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Um festival de cinema solar

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Um festival de cinema solar
No imaginário geral, Punta del Este segue sendo um sinônimo de veraneio sofisticado internacional. A cidade balneária uruguaia efetivamente ainda se destaca pelo charme das praias acolhedoras, das butiques e restaurantes refinados e da vida noturna agitada – ainda que as mudanças econômicas, sociais e políticas que o país vizinho vem sofrendo nas últimas décadas tenha desbastado um pouco desse fulgor. Mas o luxuoso destino turístico localizado em uma península no sudeste do Uruguai, a 131 quilômetros de Montevidéu, também oferece atrativos culturais notáveis – como o Festival Internacional de Cine de Punta del Este, cuja 23ª edição se iniciou no sábado (15/2) e segue até a próxima sexta-feira (21/2). Um dos mais antigos eventos do gênero no continente latino-americano, o festival surgiu em 1951 emulando Cannes e Veneza, mas teve uma trajetória errática, com períodos de interrupção em sua realização. Entre os orgulhos da mostra está a pioneira exibição de Juventude (1951), de Ingmar Bergman – revelando ao mundo o talento do então iniciante diretor -, e as presenças ao longo dos anos de astros internacionais como Joan Fontaine, Gérard Philipe, Pedro Armendáriz e Silvana Mangano. O Festival de Punta del Este de 2020 se iniciou com a exibição na Sala Cantegril – um dos três locais de programação dos filmes – de El Asesino de los Caprichos, com as presenças do diretor Gerardo Herrero e da atriz Maribel Verdú. O thriller policial espanhol sobre uma misteriosa série de assassinatos em Madri que reproduzem teatralmente imagens das gravuras de Goya que criticavam a moral, os costumes e os poderosos de sua época foi exibido fora de concurso. A competição de longas-metragens inclui dez títulos ibero-americanos – sendo dois brasileiros, ambos dirigidos por mulheres: Aos Olhos de Ernesto, de Ana Luiza Azevedo, e A Febre, de Maya Da-Rin. Entre as produções que disputam os prêmios, estão a mexicana Chicuarotes, dirigida pelo ator Gael García Bernal, o documentário uruguaio Cordera, la Fábula del Escorpión, sobre o polêmico líder da banda de rock Bersuit Vergarabat, e a argentina La Forma de las Horas, drama assinado por Paula de Luque selecionado no último Festival de Gramado. Já a mostra não competitiva Panorama Internacional totaliza 28 filmes recentes, com representantes de diversos países, com predominância da Argentina e do Uruguai. Do Brasil, serão projetados A Cabeça de Gumercindo Saraiva, de Tabajara Ruas, O Juízo, de Andrucha Waddington, Pacarrete (Kikito de melhor longa nacional em Gramado), de Allan Deberton, e a estreia mundial de Trinta Povos, de Zeca Brito – além do documentário Onde Está João Gilberto?, dirigido pelo suíço Georges Gachot. O vínculo de Punta del Este com o cinema gaúcho – e, em especial, com Gramado – estreita-se ainda mais com uma mostra de curtas exibidos no festival serrano. A primeira coletiva de imprensa, no domingo (16/2) ao meio-dia, proporcionou aos festivaleiros o melhor de Punta: em uma ensolarada tarde de límpido céu azul – porém excessivamente quente -, os representantes do filme de abertura conversaram com jornalistas na desbundante Casapueblo. Mistura de […]

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