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“Downton Abbey II” investe no discreto charme da aristocracia

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“Downton Abbey II” investe no discreto charme da aristocracia Universal Pictures/Divulgação

Depois de receber o rei e a rainha da Grã-Bretanha em sua faustosa propriedade no filme de 2019, a aristocrática família Crawley retorna à tela grande envolvida com o mundo plebeu do cinema em Downton Abbey II: Uma Nova Era (2022). Dirigida por Simon Curtis, a sequência cinematográfica da série de TV que faturou 15 prêmios Emmy entra em cartaz nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (28/4), trazendo de volta o elenco tradicional da produção – que inclui nomes como Maggie Smith, Hugh Boneville, Elizabeth McGovern, Imelda Staunton e Michelle Dockery – e novos rostos, como Dominic West, Hugh Dancy e Laura Haddock

A narrativa de Downton Abbey II gira em torno de duas tramas concomitantes: a condessa viúva (Maggie Smith) surpreende todos ao anunciar que acaba de herdar uma vila no sul da França deixada em testamento por um antigo admirador do passado; ao mesmo tempo, o clã aceita com certa relutância conviver durante um mês com a equipe de um filme que pretende usar Downton como locação, oferecendo em troca uma quantia considerável de dinheiro pelo aluguel, que chega em boa hora para os Crawley. Enquanto metade da família viaja para conhecer a herdade francesa e tentar desvendar os segredos do passado da matriarca Violet, os restantes permanecem na mansão convivendo com artistas de cinema como o galã Guy Dexter (Dominic West), a estrela caprichosa Myrna Dalgleish (Laura Haddock) e o diretor Jack Barber (Hugh Dancy).

Universal Pictures/Divulgação

O clima novelesco característico da série Downton Abbey perpassa também o segundo filme da franquia: há perfume de romance, segredos familiares roçando a superfície, patrões e empregados interagindo uns com os outros, desencontros e reconciliações, casamento e funeral. O tom, no entanto, é leve, ressaltando mais o humor e a graça do que o drama e a gravidade dos eventos e passando ao largo de temáticas mais complexas como as disputas sucessórias, as brigas por poder ou os conflitos de classes – que, aliás, parece não existirem na edulcorada paisagem de Downton.

Uma escolha determinante para que Downton Abbey II não enveredasse para o melodrama é a ênfase para o enredo que envolve os Crawley com a sétima arte: planejado originalmente para ser mudo, o filme rodado na suntuosa Downton tem que ser adaptado no meio do caminho à chegada do som no final da década de 1920 – circunstância que propicia deliciosas e nostálgicas situações cômicas parecidas com as do clássico musical Cantando na Chuva (1952), ambientado nessa mesma ´época de transição para o cinema falado. Os comentários irônicos e ácidos de lady Violet sobre a mundanidade e a vulgaridade do cinema, aliás, são das melhores coisas de Downton Abbey II, desarmando a pomposidade e a rigidez do comportamento aristocrático britânico e conferindo ao filme um simpático charme autoderrisório.

Universal Pictures/Divulgação

Universal Pictures/Divulgação

Downton Abbey II: Uma Nova Era: * * *  

COTAÇÕES

* * * * * ótimo     * * * * muito bom     * * * bom     * * regular     * ruim

Assista ao trailer de Downton Abbey II: Uma Nova Era:

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