brasil. Como Silveira, mesmo com ressalvas, eles surfaram na onda bolsonarista para se eleger. Afinal, o antipetismo justificava fazer de conta que não se sabia quem era Bolsonaro nem o que ele representava de mediocridade.

Para quem ainda não percebeu, o bolsonarismo é a doença senil dos saudosos da ditadura, da tortura, da censura e do regime dos coturnos. Ou o Brasil para Bolsonaro ou Bolsonaro para o Brasil.

Quem inventou Bolsonaro? A Lava Jato, o mercado e a mídia.

O maior cabo (eleitoral) do capitão foi Sergio Moro. Só que o juiz não pretendia fechar o STF. Só queria abrir uma porta para entrar nele. Como não foi fiel à criatura que engendrou, tomou pé na bunda.

O mercado ainda hesita, a mídia está dividida (a Record ama o capitão) e a Lava Jato foi liquidada pela Vaza Jato. Depois de Tiradentes, o novo herói do Brasil é o hacker Vermelho, aquele que revelou as combinações dos procuradores do MP com Sergio Moro.

Quem vai ganhar? O STF ou Bolsonaro?

Não se sabe.

Quem está perdendo? O Brasil.

Nosso moral anda abaixo dos fundilhos do capitão.


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