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“Disco Boy” reinventa o filme de guerra com batidas eletrônicas

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“Disco Boy” reinventa o filme de guerra com batidas eletrônicas Pandora Filmes/Divulgação

Premiado no Festival de Berlim deste ano com o Urso de Prata de Melhor Contribuição ArtísticaDisco Boy: Choque Entre Mundos (2023) é estrelado pelo alemão Franz Rogowski em uma atuação poderosa. Dirigido pelo estreante italiano Giacomo Abbruzzese, o filme mostra as consequências da improvável conexão de um soldado legionário e um guerrilheiro nigeriano.

Aclamado como uma obra incendiária e poética que reinventa o filme de guerra, Disco Boy foi exibido em junho no Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba. O longa acompanha a jornada de Aleksei (Rogowski), um imigrante que foge de sua Belarus natal em busca do sonho de viver na França. Após uma dolorosa viagem pela Europa, em que perde pelo caminho seu companheiro de jornada, o jovem chega a Paris e se junta à Legião Estrangeira com a promessa de assim conseguir sua permanência no país.

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Paralelamente, no Delta do Níger, Jomo (Morr Ndiaye) é um revolucionário envolvido em uma luta armada para defender sua comunidade do governo nigeriano corrupto e da exploração de indústrias estrangeiras. Após o grupo de Jomo sequestrar cidadãos franceses, Aleksei é enviado para comandar uma operação naquele local – e entre o soldado europeu e o guerrilheiro africano surge uma forte ligação que vai além de diferenças culturais, corpos, vida e morte, embalada pelo som hipnótico das batidas musicais.

Pandora Filmes/Divulgação

Indicado ao prêmio César de 2022 pelo curta-metragem documental America (2020), Giacomo Abbruzzese diz que chocar os mundos de Aleksei e Jomo foi uma maneira de trabalhar com aspectos de diferentes perspectivas: “Estamos acostumados a ver conflitos assim contados de um único ponto de vista na tela. O outro, o inimigo, raramente existe como uma entidade complexa. Eu acredito que o cinema é, acima de tudo, uma questão de olhar e de mudança de pontos de vista. Nesse filme, contar a história de ambos os lados é uma questão política, narrativa e também de encenação”.

Além de assegurar igualdade no protagonismo narrativo compartilhado entre Aleksei e Jomo, também interessou ao cineasta afastar-se do maniqueísmo. “Aleksei e Jomo estão em lados opostos, mas ambos compartilham uma certa gentileza, uma fragilidade fundamental por baixo da superfície de seus corpos de soldados poderosos. Eu queria me afastar dos estereótipos de virilidade e violência que caracterizam muitas histórias como essa. Gosto da ideia de que a força física possa ser acompanhada por uma certa fragilidade e um olhar atormentado. É esse contraste que me interessa”, explica Abbruzzese.

Experiência sensorial que por vezes flerta com o realismo fantástico, Disco Boy tem fotografia expressiva assinada por Hélène Louvart – diretora de fotografia francesa de filmes como A Vida Invisível (2019), do brasileiro Karim Aïnouz, e Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre (2020), da norte-americana Eliza Hittman. O resultado é um amálgama visualmente coeso e fluido, que mistura imagens de traumas psicológicos, alucinações, sonhos e enigmáticos eventos sobrenaturais.

Pandora Filmes/Divulgação

Outro destaque do filme é a trilha sonora vibrante assinada por Vitalic. DJ e produtor francês com ascendência italiana, o artista utiliza a pulsação repetitiva e envolvente da música eletrônica para ampliar a sensação de lisergia das imagens.

Já o ator Franz Rogowski – visto em produções como Em Trânsito (2018), de Cristian Petzold, Uma Vida Oculta (2019), de Terrence Malick, e Great Freedom (2021), de Sebastian Meise – encarna com talento seu complexo personagem, exprimindo muito mais com o corpo do que com palavras a inquietação existencial do protagonista.

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Disco Boy: Choque Entre Mundos: * * * * *

COTAÇÕES

* * * * * ótimo     * * * * muito bom     * * * bom     * * regular     * ruim

Assista ao trailer de Disco Boy: Choque Entre Mundos:

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