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Núcleo Menos1 Invisível evoca novas formas de habitar o mundo em “Poemas Atlânticos”

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Núcleo Menos1 Invisível evoca novas formas de habitar o mundo em “Poemas Atlânticos” Foto: Kelson Barros/Divulgação

O espetáculo Poemas Atlânticos, nova criação do Menos1 Invisível Núcleo de Dança, inspirada no pensamento do ensaísta, filósofo e poeta negro martinicano Édouard Glissant, para abordar a necessidade de trânsito e cooperação inter-racial como forma de sobrevivência num mundo hostil ao diferente, tem apresentações de 22 a 25 de julho, sempre às 21h, em parceria com a Oficina Cultural Oswald de Andrade, com transmissão direta pelo YouTube.

O quadro Navio Negreiro (1840), do pintor pré-impressionista Willian Turner, que corajosamente denuncia o descarte criminoso de milhares de pessoas africanas escravizadas no século 19, também serviu de ignição para o aprofundamento da pesquisa de criação.

Por meio da metáfora poética do Mar, simbolizando desde o líquido amniótico de onde todos viemos, até a imensidão e mistério oceânicos para onde retornaremos, os sete bailarinos-criadores – Edi Cardoso, Felipe Cirilo, Mônica Caldeira, Paulina Alves, Rafael Carrion, Rafael Markhez e Cléia Plácido – dançam, primeiro, a escassez, a tentativa de manter-se e sustentar relações insustentáveis, até uma total transformação a partir da convivência e da força da coletividade, revelando novas formas de habitar o mundo, de celebrar a vida e a coexistência, sem a criação de muros – reais ou abstratos.

Elementos poético-cenográficos, como o balde que, sobre a cabeça, remete à reminiscência da lata d’água tão presente nos sertões do mundo afro-atlântico e nas lembranças de infância periféricas, retratam as relações de poder, subjugação e ausência, mas também provocam outras presenças e memórias que ecoam vitalidade, pertencimento e resiliência. “Escolhemos mergulhar nesses mares afro-atlânticos, em nossas histórias pessoais, incômodos e anseios relativos à ideia de africanidades e ancestralidades. Um movimento mais ao sul que, entretanto, não foge de novas fricções e conflitos”, pondera Cléia Plácido, que também dirige o espetáculo.

Criação coletiva, Poemas Atlânticos tem luz de Hernandes Oliveira, trilha sonora de Sandra-X e Valquíria Rosa, com participação de Pedro Peu, e figurinos assinados por Samara Costa. Durante o processo de criação, Wellington Duarte (Núcleo Entretanto) atuou como provocador dramatúrgico e Eduardo Fukushima e Pedro Peu colaboraram na preparação corporal.

O espetáculo integra o projeto Mergulho, contemplado pela 28ª Edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo.

quinta-feira, 22 a 22 de julho de 2021 | 21h00

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