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Um infectado por coronavírus a cada 104 gaúchos

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Um infectado por coronavírus a cada 104 gaúchos

Coronavírus já pode ter infectado mais de 108 mil pessoas no Rio Grande do Sul 

Dobrou a estimativa de casos de Covid-19 no RS. A projeção é da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que concluiu a sexta etapa da pesquisa sobre a prevalência do coronavírus no Estado, realizada um mês depois da fase anterior. O levantamento estimou 108.716 pessoas já infectadas em solo gaúcho. Os dados de ontem da Secretaria Estadual da Saúde davam conta de 64.496 infectados no Estado e 1.750 mortes pela doença. 

Do total dos 4,5 mil testes rápidos feitos pela universidade entre os dias 24 e 26 de julho em nove cidades, a maioria dos casos positivos foram descobertos em Porto Alegre (18), seguido por Passo Fundo (17), Canoas (9), Caxias do Sul, Santa Cruz do Sul e Santa Maria (2 positivos cada) e Pelotas, Uruguaiana e Ijuí (1 positivo cada). Apenas para Porto Alegre, o levantamento sugeriu que 3,6% da população já tenha desenvolvido anticorpos para o vírus, o que totalizaria quase 60 mil pessoas – nos dados da Secretaria Municipal da Saúde, já foram contabilizados 8.045 diagnósticos de coronavírus. 

Durante a apresentação dos resultados, o professor da UFPel Fernando Barros ressaltou que as medidas mais eficazes contra o vírus ainda são o distanciamento social e a higienização. “Uma pessoa positiva que chega em um bar pode infectar 30 pessoas. Atividades que disseminam a infecção precisam parar”, alertou. Conforme ele, não há como identificar o pico da pandemia no RS: “Não me perguntem quando e como vamos chegar ao platô porque depende do vírus e de nós”, afirmou. “Vai depender de como nos comportarmos diante do distanciamento.” 

O governador Eduardo Leite (PSDB) classificou como “preocupante” outro índice também revelado pela pesquisa: apenas 12,6% disseram ficar em casa, uma queda de quase 50% em relação ao começo do estudo, observou. A apresentação dos resultados da fase 6 está disponível neste link. A próxima etapa do estudo terá início em 15 de agosto. 


O que mais você precisa saber

Mais leitos e confusão sobre a fila de UTI – Enquanto a pandemia não dá sinais de arrefecimento no Rio Grande do Sul, a Região Metropolitana de Porto Alegre abriu mais 37 leitos de terapia intensiva pelo SUS. São mais 17 leitos na Santa Casa, em Porto Alegre, mais 10 no Dom João Becker, em Gravataí, e outros 10 no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas. Só a Região Metropolitana concentra 60% dos pacientes com Covid-19 internados em UTI no Estado. Essas ampliações têm reduzido o tempo médio de espera por internações no tratamento intensivo em Porto Alegre. Em julho do ano passado o tempo aguardado para entrar no CTI era de cerca de 25 horas, agora está em 12 horas. Desde a semana passada, a Prefeitura começou a informar em seu dashboard público a quantidade de pacientes já admitidos e internados em grandes hospitais e que aguardam um lugar na UTI. O novo dado, contudo, gerou confusão em alguns médicos e pesquisadores, que acharam se tratar da real fila de espera para leitos intensivos gerada em Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) e hospitais menores de Porto Alegre e outras cidades. Não é o caso. Esse indicador, que também é monitorado pela Prefeitura, não é divulgado.

Rede privada debate o EAD na volta às aulas – Ainda não há uma data para o retorno das atividades presenciais nas escolas gaúchas, mas a possibilidade de um sistema híbrido que contemple aulas online para o ensino básico vem sendo debatida – uma ideia mais avançada no nível superior. Para o presidente do Sindicato do Ensino Privado do RS (Sinepe/RS), Bruno Eizerik, é preciso “repensar o papel da escola, do professor e dos alunos para o futuro”. Sobre a possibilidade de ampliação do EAD no ensino básico em todo o Brasil, a educadora Luísa Guedes alerta para o perigo de transformar em “novo normal” um modelo precário adotado às pressas. Ela ainda destaca a importância da escola como “um lugar que proporciona debate, de encontro com a pluralidade de ideias e com realidades diferentes”. Enquanto a transição para as aulas remotas foi, em geral, eficiente nas instituições privadas, nas públicas a situação é bem diferente. Com dificuldades econômicas, as famílias enfrentam barreiras para acessar a modalidade online. Além disso, segundo a presidente do Cpers-Sindicato, Helenir Schurer, há um medo de que alguns estudantes tenham desistido da educação. Ainda assim ela considera positivo que pais, alunos e professores estejam aprendendo a utilizar a tecnologia a favor do ensino. Pelo menos uma preocupação une redes pública e privada quanto ao retorno às escolas: a saúde emocional dos estudantes depois de tanto tempo confinados.

