Cinema | Notas

Festival de Punta del Este consagra o cinema brasileiro

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Festival de Punta del Este consagra o cinema brasileiro
Como se diz no jargão futebolístico, deu a lógica: A Febre, de Maya Da-Rin, foi eleito o melhor filme do 23º Festival Internacional de Cine de Punta del Este. O longa sobre um indígena que vive e trabalha em Manaus, dividido entre sua cultura originária e o mundo dos brancos, também levou na cerimônia de premiação da noite de quinta-feira (20/2) o troféu de melhor direção e o prêmio da crítica uruguaia de melhor filme. Já Aos Olhos de Ernesto, de Ana Luiza Azevedo, ganhou como melhor filme do júri popular e melhor ator – concedido ao ótimo uruguaio Jorge Bolani. Essa consagração do cinema brasileiro no evento realizado nesta semana no charmoso balneário uruguaio foi absolutamente justa: os filmes dirigidos por Maya e Ana Luiza efetivamente eram os melhores entre os 10 títulos concorrentes – aliás, uma seleção de recentes produções ibero-americanas de alto nível, assinada pela programadora Daniela Cardarello, e que inclui o mexicano Chicuarotes, dirigido pelo ator Gael García Bernal, o peruano Canción sin Nombre, de Melina León, e o chileno El Príncipe, estrelado pelo excelente Alfredo Castro. A presença feminina em Punta, por sinal, foi significativa e relevante: metade dos longas da competição oficial foi realizada por mulheres, que também responderam por boa parte dos filmes exibidos fora de competição na mostra Panorama Internacional. O Premio Mauricio Litman – cujo nome homenageia o empresário que criou o festival em 1951 – foi outorgado ainda à jovem estreante Carmen Arrufat, escolhida melhor atriz pelo empolgante filme espanhol La Inocencia, dirigido pela também novata Lucía Alemany, e ao veterano Jorge Bolani. Matar a um Muerto, envolvente filme paraguaio de Hugo Giménez sobre a convivência entre dois homens em uma mata erma, encarregados de enterrar corpos de opositores políticos durante a ditadura militar, mereceu uma menção honrosa do júri oficial. Depois da premiação na Sala Cantegril – um dos três locais de exibição do festival -, foi projetado fora do concurso o filme de encerramento: Arab Blues, longa de estreia da diretora e roteirista franco-tunisiana Manele Labidi Labbé. Publicidade – Eu e a Nora (Goulart, produtora) achamos que o filme é uma declaração de amor ao Uruguai. Me encanta o humor cáustico dos uruguaios – disse a diretora e roteirista Ana Luiza Azevedo na coletiva de imprensa de Aos Olhos de Ernesto na quinta de manhã na Casapueblo, impressionante cidadela-escultura erguida pelo artista plástico Carlos Páez Vilaró em uma encosta na vizinha Punta Ballena. Antes, no mesmo encontro com a imprensa, outra realizadora já havia deixado registrada sua visão criativa inquieta. Falando sobre La Forma de las Horas, estrelado por seu marido, o ator Jean Pierre Noher, e por Julieta Díaz – eleita melhor atriz de longa estrangeiro no Festival de Gramado pelo papel -, a cineasta Paula de Luque sobre seu inventivo drama intimista, que aborda de maneira reticente e sensível os reencontros e lembranças de um casal cujo relacionamento está indefinido: – Há muito tempo queria contar essa história. É como um poema, uma canção de forma […]

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