Juremir Machado da Silva

Narrativas da Independência

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Narrativas da Independência Foto: Virginia Lucia Campos Mendonça/Creative Commons
“Tem-se dito da Independência do Brasil que foi um desquite amigável entre os reinos unidos. Não há, porém, desquite perfeitamente amigável. Oliveira Lima (O Movimento da Independência, pág. 7) dá-lhe antes o caráter de uma transação entre o elemento nacional mais avançado, que preferiria substituir a velha supremacia portuguesa por um regime republicano, segundo o adaptado nas outras antigas colônias americanas, por esse tempo emancipadas, e o elemento reacionário, que era lusitano, contrário a um desfecho equivalente, no seu entender a uma felonia da primitiva possessão e a um desastre financeiro e econômico da outra metrópole.  Publicidade O grito heroico de 7 de setembro, no Ipiranga, foi assim admiravelmente evocado na palavra de eloquente síntese descritiva do Sr. Conde de Afonso Celso, como presidente do nosso Instituto Histórico, na sessão solene de inauguração do Congresso Internacional de História da América, de 8 de setembro de 1922, convocado esse congresso científico por iniciativa do mesmo Instituto: “Tudo, em tão rápida e singela cena, é grandioso e simbólico: as personagens, o local, as circunstâncias do fato.  “Personagem principal: um jovem de menos de vinte e quatro anos, ao receber comunicações e conselhos de sua preclara esposa, e de um velho sábio, homem de Estado, conjugando-se assim ali a juventude, a experiência, a intuição feminina. 
“Rodeando o príncipe, um sacerdote (o elemento da religião, tão imprescindível quanto àqueles outros), militares, civis, pessoas do povo.
 “Local: sítio desabitado, distante do oceano cosmopolita, vizinho da já histórica antiga Piratininga, modesta colina, humilde ribeiro, mas amplas esplanadas, horizontes intérminos a assinalarem simultaneamente a tradição, o aspecto nacional, o porvir ilimitado, a colaboração dos pequenos, a grande massa anônima, bens como a significação, o alcance do grito que, partindo do interior do país, repercutiu por toda a sua enorme extensão.  
“Foi no fim de uma semana, no terminar uma estação, a do inverno, ao declinar da tarde, isto é, numa fase final e num renascimento; véspera do dia santificado, proximidade da primavera e do desaparecimento do sol para, horas depois, ressurgir.
 “O príncipe não procedeu sem refletir, declarou que era tempo, registrando a oportunidade da decisão que decretou e promulgou, como poder soberano que era. 
“Só depois de publicá-la, despojou-se do abolido emblema e desembainhou a espada, sinal de que a espada deve seguir a lei, para defendê-la e impô-la, se preciso for.
 “Então ele e os circunstantes prestaram o juramento de honra, que quer dizer o de todos os brasileiros: fidelidade e amor à pátria. 
“Deixando o Ipiranga, entrou ele em São Paulo (ainda simbolicamente) pela Rua da Glória; e foi um poeta, um vate, um artista (é a arte quem fornece os louros imarcescíveis) quem primeiro publicamente lhe chamou – Imperador – no teatro, à noite. ”
As narrativas de Marcondes e Canto e Canto e Melo mostram-nos o príncipe presa de um acesso de cólera, amarrotando e lançando ao chão os papéis que recebera, e caminhando em silêncio até a sua montada – uma besta baia gateada – e antes de tomar os estribos, erguer […]

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