O setor de calçados – A indústria de calçados no RS perdeu 5,2 mil empregos no mês passado, bem abaixo das 29 mil vagas fechadas em abril. O saldo negativo no semestre ficou em 44 mil postos de trabalho. O polo calçadista do RS, o principal do país, responde por 22% do total produzido e quase metade das exportações no setor. A expectativa da Abicalçados é de que a retomada ocorra no começo do ano que vem. Até fevereiro, a área vinha acumulando recordes de vendas por conta da guerra comercial entre EUA e China, e chegou a dobrar a produção em alguns meses do segundo semestre de 2019. Aliás, a crise também vem diminuindo o ritmo de aberturas de novos CNPJs em todos os setores no Estado: cerca de 13 mil empresas deixaram de se instalar entre janeiro e junho, número 25% menor que o esperado. Na outra ponta, o RS foi o segundo estado que mais fechou contratos do Pronampe. O programa do governo federal destravou créditos de capital de giro para 28 mil micro e pequenas empresas daqui.

Outros links:

  • A obra do Centro de Oncologia do Grupo Hospitalar Conceição vai atrasar em razão da pandemia. A previsão de inauguração, inicialmente para dezembro, foi revista para setembro de 2021.
  • A UFSM vai realizar pesquisa para diagnosticar os impactos da pandemia na saúde mental de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem de sete hospitais de referência do RS.
  • UFPel anunciou que as atividades presenciais, da graduação e pós graduação, estão suspensas por tempo indeterminado. Já a UFRGS prorrogou a suspensão até 31 de agosto.
  • Devido aos quatro meses de baixo movimento, os horários do catamarã foram reduzidos novamente. As viagens de sábado serão interrompidas a partir de 1º de agosto. E um horário da manhã de segunda deixará de ser efetuado.
  • A turbulência gerada pela Covid-19 começa a perder força no Aeroporto Internacional de Porto Alegre. Em junho, o fluxo de passageiros cresceu 61% frente a maio, com elevação percentual maior frente a abril, período mais crítico para o transporte aéreo.
  • Aliás, ontem uma portaria do governo federal reabriu as fronteiras aéreas do Brasil. Porém aeroportos de RS e mais quatro estados seguem proibidos de operar voos internacionais. A medida pode ser revista a qualquer momento, conforme avaliação da Anvisa.
  • O secretário nacional de Cultura, Mário Frias, deve vir ao Estado. Em reunião realizada ontem com o presidente da Frente Parlamentar Gaúcha, Ronaldo Santini, e outras autoridades locais, se revelou um apaixonado pelas “tradições gaúchas”.
  • Classificados para a semifinal do returno do Gauchão, Grêmio e Inter voltam a pressionar a Prefeitura pela liberação dos jogos em Porto Alegre. Os clubes, com a Federação Gaúcha de Futebol, terão reunião com Marchezan hoje à tarde para tratar do assunto.


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Cultura

A viola também é do Sul

O grupo Violas ao Sul. Foto: Ed Oliveira

News #124 do Roger trouxe entre seus destaques uma reportagem sobre a presença da viola no Estado, instrumento celebrado no Festival Violas ao Sul, evento online promovido pelo projeto Ecarta Musical. “Houve um processo lento de invisibilização da viola”, afirma o músico Angelo Primon, integrante do grupo Violas ao Sul, que organiza o festival. “Em alguma medida, tocar e falar da história da viola no Rio Grande do Sul é quase uma resistência político-cultural”, completa. Clique aqui para saber mais sobre a história da viola no Estado e conferir a programação do evento.

AgendaÀs 16h, o projeto Meu Filme Favorito recebe o ator e escritor Lázaro Ramos em um bate-papo com Roger Lerina sobre o longa-metragem Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016).

Frank Jorge participa de mais uma edição virtual do projeto Mistura Fina, às 18h30min. 

Fundação Bienal do Mercosul anunciou que a Bienal 12 não terá eventos presenciais devido à pandemia. O encerramento do programa de lives da edição acontece às 19h, reunindo a equipe curatorial da mostra – relembre nossa primeira e segunda visita virtual à exposição.

Às 22h, o Circo Petit POÁ adapta a linguagem circense ao ambiente virtual.

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Você viu?

Com a vitória da vida encerrarmos a newsletter de hoje: teve alta, após mais de 160 dias internada, a pequena Marina Rodrigues Daboit. Ela nasceu extremamente prematura, no dia 12 de fevereiro, após uma gestação de apenas 22 semanas, o que a deixava com menos de 10% de chance de sobreviver. Desde então, recebeu cuidados intensivos no Hospital Moinhos de Vento, o que fez com que os primeiros momentos de descoberta e evoluções fossem compartilhadas entre a família e a equipe do hospital. “O primeiro colo, foi um colo ‘roubado’, com sete dias de vida. Foi na troca de incubadora e a enfermagem teve a sensibilidade de deixar eu segurar ela. Transbordei de amor”, lembrou a mãe, Andressa Rodrigues. O médico de neonatologia Alexandre Holmer Fiore comemorou a vitória de Marina: “Ela saiu muito bem, muito melhor do que a equipe esperava”, contou. “Saiu sorrindo.”