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Com previsão de nova cheia histórica no Guaíba, 16 casas de bombas seguem desligadas

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Com previsão de nova cheia histórica no Guaíba, 16 casas de bombas seguem desligadas Na perspectiva menos otimista a cheia podechegar à cota máxima de 5,50m. Foto: Divulgação/PMPA

A chuva voltou com força a Porto Alegre na quarta-feira (8) e não deu trégua até o fim de semana. Após cinco dias de baixa sustentada no nível do Guaíba e nos rios que nele deságuam, a perspectiva é de nova subida. Segundo o Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS, todos os modelos de previsão indicam agravamento das inundações e cheia duradoura.

A tendência é que o Guaíba volte a atingir o patamar de 5m. Na perspectiva menos otimista, que está se confirmando, a cheia pode ultrapassar  o ápice registrado no domingo passado (5), de 5,35m, chegando  à cota máxima de 5,50m. Com a nova elevação, as entradas de água na cidade pelas comportas e casas de bomba que falharam devem continuar, afirma o professor Fernando Dornelles, doutor em recursos hídricos e integrante do IPH.

Das 23 estações de bombeamento de águas pluviais (EBAPs) que compõem o sistema de drenagem de Porto Alegre, há sete em operação, na tarde deste domingo: as casas de bomba 11A e 11B (que ficam no bairro Cristal, zona sul da cidade), a 7 (na avenida Sertório, zona norte), 12 (em frente ao Parque Gigante, na Av. Edvaldo Pereira Paiva), 14 (na Av. Ipiranga, na altura da sede da Polícia Federal), 15 (também na Av. Ipiranga, na esquina com a Av. Érico Veríssimo) e 19 (na Av. Ipiranga, esquina com a Rua Jacinto Gomes). As outras 16 foram desligadas, de acordo com o Dmae, por conta da inundação e também por riscos de choque elétrico.

O departamento informa que servidores têm trabalhado para recuperar a EBAP 6, próxima ao Aeroporto Salgado Filho, para depois poder acessar a casa de bombas de número 5, ao sul da Arena do Grêmio, no bairro Farrapos.

De acordo com o professor Fernando Dornelles, doutor em recursos hídricos e integrante do IPH, os prognósticos de cheia dentro de Porto Alegre dependem da evolução do restabelecimento das casas de bomba. Sobre a EBAP 6, cuja restauração está em andamento, o pesquisador diz que auxiliaria a região do bairro Anchieta, as proximidades da Ceasa e o aeroporto.

“Estão construindo uma ensecadeira em volta dela, um dique provisório, para conseguir drenar, secar o motor, e então poder ligar. São motores que ficaram submersos e, portanto, não puderam ser ligados”, explica.

Indo dessa região em direção ao sul, as perspectivas não são alentadoras. As EBAPs 4, 3, 2 e 1, que vão acompanhando a avenida. Castelo Branco até a Rodoviária, estão todas inoperantes. A partir dali, no centro, as casas de bomba da Mauá – a 18, na altura da rua Pinto Bandeira, e a 17, próxima à sede do Tribunal de Contas do Estado – também não funcionam.

“Com toda essa chuva, com os vazamentos, as entradas de água que foram o grande problema, pelas comportas, continuam. O que eu vejo de perspectiva, para baixar a água, só quando o nível do Guaíba descer”, afirma Dornelles.

Diques provisórios podem ajudar

Outras ações do Dmae, como a construção de diques provisórios entre as distintas regiões da cidade, podem prevenir alagamentos mais graves. “Fizeram um na ponta da rua Duque de Caxias, para a água do centro não vir para a região ali do Parque da Harmonia, para a Cidade Baixa, isolaram essa área. Pois a EBAP 15 está funcionando, perto do Teatro Renascença”, explica o professor. “Mas também não vai melhorar muito”, explica.

Há, por parte dos pesquisadores, certeza de que a inundação vai “demorar muito” para descer integralmente. Isso porque há casas de bomba submersas com mais de dois metros de água. Para ligá-las, o Guaíba precisará ter baixado de modo substancial. É necessário, para o professor, abrir as comportas que não funcionam, assim que houver uma perspectiva de descida do Guaíba. Tanto que, neste domingo, a água acumulada no Centro Histórico ficou mais alta do lado de dentro do muro.

“O copo transbordou”

Essa subida do nível do Guaíba se dá principalmente pelas chuvas nas bacias dos rios Jacuí, Taquari, Caí, dos Sinos, Paranhana e Gravataí. Volumes chegaram a quase 300mm (milímetros) na região dos Campos de Cima da Serra, até este domingo (12), onde nascem muitos cursos d’água que deságuam no Guaíba, e entre 100mm e 200mm no planalto e no centro do estado, nos vales, na serra e no litoral. Soma-se a isso o prognóstico de vento sul mais intenso, na casa dos 50 km/h, na Laguna dos Patos na segunda e terça-feira, o que pode represar o escoamento .

“Os rios mal tiveram tempo de baixar e soma-se um segundo evento de chuva com volumes altíssimos. Numa analogia, o copo transbordou, seguia quase cheio e volta a transbordar com a injeção de muito líquido”, ilustra a Metsul Meteorologia, em uma publicação neste domingo, na qual afirma que os repiques das cheias serão “graves”.

Outra preocupação refere-se ao ingresso de uma massa de ar frio nesta semana, a partir da segunda-feira – a primeira de maior intensidade nesta temporada. Atuará sobretudo na metade sul do estado, pois o norte gaúcho terá ainda chuvas substanciais. 

A temperatura, na quarta-feira, pode ficar na casa dos 5ºC na região metropolitana, com 2ºC a 3ºC na região central e na serra, e  temperaturas negativas nas serras do sudeste do estado. Com isso, cresce a necessidade de doação de itens de frio, e de cuidados com as equipes de resgate que ainda atuam em áreas alagadas. 

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