Reportagem

Alerta da prefeitura chega após água avançar nos bairros Cidade Baixa e Menino Deus

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Alerta da prefeitura chega após água avançar nos bairros Cidade Baixa e Menino Deus Água avançou com rapidez por ruas dos bairros Cidade Baixa e Menino Deus | Foto: Martina Lersch

Centro de triagem para abrigados, no Teatro Renascença, teve de ser evacuado. Enchente foi agravada por desligamento de estação de bombeamento 

No começo da tarde de segunda-feira, o Dmae informou o desligamento da Estação de Bombeamento de Água Pluvial 16, localizada próxima da Rótula das Cuias, a pedido da CEEE Equatorial, que alegou a adoção de medidas de segurança. Em seguida, foi publicado um alerta na conta oficial da prefeitura para que os moradores dos bairros Cidade Baixa e Menino Deus deixem suas casas e procurem abrigo seguro em casas de familiares ou abrigos disponibilizados pela prefeitura.

Contudo, o desligamento por risco elétrico ocorreu por volta das 11h30, conforme o prefeito Sebastião Melo informou em coletiva no meio da tarde. O vídeo com o alerta do prefeito nas redes sociais é das 14h36, quando ele explicou que o desligamento seria a principal razão de o nível da água estar subindo nos bairros Cidade Baixa e Menino Deus. “Quero recomendar aos moradores que saiam dessas regiões”, disse.

Mesmo antes do alerta de evacuação, por volta das 13h, a reportagem da Matinal presenciou pessoas carregando carros e abandonando áreas dos bairros Cidade Baixa e Menino Deus com menor elevação topográfica. 

Foto Martina Lersch

Desde domingo, moradores da avenida Praia de Belas, no limite com a Cidade Baixa, já notavam o avanço do alagamento na altura da Igreja Pão dos Pobres. O acúmulo de água neste ponto se agravou ao longo da madrugada. Às 10h de hoje, o alagamento já tomava conta da rua lateral da igreja, chamada Praça Cônego Marcelino, indo até a via de trás, a Baronesa do Gravataí. A água avançou rápido. Às 13h, já estava no cruzamento da Erico com a Múcio Teixeira. 

Com o avanço pela avenida Erico Verissimo, o Teatro Renascença, que estava servindo como centro de triagem e acolhimento temporário para pessoas resgatadas e desabrigadas, começou a ser evacuado. Um trecho da avenida Getúlio Vargas teve o trânsito bloqueado. Na coletiva da tarde, Melo citou que alguns pontos da região, mais próximos à Loureiro, a água pode chegar a 1,5m de altura ou até 2m.

Dois ou três dias de elevação da água nos bairros

Av. Praia de Belas com República às 11h desta segunda

Embora o nível do Guaíba fosse considerado estável nesta segunda-feira, a cheia do lago vinha ampliando seu alcance na região de Menino Deus e Cidade Baixa antes mesmo do desligamento da casa de bombas 16. O hidrólogo Pedro Henrique Bof explica que a parte da cheia no espaço urbano de Porto Alegre ainda não está nivelada com o Guaíba. O volume pode se espalhar pela rede de esgotos, por brechas de comportas e casas de bomba que não estão funcionando adequadamente ou são desligadas, como foi o caso da estação de bombeamento 16.

“A água vai seguir subindo até igualar o nível do Guaíba. Enquanto isso, o nível do Guaíba está baixando, mas como ele tende a seguir como está mais dois ou três dias, teremos mais dois ou três dias de água subindo (na cidade). A tendência é uma velocidade decrescente que terá picos de aumento toda que vez perdermos uma estrutura”, explica o hidrólogo.

Projeções da UFRGS se confirmam 

O Grupo de Pesquisa em Desastres Naturais (GPDEN) do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS divulgou nota técnica após visitas realizadas no domingo (5/5) a áreas inundadas de Porto Alegre, visando comparar cenários simulados de inundação com observações de campo. “A análise comparativa utilizando os dados de campo permitiu verificar que os cenários de inundação simulados representam, com grande assertividade, a realidade que a cidade de Porto Alegre está enfrentando”, afirma a nota, que faz referência a um mapa interativo, elaborado pelo IPH, que simula uma inundação de 5,5 metros – pouco mais de 20 cm acima do nível observado no Guaíba nos últimos dias –, o cenário da cheia de 1941 e considera falhas do sistema de proteção formado por muro, diques e casas de bombas.

Outro mapa – acessível aqui – elaborado pelo IPH aponta prováveis profundidades máximas de uma cheia com cota de 5,5 metros, utilizando “estimativas de declividade da lâmina d’água do Guaíba, de forma conservadora, considerando-se falha total e absoluta dos sistemas de proteção contra inundações da cidade”, informa a legenda. “Esse se configura como o pior cenário que pode ocorrer com base nas previsões hidrológicas mais recentes. Muitas regiões podem não estar atualmente vivenciando estes cenários por diversos motivos”, ponderam os pesquisadores.

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