Cinema | Reportagens

Festival de Punta del Este destaca cinema brasileiro

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Festival de Punta del Este destaca cinema brasileiro Bruna Spinola e René Sampaio. Foto: Claudia Beltrán/Divulgação

O Festival Internacional de Cine de Punta del Este chega a sua 24ª edição levando ao balneário uruguaio uma interessante e variada seleção de filmes ibero-americanos recentes. Realizado de 15 a 20 de fevereiro, o evento exibe dois títulos brasileiros na competição – coincidentemente, ambos dirigidos por atores baianos: Marighella, de Wagner Moura, e Medida Provisória, de Lázaro Ramos. O filme de abertura, exibido fora de concurso na Sala Cantegril – tradicional sede do festival –, também veio do Brasil: Eduardo e Mônica, de René Sampaio.

A lista de filmes na disputa das quatro categorias do Premio Mauricio Litman – empresário e empreendedor que promoveu em 1951 a primeira edição do Festival de Punta del Este – completa-se com El Año de la Furia (Uruguai/Espanha/Argentina), Inmersión (Chile), Inmortal (Argentina), Carajita (República Dominicana/Argentina), Dirección Opuesta (Venezuela) e Boreal (Paraguai/México). O longa de encerramento do certame, exibido durante a cerimônia de premiação, será o espanhol El Buen Patrón, dirigido por Fernando León de Aranoa e com Javier Bardem no elenco.

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Com coordenação geral de Jorge Céspedes, diretor geral de Cultura da província de Maldonado, e programação da jornalista Daniela Cardarello, o Festival de Punta del Este inclui ainda duas mostras panorâmicas internacionais – uma de filmes de ficção e outra de documentários – e uma retrospectiva dedicada ao cineasta italiano Federico Fellini. Além da Sala Cantegril, a programação ocupa também o Teatro Casa de la Cultura, o Teatro de Verano Margarita Xirgu e o Grupocine.

Inspirado nos modelos de Cannes e de Veneza, o Festival de Punta del Este foi inovador no começo da década de 1950 exibindo filmes como Juventude (1951), de Ingmar Bergman, quando o cineasta sueco era praticamente desconhecido fora da Europa. Com uma trajetória errática, marcada por dificuldades financeiras e diversos períodos de interrupção, o evento realizado na badalada praia da costa uruguaia já recebeu nomes de destaque do cinema internacional como Anita Ekberg, Yul Brynner, Jeanne Moreau, Yves Montand, Luis García Berlanga, Claude Lanzmann, Sophie Marceau, Carmen Maura, James Ivory e Maribel Verdú.

Sala Cantegril. Foto: Claudia Beltrán/Divulgação

No ano passado, por causa da pandemia, o festival não foi realizado. A edição anterior, em 2020, consagrou com os prêmios principais os brasileiros A Febre (2019), de Maya Da-Rin, e Aos Olhos de Ernesto (2019), da realizadora gaúcha Ana Luiza Azevedo.

Acompanhado da esposa, a atriz Bruna Spinola, o diretor René Sampaio assistiu a Eduardo e Mônica na noite de terça-feira (15/2). Na manhã seguinte, em encontro com a imprensa, o realizador comentou sua paixão pela Legião Urbana – seu longa anterior, Faroeste Caboclo (2013), também adapta para o cinema uma canção célebre da banda brasiliense: “A ideia é fazer uma trilogia de Legião Urbana, mais um filme. Eu sou de Brasília, e a Legião é a banda mais importante dos anos 1980 e 1990 no Brasil. Eu tinha 14 anos quando escutei Faroeste Caboclo e decidi: ‘Quero fazer cinema e esse vai ser meu primeiro filme’”.

Segundo Sampaio, Eduardo e Mônica recupera muito de sua adolescência: “O filme não é autobiográfico, mas é autorreferenciado. Os carrinhos, o pôster de Malu Mader, são referências minhas”. Como não poderia ser diferente, a música está muito presente no filme e desempenha às vezes uma função narrativa. Além de canções da Legião Urbana, a trilha sonora inclui artistas brasileiros como Titãs, Mutantes e Tim Maia, além de nomes do pop rock internacionais como The B-52s e The Clash.

“Quase 10% do orçamento do filme foi para pagar os direitos autorais, cerca de 200 mil dólares, o que é muito. Mas era necessário para o filme. Eu queria usar I Wanna Be Sedated, dos Ramones, mas eles nem responderam aos contatos”, explicou Sampaio.

O cineasta disse estar contente com o desempenho comercial de seu filme no Brasil: “Faroeste Caboclo fez 1,5 milhão de espectadores, o que é ótimo. Eduardo e Mônica está chegando aos 400 mil, um número muito bom diante da situação atual de pandemia”. Com Eduardo e Mônica pronto desde 2020, Sampaio revela que resistiu à tentação de colocar o longa direto nas plataformas por conta da situação instável de funcionamento dos cinemas: “Nos ofereceram muito dinheiro para estrear o filme diretamente em uma plataforma de streaming, mas queríamos estrear nos cinemas. Fizemos o filme para o cinema, e achamos que fizemos certo assim. Ficamos esperando um ano e meio para estrear o filme. Ele vai entrar nos VODs (vídeos sob demanda) só daqui a três meses”.

* Roger Lerina viajou a convite do 24º Festival Internacional de Cine de Punta del Este

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