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Festival Varilux de Cinema Francês traz 19 filmes recentes

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Festival Varilux de Cinema Francês traz 19 filmes recentes "Brigitte Bardot". Foto: 14º Festival Varilux de Cinema Francês/Divulgação

Entre esta quinta-feira (9/11) e o próximo dia 22 de novembro, o 14º Festival Varilux de Cinema Francês vai exibir em diversas cidades brasileiras uma programação cheia de produções premiadas aplaudidas pelo público e pela crítica internacionais. Maior evento com exibição de filmes em francês fora da França, a mostra conta nesta edição com 19 longas, dois clássicos e uma série sobre a diva Brigitte Bardot. Porto Alegre (Cineflix Shopping Total, Cinemateca Paulo Amorim e Espaço de Cinema Bourbon Country) e Caxias do Sul (Sala de Cinema Ulysses Geremia) são as cidades gaúchas que receberão a programação do festival.

“O festival Varilux continua sendo a ferramenta mais estratégica para manter viva a paixão do público brasileiro pelos filmes franceses. Os espectadores sempre receberam com entusiasmo nossa programação e aguardam com ansiedade as datas do festival. O papel do Varilux é promover o cinema francês em todo o país e apoiar o trabalho dos distribuidores locais. A queda na audiência média das produções brasileiras e estrangeiras nos cinemas é estimada em 80% em 2023. Todos nós, que atuamos no audiovisual, trabalhamos para reverter esses números”, enfatizam os diretores e curadores do festival, Christian e Emmanuelle Boudier.

A variedade de gêneros da seleção inclui animação, drama, comédia, suspense e romance. A programação traz títulos recentes, a maioria inédita no país, que integraram e foram premiadas em festivais como Cannes, Toronto e Biarritz. Ícone do cinema internacional, Brigitte Bardot inspira esta edição, que exibe dois clássicos em que a atriz foi protagonista: E Deus Criou a Mulher (1956), de Roger Vadim, e O Desprezo (1963), de Jean-Luc Godard, além de Brigitte Bardot, minissérie biográfica em seis episódios protagonizada pela jovem atriz franco-argentina Julia de Nunez – essa produção será exibida somente em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Entre os filmes escolhidos, destacam-se longas como Anatomia de uma Queda (2023), Palma de Ouro no último Festival de Cannes. O drama policial da diretora e roteirista Justine Triet mostra a investigação de uma morte em circunstâncias suspeitas e tem como protagonista a alemã Sandra Hüller – vencedora do Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim por sua atuação no filme Requiem (2006).

“Anatomia de uma Queda”. Foto: 14º Festival Varilux de Cinema Francês/Divulgação

Confira alguns filmes do 14º Festival Varilux de Cinema Francês:

O excelente Making Of (2023), de Cédric Kahn, acompanha os bastidores de rodagem de um filme sobre um grupo de operários que assume o controle de uma fábrica no interior da França. Premiado no Festival de Veneza deste ano, o diretor e roteirista Kahn costura com inteligência e sensibilidade a trama sobre os trabalhadores e seus dilemas com os impasses do elenco e da equipe técnica do filme que está sendo rodado sobre eles – evocando tanto os depoimentos fílmicos sobre a paixão pelo cinema como o clássico A Noite Americana (1973), de François Truffaut, quanto os dramas socialmente engajados e de pegada documental do cineasta inglês Ken Loach.

Merecem citação em Making Of as ótimas atuações do elenco, sobretudo dos atores Jonathan Cohen, Stefan Crepon e, em especial, do sempre ótimo Denis Podalydès, desta vez na pele de um diretor de cinema à beira de um ataque de nervos. Graças ao festival, o filme poderá ser assistido no Brasil antes da França, onde está programado somente para janeiro de 2024.

Making Of: * * * *

“Making Of”. Foto: 14º Festival Varilux de Cinema Francês/Divulgação

Outro título imperdível desta edição é As Bestas (2022), apresentado na mostra Première no Festival de Cannes de 2022 e vencedor de nove prêmios Goya – incluindo melhor filme, direção e roteiro original. Estrelado pelos excelentes atores franceses Denis Ménochet e Marina Foïs, o longa mostra a tensão crescente entre um casal de estrangeiros que mora no campo em uma aldeia galega e os vizinhos locais a respeito da instalação de um projeto de energia éolica, em uma discórdia que termina em tragédia.

As Bestas: * * * *

“As Bestas”. Foto: 14º Festival Varilux de Cinema Francês/Divulgação

Integrante da competição oficial de Cannes deste ano, o igualmente ótimo Culpa e Desejo (2023) marca o retorno da diretora e roteirista Catherine Breillat após uma pausa de dez anos na direção – seu filme anterior, Uma Relação Delicada, com Isabelle Huppert, foi realizado em 2013. O drama conta com Léa Drucker no papel principal, brilhando na pele de uma advogada madura especializada em defender menores em situação de abuso.

A rotina tranquilamente estável de Anne (Léa Drucker) com o marido Pierre (Olivier Rabourdin) e as duas filhas pequenas adotadas pelo casal é abalada com a chegada estrepitosa de Théo (Samuel Kircher), adolescente rebelde filho de um relacionamento anterior de seu companheiro. A frieza entre enteado e madrasta logo se converte em intimidade e desejo, engolfando Anne e Théo em uma arriscada e potencialmente escandalosa paixão.

Culpa e Desejo: * * * *

“Culpa e Desejo”. Foto: 14º Festival Varilux de Cinema Francês/Divulgação

Terceiro longa-metragem da realizadora Anna NovionO Desafio de Marguerite (2023) estreou na seção de exibições especiais do Festival de Cannes e também foi destaque na primeira edição do Festival Internacional de Cinema de Biarritz. O drama acompanha a trajetória da protagonista – interpretada pela atriz Ella Rumpf –, uma genial estudante universitária de matemática que tem de confrontar suas inseguranças emocionais ao se relacionar com figuras como seu professor orientador (Jean-Pierre Darroussin) e um outro aluno e rival igualmente excepcional (Julien Frison).

O Desafio de Marguerite: * * *

“O Desafio de Marguerite”. Foto: 14º Festival Varilux de Cinema Francês/Divulgação

Estrelado por Benjamin Voisin – que integrou a delegação artística do festival em 2021 com o ótimo Ilusões Perdidas –, o drama Almas Gêmeas (2023), de André Téchiné, mostra a relação singular de um jovem militar francês ferido gravemente no Mali com sua irmã Jeanne (Noémie Merlant). Sofrendo de amnésia e sob os cuidados de Jeanne no interior da França, David reluta em se reconectar com o passado e enfrentar a vida sem a irmã ao lado.

Almas Gêmeas: * * *

“Almas Gêmeas”. Foto: 14º Festival Varilux de Cinema Francês/Divulgação

A Musa de Bonnard (2023), de Martin Provost, acompanha a vida do pintor francês Pierre Bonnard e de sua esposa, Marthe de Méligny, ao longo de cinco décadas, com Vincent Macaigne e Cécile de France nos papeis principais.

A Musa de Bonnard: * * *

“A Musa de Bonnard”. Foto: 14º Festival Varilux de Cinema Francês/Divulgação

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