Reportagem

Desconexão com a natureza e justiça climática: palestrantes apontam problemas e saídas para as mudanças climáticas

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Desconexão com a natureza e justiça climática: palestrantes apontam problemas e saídas para as mudanças climáticas Primeira edição do Festival Cidade das Ideias ocorreu no Centro Cultural da UFRGS | Foto: Filipe Speck

No início de uma noite chuvosa em Porto Alegre, a Matinal deu a largada no festival Cidade das Ideias, promovendo um debate sobre a crise climática. O evento, realizado no Centro Cultural da UFRGS e mediado pela editora-chefe da Matinal, Marcela Donini, contou com a presença do gerente de desenvolvimento urbano do WRI Brasil, Henrique Evers, e do diretor científico da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Francisco Milanez. 

Ao longo de quase uma hora e meia, os convidados apresentaram suas visões sobre a emergência climática e apontaram possíveis soluções para as cidades. O consenso entre eles foi a reconexão com a natureza.

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Reconexão

“A cidade tem que trazer de volta a sua natureza” bradou Milanez, pontuando que este seria um ponto de começo para restaurar o meio ambiente natural dos locais. “Porto Alegre tem que trazer as pitangueiras, os butiazeiros, para que nós consigamos viver de forma minimamente razoável dentro da cidade”, complementou. O biólogo e urbanista lembrou do caso de Muçum, que foi arrasada com as enchentes de setembro. O município, segundo Milanez, foi um dos que mais desmatou suas matas. 

Em sua explanação, Milanez elencou diversos efeitos colaterais causados a partir deste distanciamento com o ambiente natural: “O maior problema da humanidade hoje se chama desconexão”. “Desconexão da natureza e, no final, de nós mesmos”, completou.

“Justiça climática”

Henrique Evers destacou que o entendimento sobre a emergência climática deve ser compreendido no contexto das cidades, em especial num momento em que os eventos também têm se tornado mais fortes nas cidades. “Agora estamos sentindo na pele ciclones, enchentes, ondas de calor. As pessoas estão se dando conta que isso é agenda climática. Neste ano caiu a ficha”, disse.

Para o gerente do WRI, o momento pode ser chave para minimizar problemas históricos do desenvolvimento urbano e combater a desigualdade. “Os impactos ambientais afetam de forma desigual as cidades. Quem sofre de forma mais forte são aquelas pessoas vulneráveis e com menor renda”, afirmou. “É preciso justiça climática para trazer as pessoas para o centro da discussão. Talvez consigamos, a partir de agora, fazer a discussão que já precisávamos ter feito sobre como dar moradia digna nos centros das cidades e não em áreas afastadas que geram uma série de problemas”, disse. Evers destacou que já existem soluções baseadas na natureza, tecnologias milenares que devem ser usadas para pensar a adaptação nas cidades.

“Ir na origem das questões”

Evers nota um avanço na discussão sobre mitigação e adaptação aos efeitos climáticos. Ele ressaltou a necessidade da adaptação às mudanças e destacou que a pauta ganhou força nas discussões da COP28, que ocorre em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, até a próxima semana. 

Por sua vez, Milanez recitou o mantra ambiental do “pensar globalmente e agir localmente” para enfatizar as ações: “Precisamos pensar com mais profundidade e ir na origem das questões. A solução passa pela cidadania e por agir localmente”. 

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