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Caso no Rio Branco expõe abordagem racista da Brigada

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Caso no Rio Branco expõe abordagem racista da Brigada Imagem: Reprodução @nietzsche4speed
As cenas de um homem negro ferido sendo contido, revistado, algemado e detido no porta-malas de uma viatura no bairro Rio Branco repercutiram nacionalmente. O homem era um motoboy que tinha chamado a polícia por ter sido agredido no pescoço com uma faca. Os mesmos policiais tiveram postura oposta com o agressor, um homem branco, que ainda teve tempo de ir a seu apartamento antes de ser conduzido, no banco de trás, do carro da Brigada Militar. Ambos foram levados ao Palácio da Polícia e liberados em seguida. O caso foi registrado como vias de fato e não como tentativa de homicídio, apesar do ferimento. O caso ganhou as redes sociais em questão de minutos. Vídeos mostraram testemunhas apontando racismo na abordagem e pedindo, em vão, aos policiais para que o homem negro não fosse algemado. Segundo relato ao Sul21 da psicanalista e integrante da Comissão Estadual de Direitos Humanos, Marina Pombo, “um dos brigadianos nem ouviu, foi pra cima do Everton (vítima) e tentou revistar sem falar nada. Ele, por instinto, disse ‘só um pouquinho, eu sou a vítima’”. Também testemunha e autor das imagens que viralizaram, Renato Levin Borges, complementou: “A violência da polícia com a vítima foi absurda”. Publicidade Ainda no sábado, a Brigada Militar, em nota, informou a abertura de uma sindicância para apurar as circunstâncias – o que foi pedido pelo governador Eduardo Leite (PSDB), que, ao pedir celeridade no procedimento, renovou a confiança no efetivo policial. Segundo o site GZH, integrantes da cúpula da Brigada admitiram possíveis erros na abordagem, mas negaram racismo. O deputado Matheus Gomes (PSOL), cuja equipe jurídica auxiliou a vítima, afirmou que foi registrada queixa contra os policiais envolvidos e que levará o caso às comissões da Assembleia. “Confiar na ação da Corregedoria da Brigada Militar se tornou uma missão impossível”, criticou. Repercussão em Brasília – Ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida viu a abordagem como um exemplo de racismo estrutural e pediu medidas consistentes e constantes das instituições. Ele e a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, afirmaram que suas respectivas pastas irão acompanhar o desfecho do caso. Neste domingo, um ato em solidariedade à vítima ocorreu próximo ao local onde a abordagem aconteceu, reunindo centenas de pessoas. O que mais você precisa saber “É muito difícil ser uma professora negra na UFRGS” – Em julho de 2023, quando a professora Gláucia Vaz chegava para lecionar no curso de Biblioteconomia da UFRGS, foi abordada por um aluno descontente com uma questão de prova. “Ele falou que eu não sabia escutar ninguém, que eu não sabia qual era o meu lugar. E que, ainda que fosse uma mulher (ele usou isso: ‘uma mulher loirinha dos olhos azuis’), eu continuaria sendo perseguida e odiada pelas pessoas”, relatou a docente, à época. Gláucia, uma mulher negra, denunciou o ataque racista. O inquérito que apurou o caso, porém, só foi aberto três meses depois, após um protesto da comunidade acadêmica. Na semana passada, foi deliberada pela expulsão do estudante. Atualmente contando com segurança […]

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